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A Dívida - Fantasia de Gales

Rhys Hughes é também admirador confesso de Borges. De tal modo que escreveu "Uma Nova História Universal da Infâmia", óbvia e descarada apropriação de um dos livros mais famosos do autor argentino. Desafiado a contar-nos como foi o seu "encontro" com o seu ídolo literário, optou por uma resposta que não envergonhou o próprio.
"Um dia vagueava pela biblioteca local. A biblioteca pareceu-me muito maior do que a recordava. À medida que passei os olhos pelos livros nas estantes, reparei que estavam repletas de letras casuais. (...)"

in Os Meus Livros

A Dívida - Mistérios em sérvio (parte 2)

Autor premiado no âmbito da Literatura Fantástica, reconhece que Borges o influenciou "de muitas maneiras", todavia, destaca "a consciência de que depois de 50 séculos de escrita da mais fantástica literatura, há ainda novas áreas de aproximação não mimética à nobre arte de escrever ficção. Não vejo nenhum escritor importante de literatura fantática que não seja seguidor de Borges". Por isso, também ele não esconde o seu fascínio: "foi uma das maiores descobertas literárias da minha vida. Quem me dera ter a possibilidade de regressar ao passado e experimentar a excitação de ler Borges pela primeira vez".

in Os Meus Livros

A Dívida - Mistérios em sérvio

Por seu lado, Zoran Zivkovic, autor de "Biblioteca" (publicado pela Cavalo de Ferro, onde deverá sair ainda este ano "Livro") destaca o carácter fantasioso da obra de Borges, a sua destreza em "lidar com realidades, fundamentalmente, alternativas".
Para quem conheça os seus livros, divertidas histórias que andam à volta da bibliofilia e da intensidade com que um livro pode marcar as nossas vidas, não será de estranhar que o seu texto de eleição seja "A Biblioteca de Babel", justificando, sem mais delongas, que nesse fragemento "Borges disse tudo...".

in Os Meus Livros

AJEDREZ - A Dívida (parte 4)

No que respeita às suas prosas - "com o passar do tempo, gosto muito mais dos poemas" - o seu afecto vai para "Pierre Menard, autor do Quixote", "pela sua deslumbrante inteligência. Trata de como um texto depende dos seus leitores e de como é lido de diferentes formas através do fluir do tempo".

in Os Meus Livros

A Dívida (parte 3)

Recorda bem o dia em que tomou contacto com Borges. "Durante um Verão, em Cadaqués, ouvi falar dos seus relatos. Na única livraria do povoado comprei um livro seu e fiquei impressionado por "Funes, o Memorioso". Se me influenciou? Suponho que sim, e foi uma belíssima influência. Todo o escritor metaliterário está sob o efeito que provocam a leitura de Cervantes, Sterne, Diderot e Borges. Em Borges encontramos a tndência mais moderna da literatura actual. É uma tendência que, paradoxalmente, é a mais antiga de todas. Tem ilustres seguidores... Bolaño, Piglia, Alan Pauls, Alberto Manuel". Apenas por modéstia não se inclui a si próprio, se considrarmos textos como "Bartleby & Companhia", "História Abreviada da Literatura Portátil" (ambos publicados na Assírio & Alvim) ou a técnica com que funde imaginação e memória no seu mais recente trabalho, "Paris Nunca se Acaba" (Teorema).
Vila-Matas destaca a capacidade metafórica do mestre a…

Instantes - A Dívida (parte 2)

Para Vila Matas não sobra espaço para a modéstia "Não é que ele seja um dos mais importantes escritores, é que ele é mesmo a literatura. Recorda-me aquilo que dizia Kafka à sua noiva: "não, querida Felice, não é que a literatura me interesse, é que eu sou literatura."

in Os Meus Livros

A Dívida (parte1)

Com a dimensão que todos lhe reconhecem, não é de admirar que Jorge Luís Borges disponha de uma gigantesca legião de seguidores e apreciadores, entre os escritores de todo o mundo. A magnitude da sua escrita e a originalidade das matrizes que gerou, ajudaram a moldar muitas das invenções literárias que hoje nos encantam.
Instigados por este sentimento, fomos falar com três escritores, bem diferentes entre si, qualquer um deles com provas dadas no panorama internacional da literatura. O espanhol Enrique Vila-Matas, Zoran Zivkovic, escritor nascido em terras sérvias (então jugoslavas) e Rhys Hughes, homem do país de Gales.

in Os Meus Livros

Jardim a chamar nomes à imprensa portuguesa

Que Alberto João Jardim é politicamente incorrecto é sobejamente sabido, mas nem sempre consegue encalacrar os interlocutores como aconteceu sábado passado, no Congresso do PSD, na Póvoa do Varzim. Estava Jardim no hall em amena cavaqueira com jornalistas quando entrou o pai de Marques Mendes. Afável, o senhor dirigiu-se a Jardim para o cumprimentar. E Jardim não esteve com meias medidas: sacou da palmada, estampou-a nas costas do pai do líder do partido e legendou alto e bom som: "Olha! O pai da criança!" O conhecido advogado de Fafe não deixou transparecer a mais pequena emoção. E lá seguiu o seu caminho.

in Única, Maio de 2006

O Meu Michael - Amos oz

"O Michael tinha olhos cinzentos. Quando sorria, os cantos da boca tremiam-lhe. Cinzento e comedido: o meu Michael."

in O Meu Michael de Amos Oz, Asa


Nunca tinha lido nada de Amos Oz, apesar de já ter ouvido falar dele. Comprei este livro por 2,50 num site qualquer. O livro em si torna-se por vezes aborrecido, mas acho que é essa a intenção. Acima de tudo é bastante psicológico, sendo que a vítima, neste caso a mulher de Michael, alucina por ter desistido de uma vida que não desejou e um filho que não ama, ou talvez sim, mas à sua maneira, como se a criancinha fosse a culpada de não ter atingido os seus objectivos, os seu sonhos, ou a enganasse e a tivesse feito pensar que Michael era o homem ideal para casar.
Achei o tema do livro um pouco fútil, como explicar, a personagem não gostava da sua vida, mas não fazia nadinha para a mudar, deixava-se deambular num estado de abandono!!! Como se o mundo inteiro fosse culpado da sua infelicidade.
Quanto ao Michael, bem o homem é um san…

Barranco de Cegos - Alves Redol

"Explicava-se, por isso, a maneira ostensiva como voltaram as costas, e mal o fáeton virou para o lado da vila, onde o pai e a irmã iriam apanhar o comboio. (Aqui para nós: o despeito, uma das sombras do Demónio, levara-os já a desejar que o curro fosse uma boiada, capaz de vexar Diogo Relvas com uma bronca histórica.) Depois deles desapareceram as criadas, a Brígida chorava pela sua menina, o Padre Alvim, o preceptor e a preceptora inglesa que entrara para o palácio havia só umas semanas, e alguns campinos chamados para ajudarem às malas.
Joaquim Taranta ficou sozinho, a menear a cabeça, de barrete na mão; o que adivinhava naquela viagem não era coisa boa, não senhor, sabia lá o quê!, mas vira sombras negras à volta da equipagem, como se um luto cobrisse os quatro cavalos rucilho flor de alecrim e o branco-prateado, os patrões e o cocheiro. E o dia estava bonito. Quente e de céu azul. O céu tremia."

inBarranco de Cegosde Alves Redol

Li este livro há pouco tempo. Comprei-o no J…

Episodio con el enemigo , borges por beto moreno

Um dos temas da obra do Mestre argentino é o tempo. Os textos de Borges irão permanecer por muitos séculos,como alguns daqueles que cita?

A. V. : Sem dúvida os temas metafísicos estão permanentemente presentes na sua obra e dentro deles o tempo desempenha o papel central. Joje, em diversas disciplinas, da Teologia às matemáticas, na Física e diversas ciências mais, estuda-se a sua obra e os surpreendentes avanços que nela surgiram há várias décadas, acompanhadas de um cuidado estético admirável. Borges é o artista argentino com maior projecção internacional, incluindo todas as disciplinas artísticas e todas as épocas.

Jorge Luís Borges por Alejandro Vaccaro (parte 5)

A obra de escritor diz muito sobre si. Em que medida pensa que a vida pessoal de Borges está presente na sua obra?

A. V.: A vida de Borges e a literatura são uma coisa apenas. Emir Rodriguez Monegal define-o acertadamente como um "ser literário". Veja um exemplo: Em certa altura ofereceram à filha de Fanny, que vivia com os Borges, um gato. Ela colocou-lhe o nome de "Pepo". Quando Borges escutou esse nome mudou-o imediatamente para "Beppo", personagem de Lord Byron e o nome do pagem que acompanha o Duque de Bomarzo, na história de Mujica Laínez. Para ele, "Pepo" não significava nada mas "Beppo" sim.


Na obra de Borges realidade e ficção conjugam-se, ao ponto de pouco importar onde cada uma começa e termina. No entanto, quem melhor aceita esse "jogo" é quem tem algumas referências literárias. É essencial tê-las para usufruir da obra deste escritor?

A. V. : Uma das chaves da obra literária de Borges é esse jogo entre ficção e reali…

el jardín de senderos que se bifurcan

Em "El Senõr Borges" Donal Yates diz: "Tive muito tempo para lhe fazer perguntas que só a um biógrafo ocorrem". O que acha que ele quer dizer com isso?

A. V. : Nós, biógrafos temos uma maneira de fazer certas perguntas, já que é muito pretender as confissões de alguém que vamos biografar. Perguntando alguma coisa ocasional ou trivial procuramos entrar de forma colateral em outros temas mais importantes. Ninguém gosta de falar de certos factos da própria vida, seja por pudor, vergonha, timidez ou outras razões. Borges era um deles.

Jorge Luís Borges por Alejandro Vaccaro (parte4)

Por vezes, Borges é apontado como um conservador, no campo político. Em seu entender, isso é correcto? Além do almoço com Pinochet, que outros factores contribuiram para essa visão?

A. V. : Para Borges as opiniões políticas eram banais e ele não queria ser recordado por elas mas sim pela sua obra. No livro "Una biografía en imágenes" dedicamos um espaço importante a borges e a política, onde se pode apreciar que as suas aproximações aos acontecimentos políticos forma espasmódicas e sem conteúdo. Manifestou uma vez ter-se filiado no Partido Conservador era uma forma de cepticismo. O caso de Pinochet corresponde a um acto de ingenuidade e também a um mau aconselhamento dos seus próximos de então, que não souberam adverti-lo sobre quem era Pinochet. A um segundo convite recusou ir, já que o seu secretário da época, Roberto Alifano, o advertiu que não era conveniente.


Borges foi alvo da escrita de muitos autores (Alicia Jurado, Donald Yates, Maria Esther Vásquez, Juan Gasparini, e…

Jorge Luís Borges por Alejandro Vaccaro (parte3)

A dada altura escreve: "as suas concepções filisóficas, a sua incredulidade no livre-arbítrio, evidenciam-se na sua afirmação: ..."a porta escolhe-nos". De que forma pensa que Borges via o conceito de "Destino"?

Para Borges não existia o "livre-arbítrio", tudo estava prefigurado em algum lugar secreto da nossa existência somente que não podíamos descodificá-lo (esta última interpretação é minha). Todo o encontro casual estava marcado, toda a morte é um suicídio, a porta escolhe-nos.

Jorge Luís Borges por Alejandro Vaccaro (parte2)

Um dos pontos mais surpreendentes em "O Senhor Borges" são as revelações de Fanny sobre Maria Kodama e a sua influência na mudança do testamento de Borges. O que nos pode dizer sobre esse assunto?

A. V. : Em "O Senhor Borges" tentámos mostrar um Borges caseiro, o Borges da vida quotidiana que tudo transformava em literatura, mas também se resignava aos afazeres dessa vida quotidiana. Em relação ao tema específico do testamento, cabe-nos fazer uma pergunta. Porque, aos 86 anos, Borges tomou tantas decisões de mudança? Nos últimos meses da sua vida mudou de médico pessoal, de advogados, de testamenteiros, mudou o seu lugar de residência, o seu estado cívil e o seu testamento. Que cada leitor retire as suas próprias conclusões.


Como descreveria Fanny?

A. V. : Fanny é uma pessoa gregária, humilde e sem nenhuma preparação nem familiaridade com a cultura, a sua tarfa na vida tem sido trabalhar. Esteve por quase quatro décadas a servir os Borges, mãe e filho, estes nunca tiv…

Jorge Luis Borges por Alejandro Vaccaro

- Tem dedicado as duas últimas décadas a estudar a vida e obra de Borges. Quais as grandes surpresas que foi encontrando?

A. V. : Mais do que surpresas, ao longo destes anos tenho encontrado confirmações. Borges foi o ser mais literário que este tempo nos ofereceu e em todos os seus procedimentos isso está presente. Tudo, de uma ou outra maneira, se transformava em literatura. Uma vez escreveu sobre o poeta Enrique Bachs que "este homem teve a fortuna de ser abandonado por uma mulher". O sofrimento que lhe provocou esse abandono motivou a escrita de páginas maravilhosas da nossa literatura, ou seja, para Borges se o sofrimento serve para escrever boas páginas, quem dele padece é afortunado.

Detenção

Detenção de um professor e do seu grupo de alunos de uma escola húngara, ao fazerem uma visita de estudo a uma catedral na Eslováquia. Só foram soltos, horas depois, após a intevenção da embaixada do seu país. O professor foi acusado de fazer ilegalmente uma visita turística guiada, os alunos por estarem a ouvir as explicações do docente.

in Única

Olhem que isto? É o que se chama um verdadeiro incentivo à educação. Qualquer dia cá fazem o mesmo, quanto menos souberem, menos reclamam!

A vidinha

A vidinha de todos os dias deveria ser real, carregadade honestidade cruel de verdade incorrompínvel. Devia ser como é, sem artifícios que nos façam descansar no mundo do fantástico... porque o fantástico é coisas de sonhadores e nós não podemos sonhar! Acomodamo-nos assim ao quotidiano que queremos real ainda que não seja feliz. Carregamo-nos de aleivosias que não sinceras vistas tendem a encher de vigilância atenta pelo passo do próximo. Jogo de inteligentes, dizem eles... cansativo, por certo, mas lucrativo, muito lucrativo, para alguns. Enchemos então a mala de imitações que julgamos clarificar através de jogos mentais pouco precisos e levamos para casa a semente do que não é. Sonhamos à noite e fingimos de dia! Tristeza a minha que nunca encontro a realidade! E vamos assim nesta realidade pouco definida sem cálculo definido em que aplaudimos a subjectividade da honestidade à minha medida, que é sempre diferente de onde estou e com quem estou.
Viver tão pouco e mesmo assim fingir v…