Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Outros espaços, outros leitores (parte 3)

As bibliotecas não foram esquecidas e também para elas há programas para todas as idades. "Ler antes de ler"; "Já sei ler" e "A conquista do leitor" dirigidas a crianças dos 0-6, 6-10 e 10-12 anos, respectivamente, envolvem (evidentemente, com diferentes níveis) ateliers, jogos, actividades lúdicas, dramatizações e espectáculos centrados em livros. Também aqui se conta com pessoal especialmente formado para este género de trabalho.
Mas, não é só para crianças que se vocacionam as bibliotecas; aqui sim, há espaço para incentivar as leituras em todas as idades. Estão mesmo pensadas acções para os mais excluídos ou debilitados. Veja-se o programa "Leitura sem Fronteiras" no qual haverá acções para jovens portadores de deficiências motoras ou visuais, como o lançamento de incentivos e de prémios que distingam a promoção da leitura. Prevê-se mesmo a dotação de apoios neste campo.
Para além das bibliotecas, não são esquecidos outros espaços colectivos, …

Para português ler (parte 2)

No que diz respeito às escolas, são três os programas com arranque previsto já para o ano lectivo de 2006/2007.
À medida que a idade aumenta vai sendo possível estimular a leitura individual, tornando-a mais divertida através de encontros com autores, jogos, concursos, prémios e visitas a feiras do livro.É isto que está previsto nos programas "Está na hora da leitura" e "Quantos mais livros melhores", para o primeiro e o segundo ciclo, respectivamente.Para estes últimos, o PNL recomenda ainda a dedicação de um tempo lectivo por semana.Para enfrentar eventuais dificuldades no terreno, os coordenadores prevêem o apoio através da formação e recomendações de listas de livros, organizadas por graus de dificuldade, algo inédito em Portugal e que permitirá ao aluno e ao educador medir a sua evolução.
Os programs dedicados aos alunos do Secundário têm arranque previsto para 2008. Destaque para "Navegar na Leitura", que incluirá prémios de leitura, um tempo lectivo …

Há sempre tempo para ler (parte 1)

Em 1997 a OCDE lançou o "Programme for International Student Assessment" que tinha por objectivo medir os níveis de leitura e de compreensão por parte dos jovens de 15 anos. Quando sairam os resultados, verificou-se que 48% dos jovens portugueses se encontram nos níveis 1 e 2 de uma escala em que 5 é o máximo.
São estudos como este que motivaram o Governo, através do Ministério da Educação a delinear e a lanção o Plano Nacional de Leitura (PNL) cuja coordenadora, Isabel Alçada, garante ser "uma prioridade política".
O principal objectivo do PNL é incentivar a leitura entre os mais novos. Isto, porque os seus coordenadores reconhecem que à medida que se envelhece vai sendo cada vez mais difícil alterar (maus) hábitos de leitura. Os mais velhos não são ignorados, apenas terão que esperar pela segunda fase deste programa que tem uma duração prevista de 10 anos, ou seja, duas fases de 5.
O discurso não é novo, e por isso mesmo é importante saber que, neste caso, já existe…

Páscoa e mini-férias!!

Pois é malta ausente e presente, de passagem ou permanentemente calados! Sei que a frase já é batida, mas fica sempre bem: Páscoa Feliz!!!!!!!
Aqui a jeitosa vai até às origens reunir a famelga em partes e cheirar o Tejo. As festas de Constância são para aproveitar. Os docinhos são para engordar, as bjecas para matar saudades dos meus queridos e afogar os carinhos desinibidos. Estou feliz nesta páscoa feliz! Volto depois com mais sorrisos adivinhados. Xau!!
"Para demonstrar qualquer coisa sobre um livro é essencial citá-lo, para provar que o autor se repete é essencial citá-lo abundantemente, e para fazer ambas as coisas, é conveniente tratar o autor pelo nome."

Rui Tavares, in Público, 1-4-2006

Nunca é pouco repetir Pessoa, para mim, o autor que se repete em bons trabalhos, que se oferecem pessoais e inteiros ao leitor atento.

Srª. Dª. Estultícia

Trabalho no apoio ao cliente de uma empresa. E grande parte dos clientes dorme todos os dias com a Srª. Dª. Estultícia.
Existem vários tipos de cliente. Há aqueles que não têm razão nenhuma mas andam sempre "armados aos cágados", cujo o segundo nome é, com toda a certeza, Estultícia; há aqueles que têm toda a razão do mundo, mas não percebem que quanto mais antipático é menos vontade tenho de o ajudar, demorando a chamada o dobro do necessário porque o Sr. está sempre cheio de pressa por se tratar de uma chamada de valor acrescentado. Amigo: a pressa é inimiga da perfeição, ou seja, é a vítima com ataques de Estultícia que ainda não descobriu o que era um mail ou os CTT, com a vantagem que fica com um documento escrito. Depois há aqueles que juntam a Estultícia com a Teimosia, e ainda aqueles, que não sabendo que este tipo de serviço é onde existe mais mão-de-obra especializada por baixo preço, teimam em achar que somos todos muito ignorantes. Ainda existem uns que ligam par…

Acompanhar todo o processo (parte 4)

"Criei uma editora, a Alley, onde fazemos os alunos passarem por todo o processo de publicação do livro, compondo esse trabalho juntamente com o editor, conhecendo de perto a relação entre autor e editor. Assim, eles aprendem a conviver com o designer, com o ilustrador, com o revisor ou com o copy-desk. Depois, eles fazem uma tiragem pequena, cerca de trezentos exemplares, acompanhando a produção na gráfica e passam em seguida pelo lançamento do livro, com a presença dos media e tudo". Relativamente à construção do livro, Sonia Belloto acredita nas vantagens de uma formação completa. Na Fábrica dos Textos aprendem-se métodos de escrita, sempre com o público como guia, mas aprende-se também a paginar um livro, a escolher uma capa que sobressaia nas livrarias, a definir um bom texto de contracapa. Às técnicas de escrita associam-se, assim, as do grafismo, as da produção e, principalmente, as do marketeing, que acompanham todo o processo, tendo sempre os interesses do público co…

Técnicas e Truques (parte 3)

E, se o talento não se aprende, as técnicas e o desenvolvimento de um método de escrita constituem a essência do livro de Sonia Belloto, que dedica várias páginas à estrutura do texto, à caracterização das personagens e à importância dos diálogos na boa construção de uma história.
Aqui, uma espécie de leitor-modelo é o centro do mundo e é em função dele que se apresentam recursos estilísticos e estratégias narrativas através de exemplos concretos. Os erros frequentes e os lugares-comuns são também apresentados, de modo a que se possam confrontar com formas eficazes de atingir objectivos específicos traçados inicialmente. O leitor é convidado a reparar em pormenores de livros como "O Nome da Rosa" ou "Alice no País das Maravilhas", com o desígnio de decifrar mecanismos mais eficazes para a comunicação de cada ideia ou sensação. Frases curatas, simplicidade, surpresa e boa utilização das figuras de estilo são as regras mais apontadas.
Curiosamente, os últimos cinco cap…

(parte 2)

A receita de sucesso para a elaboração de um livro parece ser a demanda de muitas das pessoas que se inscrevem nos cursos de escrita criativa, eventos cada vez mais frequentes entre a oferta cultural disponível. Mas faltav dar resposta aos que, não tendo disponibilidade ou vontade para a frequência de um curso regular, gostariam de ver em letra de forma algumas das técnicas e segredos que ajudaram a definir tal receita milagrosa que todos procuram.
Sonia Belloto, autora do manual "Como Escrever um Livro e Conseguir que um Editor o Publique", recentemente publicado pela Texto Editores, é também directora da escola brasileira Fábrica dos Textos e acredita que o esforço e a dedicação podem fazer a diferença entre um bom e um mau escritor. Nos últimos anos tem-se dedicado a um programa de escrita criativa que permita aos alunos ultrapassarem algumas inibições e desenvolverem técnicas de expressão eficazes para a construção de uma boa história. Neste manual que agora se disponibil…
Na verdade, não vale a pena chatearmo-nos muito, porque é um confronto onde todos vão ganhar: João Pedro Jorge vai esgotar as Couves e Maragarida Rebelo Pinto vai fazer render a sua mais recente alforreca.

João Miguel Tavares in Diário de Notícias, 31/03/2006

Já lá vai o tempo em que literatura era só para apaixonados pela arte!!!

Pepsi x Shaolin

Neste falanstério de gente crescida já tudo se vende. É preciso é saber vender - diria o meu pai - vendedor por orgulho. Mas sem dúvida que todos os dias é preciso ter mais imaginação, num mundo onde pouco há por inventar. Como gosto de publicidade, aqui fica um gostinho.

Até dá vontade de rir (parte3)

Para terminar, dois títulos que apresentam o fenómeno por vias diferentes. "O Código Stravinci", de Toby Clemens (Difel) já referido nestas páginas. Num tom de sátira declarada, Clemens constrói uma conspiração sobejamente divertida, recorrendo ao to usado por Brown, mas aplicando-o a um humor sem tréguas - aqui, a diversão é a mais importante descoberta do leitor. Já "O Código D´Avintes" é um texto conjunto de diversos escritores portugueses, onde os sete magníficos Alice Vieira; João Aguiar; JoséFanha; José Jorge Letria; Luísa Beltrão; Mário Zambujal e Rosa Lobato Faria empreenderam um ´mistério que envolve a infância de Cristo e cuja solução remete para... as margens do Douro. O que é nacional é bom, pois então.
Uma coisa é certa e indiscutível: Dan Brown pode não ser um excelso escritor nem ter desenvolvido um estilo ímpar que o coloque no panteão dos autores com "A grande",todavia, a movimentação que gerou com o seu livro, originando inúmeros títulos …

Dan Brown: factos e ficções

A pensar em todos os que anseiam saber mais sobre a vida de Dan Brown e todo o processo que o colocou no centro das atenções de milhões de pessoas, a Casa das Letras aproveitou o embalo para editar "Dan Brown - Biografia" onde se conta a ascensão deste mago, senão da literatura, pelo menos, das iniciáticas artes de Midas, transformando letras em muitos milhões de dólares, euros, ou outras unidades monetárias.
Um mergulho no passado do escritor, incluindi aspectos menos conhecidos, como a importância de sua mulher, Blythe, na pesquisa para os livros que publicou ou os dois livros renegados: "187 Men to Avoid: A Survival Guide for the Romantically Frustrated Womwn (187 Homens a Evitar: Guia de Sobrevivência para a Mulher Romanticamente Frustrada), sob o pseudónimo de Danielle Brown e "Bald Book (Livro Careca)", onde se pretende "consolar homens que estão a ficar carecas, contando-lhes anedotas sobre coxos".
Já muito se discorreu sobre os limites da ficçã…

Giocondas de bigode (parte 1)

O livro mais famoso de Dan Brown tornou-se numa inegotável alavanca para o mercado livreiro, capaz de incentivar lançamentos sucessivos. A recente estreia do filme baseado em "O Código Da Vinci" revelou-se uma óptima oportunidade para fazer render o filão.
A Bertrand, editora de Dan Brown em Portugal, encabeça esta gigantesca investida com três novos títulos.
"O Código Da Vinci - Making Of" é uma apelativa viagem aos bastidores das filmagens do tão esperado blockbuster, apresentando trunfos com o texto integral do argumento de Akiva Golsman; storyboards inéditos; descrições das acções de recriação arquitectónica ou imagens das filmagens no interior do Louvre.
E, uma vez que os cenários são uma vertente carismática desta história, "O Código Da Vinci - Diário de Uma Viagem" revela-se também uma boa aposta, transportando o leitor aos lugares onde decorre a acção deste thriller. Uma forma de recriar a aventura vivida por Robert Langdon, em espaços tão díspares c…

Literatura

"Já muita gente criticou a Margarida (Rebelo Pinto), mas é a primeira vez que alguém tenta usar o nome dela para ganhar dinheiro."

Antonio Lobato Faria, in Diário de Notícias, 29-03-06

As saudades do rio

Nasci à beira rio.
Tenho saudades dos tempos gostosos em que a liberdade da província nos deixava traulitar nas ínsuas das margens do Tejo. Tenho saudades do sabor que deixava na boca as corridas infatigáveis sem medo da perda e quando tudo parecia novo.
Arrancaram-me ao Tejo, mais tarde voltei, não sabia da saudade, mas sabia o que me sabia bem. Fugi dos obstáculos das gentes que não compreendem a riqueza maior do cheiro de casa. Não volto. Mas é o Tejo que recordo com saudade de acolher a riqueza das asas compridas de uma vida pela frente. É com o Tejo que me recordo feliz, com as pontes velhinhas que entro no ninho e sinto a recordação doce dos tempos de meninice, dos abraços velhinhos dos meus avós ternos de filiação. É lá que me sinto de regresso, que me reconheço por reconhecer o espaço, a cor, as medidas do meu jardim à beira do Tejo.

150 anos dos Caminhos de Ferro em Portugal

Lbert Von Brun nasceu em 1954, na Suiça. Contudo, é a este homem que se deve uma sentida homenagem a algumas das páginas esquecidas da nossa literatura. O título é "Carris de Papel" e o subtítulo desvenda a proposta: "O Caminho-de-Ferro na Literatura Portuguesa".
O livro - lançado pela Caminho - está organizado em três partes: Poesia; Contos e Romances e Cartas, Memórias, Depoimentos. A introdução inicia-se com algumas frases de Italo Calvino e bastam essas frases como nos explica o autor, para "entrarmos no tempo dos comboios, um tempo diferente do nosso, cheio de aventuras e de grandes expressos, de noites cortadas pelo silvo das locomotivas".
Tomando como ponto de partida a presença deste inigualável meio de transporte, Von Brunn (que lançou em 2003 "Trilhos na Cabeça - Uma Antologia do Comboio na Literatura Brasileira") devolve ao nosso convívio algumas páginas esquecidas da nossa memória literária.É agradável reconhecermos face aos poemas de …