As palavras sempre foram minhas conselheiras, amigas, saco de desespero gratuito e viagem encantada pelo universo estranho do sonho. Durante muito tempo pensei que com elas conseguia fazer quase tudo. Ser feliz, descrever o mundo, falar aos sentimentos, construir a ilusão, discutir, absorver, viver e saborear o que o mundo me pudesse soletrar. Mais tarde descobri que há palavras que nunca se confessam nem sussurram, porque o idioma se esgotou no vocabulário do coração. Inventei fórmulas e engendrei planos de recuperação escrita e quis ser o pergaminho da descobeta do que não conseguia dizer... fracassei... porque é assim, porque há coisas que nunca se relatam, porque só assim as podemos sentir. Esses eram sentimentos bons, por isso os guardei para mim sem me importar que mais ninguém percebesse, que mais ninguém os testemunhásse no silêncio irrequieto das palavras mal compostas. Hoje, e porque a caminhada da vida me obriga algumas vezes a uma mudez enraivecida e tumultuante, descubro qu…