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Mensagens

Um salto no vazio (parte 2)

Tudo parece desabar quando uma enigmática e cativante mulher lhe pede para autografar um exemplar de "O Último Cabalista de Lisboa", (Quetzal) dizendo que o livro lhe mudou a vida e a ajudou a tomar uma decisão. Pouco tempo depois cai-lhe, aos pés, de uma janela do hotel em que estavam hospedados.
"Hoje em dia é fácil os leitores entrarem em contacto comigo. Antigamente era preciso enviar uma carta à editora, e eu só a receberia passados uns 60 milhões de anos. Agora estou mais exposto às reacções emocionais das pessoas, e isso é ótimo, mas obrigou-me a considerar as minhas responsabilidades enquanto autor, porque o que eu escrevo pode afectar a vida de alguém. Espero que de forma posisiva mas, e se não for? A ideia para o livro surgiu daí. E se alguém me dissesse que o livro lhes tinha afectado, e depois fizesse algo terrível?"
De imediato, surge a questão: será verdade? Essa torna-se cada vez mais pertinente ao longo do livro, à medida que se descobre o passado, pr…

Um salto no vazio (parte 1)

O vídeo é apenas um aparte.

"Sou uma pessoa sensivel e psicologicamente frágil. Quando o meu irmão adoeceu com SIDA e morreu, apercebi-me da minha própria vulnerabilidade", diz-nos Richard Zimler, com a mesma franqueza que o levou a revelar aspectos muito pessoais da sua vida nas páginas do seu mais recente romance "À Procura de Sana" (editado pela Gótica)que, sendo ficção, não deixou de ter uma grande dose de autobiografia, uma vez que o próprio Zimler é a personagem central desde as primeiras páginas. E é logo nas primeiras páginas que nos damos conta de um narrador à beira da depressão, um estado que já conheceu por duas vezes.

in Os Meus Livros
Uma mulher atira-se da janela de um hotel, despertando em Richard Zimler a curiosidade por uma história que se revela muito surpreendente, e onde se misturam ficção e realidade de uma forma quase imperceptível.

Filipe d´Avillez

É deste livro e deste autor que vos vou falar nos próximos tempos, no entanto, ainda não li o livro, pois nunca gostei muito de policiais. Estou com receio de não gostar. Se alguém já tiver lido, faça o favor de comentar.

Ricardo Domeneck - Garganta com Texto

Chamam-se "Fibs". A palavra deriva de Fibonacci, uma fórmula que os leitores de Dan Brown já conhecerão, mas que convém explicar para os outros dois ou três que não o são. A ideia dos Fibs é aplicar a fórmula à poesia. Dessa forma cada verso do poema conterá tantas silabas ou palavras quanto os dois versos anteriores somados. A sequência, invariável, fica assim: 1/1/2/3/5/8.
Tudo começou com uma piada por parte de Gregory Pincus no seu blog (www.gottabook.blogspot.com), que desafiouos seus leitores (principalmente amigos e família) a submeter os poemas. Porém, rapidamente a moda espalhou-se e Pincus começou a receber poemas de diversas línguas de milhares de utilizadores diferentes. A sua fama chegou aos jornais que lhe deram ainda mais publicidade.

Ah!
E
Resta
Só Dizer:
Isto ainda
Por cima não custa nada

in Os Meus Livros

Humor

Fui roubar este momento humrístico ao Aragem. Que de graça não tem nada, mas se não nos soubermos rir nas adversidades, dificilmente conseguiremos chegar ao objectivo a que nos propomos. Aproveitando a onda de referendo e porque o nosso governo se mostra cada vez mais alodial, porque não referendar uma questão também muito polémica e que também envolve vidas, entre elas, as dos nossos filhos e a formação de qualidade a que têm direito. Este não é só um problema dos professores como querem fazer parecer, mas sim de um sistema de ensino com debilidades graves e a percorrer caminhos tortuosos e pouco claros nos seus objectivos, ou seja, um problema dos portugueses. Mas esta questão tinha "pano para mangas" e que o mal menor fosse a progressão de carreira, porque essa nós já sabemos: só tem regredido, não é Srª. Ministra? Ria-se agora pois pode ser que um dia chore.

Alice Vieira aposta em Patrícia Reis (parte2)

Se calhar tudo depende do dia e da disposição em que nos encontramos. Se calhar de manhã cedo ainda estamos permeáveis a todas as aventuras literárias e ao fim da tarde já treslemos, e queremos é tudo como manda o figurino clássico, sujeito, predicado, complemento directo, ponto final, parágrafo.

E se clahar nem todos os dias nos apetece um Nobel, ou a Maria Gabriela Llansol, por muito que os amemos.

E é verdade que a literatura não se faz só com eles. Se, como se costuma dizer, são precisos dois para dançar o tango, também na literatura - em todas as literaturas, de todos os países - são precisos autores que preencham os diferentes registos da escrita.

Mas Portugla é, em vários domínios, um país estranho: normalmente só produz génios. E por isso produz pouco. Temos Camões e Pessoa. Temos Carlos Lopes e Rosa Mota. Temos Eusébio e Figo. Mas falta a grande massa donde estes deveriam ter emergido.

Na literatura dos nossos sias acontece o mesmo: ou temos os grandes nomes, ou temos os (very) l…

Alice Vieira aposta em Patrícia Reis

Pois é, quando João Morales me pediu este texto, com a rapidez que caractriza os irresponsáveis eu disse logo que sim, pois claro, num abrir e fechar de olhos eu iria entregar-lhe os seis mil caracteres sobre uma obra de um autor novo que me tivesse agradado. Alguém em quem eu apostasse - acho que foi assim que o assunto ficou definido.
No entanto, ainda mal tinha desligado o telefone e já caía em mim. Como poderia eu começar a largar senteças sobre as mais novas revelações das letras pátrias se o meu conhecimento das novas revelações das letras pátrias era mínimo?
É evidente que há meia dúzia de nomes que conheço mas: a) não aposto em muitos deles nem eles precisam; b) até apostaria nalguns, não fosse o caso de temer que eles se sentissem ofendidos comigo por já andarem nestas lides há um ror de tempo e já se sentirem desconfortáveis por alguém ainda os considerar "revelações"...
Respirei fundo, lembrei-me de tudo o que tinha lido recentemente, e ali fiquei na dúvida angustian…

Hotel Ruanda em livro

Depois do grande sucesso que foi o filme "Hotel Ruanda", eis que surge o livro.
Durante o apogeu do moticínio naquele país africano, Paul Ruseagabina arriscou a vida para salvar 1300 refugiados, protegendo-os no interior do hotel.
O livro vai mais longe que o filme, ao relatar parte do passado do humilde gerente do hotel, tal como a sua vida desde os terríveis eventos. Explora ainda a sua educação e experiência enquanto primeiro gerente ruandês de um hotel europeu. A vida do próprio chegou a estar em perigo, pois enquanto Hutu casado com uma Tutsi, era visto como um alvo a abater.

in Os Meus Livros

Não vi o filme, mas como começo sempre ao contrário, primeiro vou ler o livro. Se já viram comentem e contem-me como é.

Dia adequado

Bem, hoje é o dia! A celebração do que nos une, envolve e nos faz olhar em frente como uma equipa com objectivos especificos.
O meu é os bons momentos nunca deixem de estar presentes no nosso caminho, que o nós nunca seja um eu e tu, mas sim sempre um Nós.
Pelo que já passou, pelo que virá, pelos momentos bons, pelos momentos maus, pelos obstáculos, pelas alegrias, pelos sorrisos, as cumplicidades... por tudo o que faz parte da nossa história: feliz dia meu amor!

Conhecimentos

Até há bem pouco tempo transcrevi, por partes, uma entrevista com Luís Oliveira. Hoje, deixo-vos um bocadinho do percurso deste Sr. Porque os livros não são feitos só de escritores.

Manuel Luís Oliveira nasceu em Chãos, Ferreira do Zêzere, corria o ano de 1940. Foi para Santarém com 25 anos. Ali germinaria o futuro de Oliveira. "Em Santarém encontrei grandes figuras da literatura como Herberto Helder ou o António José Forte, que foi um grande amigo meu", recorda. "Esses anos, de 1965 a 1969, foram muito importantes, um grande mergulho psicológico. Passávamos as noites a beber vinho e a ler". Em 1969 abriu a livraria Apolo, que manteve até 1973. "A livraria desenvolveu uma actividade intensa, com muitas palestras... o Mário Viegas, por exemplo, ia lá frequentemente e sempre que ele lá ia havia PIDES a vigiar a livraria. Foram tempos muito activos, vendi muitos livros proibidos. Lembro-me de vender mais de 200 livros do "10 dias que abalaram o mundo", d…

Fotos da Frente

Quando os livros sobre o conflito no Médio Oriente estão na ordem do dia, e as críticas à presença dos EUA se multiplicam e sobem de tom, um novo livro promete mostrar uma faceta muito diferente da ocupação.
Coordenado pelo jornalista Devin Friedman, "This is Our War" colocará nas livrarias uma selecção de fotografias representando a vida dos soldados no Iraque. A grande diferença deste livro em relação aos muitos artigos e documentários que já tentaram captar esta visão, é que as fotografias são todas da autoria dos próprios soldados, tiradas para enviar para casa.
Embora contenha muitos momentos de diversão, não faltam também as cenas mais dramáticas e até polémicas.

in Os Meus Livros

Neve de Fevereiro, sinal de mau celeiro.

É Inverno na minha alma. Tenho frio. Envolta no nevoeiro estranho que me humedece o pensamento turvo do pântano triste dos dias passados tão rápidos. Tenho guardado solenemente as recordações do que já fui e, por vezes, já não acho a névoa acolhedora e saborosa como algodão doce e quente. Tenho frio e estou cansada das caminhadas que não me levam, apenas trazem.

As Brumas de Avalon - O Rei Veado

Acabei de ler o terceiro volume das Brumas de Avalon. Esta história tem sido para mim como algo muito bom que saboreamos devagar. Há muito tempo que não me agarrava tanto a um livro e fico muito chatiada quando termina. Obrigo-me a mim mesma a não os ler todos de enfiada, para poder "comer um bombom" de vez em quando.
Este terceiro volume não foi excepção. Do princípio ao fim envolvi-me e torci por Morganne. Compreendi toda a catalinária para com a igreja presente em todos os volumes. Nunca vi o filme, porque não gosto de ver os filmes antes de ler os livros, mas depois do quarto volume irei fazê-lo com toda a certeza.
Deixem-se levar pelo mundo das fadas e conheçam as personagens mais misticas de todos os tempos. A colecção dos quatro volumes custa um bocadinho a desembolsar, mas vale muito a pena.

À Conversa com Luís Oliveira (ultima parte)

E a Antígona editora, tenciona continuar a "bater com as portas" para usar a expressão do Ravachol que tanto aprecia?

Sim, eu escrevi isso há uns anos, como ele escreveu: "sei que vou morrer, mas enquanto cá andar hei-de bater com as portas". Enquanto por cá andarmos - e a Antígona já não sou eu, felizmente há mais gente envolvida, que trabalha aqui - pensamos não fazer grandesa cedências. Vamos bater com as portas, no sentido em que Ravachol deu à expressão.


Hoje, quais é que são as portas que é necessário arrombar, que permanecem trancadas?

Há muitas portas e não temos força para isso. É evidente que vamos morrer e que as portas vão continuar trancadas a sete chaves, são os lugares ocultos da sociedade que têm ainda uma grande reserva de repressão, de opressão, de mentira e não vamos conseguir rebentar com essas portas... essa seria a nossa vontade. Mas, acredito que depois de nós algum nos continue, não como missão porque eu não sou militante, nem me sinto imbuído …

À conversa com Luís Oliveira (parte 6)

Há alguns anos era prática corrente fazer-se das versões inglesa ou francesa, hoje há uma série de editoras que opta pela tradução da língua original. A Antígona acompanha essa tendência?

Sim, no início também fazíamos traduções de outras traduções mas essa pr´tica foi abandonada. Apesar de tudo, acho que ainda há muitas limitações em Portugal, se quisermos uma boa tradução de determinadas línguas, como o chinês ou as línguas eslavas, ainda é complicado encontrar tradutores. Mas, as coisas estão a evoluir, as universidades estão tanbém a criar departamentos de tradução.


Tendo em conta a forma como a informação circula hoje, qual é o papel do livro?

O livro pode formar ou deformar. Dizia alguém que o livro é o meio de comunicação mais forte entre os homens, o livro leva sempre uma mensagem. Pode ser positiva ou negativa, libertadora ou opressora, no entanto, eu penso que a Humanidade evoluiu com os livros, foram os livros que humanizaram o mundo.
Diz George Steiner que "sem Antígona a…