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Mensagens

Cheiro Estranho

Quando regressamos ao início do campeonato, Portugal parece ser tomado de uma febre estranha que faz esquecer todos os maus bocados durante um ano inteiro, e porquê? Será porque as pessoas podem, assim, descarregar toda a sua fúria, frustração, angústia e desilusão nos desgraçados mais bem pagos do país que andam ali a correr atrás da bola. Enfim, gosto até muito de futebol, mas estou apirética e acima de tudo continuo desiludida com o mundo, não preciso do futebol para ajudar!

Florbela Espanca - Contos e Diário

Florbela Espanca nasceu a 8 de Dezembro de 1894 e morreu a 8 de Dezembro de 1930. Apesar de ser conhecida como poetisa, não escreveu só poesia. Durante a sua vida tentou várias vezes o conto como forma de expressão escrita, em experiências mais ou menos acidentais. Os contos que aqui se publicam foram escritos entre 1907 e 1930, publicando-se adicionalmente o Diário que Florbela escreveu no último ano de vida.

"Que mulher era então ela? Que mulher era aquela mulher? Que mulher era a sua mulher? Quantas mulheres tinha ele?... E então, quando a possuía, via a outra, a de alma branca, estender as mãozitas trementes para o afastar, com um olhar de pavor; quando lhe dava um beijo de ternura, um doce beijo de amigo, via-lhe na boca o sorriso da "Flor de Luxo", via-lhe os lábios pintados entreabirem-se, rubros, no seu sorriso de cortesã; quando a ouvia discutir uma obra de arte, uma bela acção, um rasgo sublime de generosidade, no calor de qualquer emoção espiritual, logo pensa…

MENTIRA, VALERIA LYNCH.

Mais um post musical e... perto do coração! Ai que estou mesmo a ficar velha, mas faz-me lembrar de um aviso o nome desta música: "Ninguém diga o que não sabe, nem afirme o que não viu."
Agora curtam só a roupinha da senhora, é mesmo muito atrás. Ai que eu estou tão velha!

Ouvir

Cada vez mais descreio da raça humana, dos citadinos irascíveis, egoísticamente arrogantes, egocêntricos e mimados de facilidades falsas que não querem ouvir. São (muitos) os amargos, frustrados, zangados com a vida que têm, um escape do "não te vê". Há os doutores gabarolas de estatuto engalanado em pedestal de palha, que não sustentam a modéstia da igualdade, há os pobres de espírito que reprimem tempos infinitos a submissão incontida, há-os aos molhos e diferentes na sua limitação cobardemente agressiva... quero acreditar que só são assim nestas alturas, que se emocionam e são humanos, que são assim porque não sabem ser de outra maneira, que não tiveram uma formação (educação) coerente. No entanto, e procuro várias vezes dentro de mim, sei que nunca seria capaz, que me envergonharia de não conseguir ser racional e atacar como um animal instintivo e maligno.
São os cobardes do nosso tempo, são aqueles que não querem ver, nem olhar para o lado, com o mundo de felicidade pre…

Ernesto D'alessio - Hard Rock Live - Como Tú y El Triste

Voltamos à música, agora para o coração, que o meu está carregado de saudades. Um Verão longo, com poucos motivos para sorrir e com pouco calor para me aquecer a alegria. Bem, mas já diz o velho ditado: "Corra o ano como for, em Agosto há calor." Portanto malta, nos dias menos quentes, valham-se do calor humano que já não é mau!

A Dívida - Fantasias de Gales (última parte)

Hughes considera que, mais do que uma influência, a escrita de Borges tornou-se quase um padrão, um conceito por si só. "Borges influenciou vários bons escritores modernos mas acredito que também influenciou alguns dos escritores que surgiram antes dele. Encontro frequentemente elementos "borgesianos" em escritores como Karel Capek, Frigyes Karinthy, Grant Allan e (especialmente) Edwin A. Abbott, todos os quais viveram e escreveram antes de Borges. Contudo, se Borges não tivesse existido esses elementos Borgesianos nunca seriam visíveis. Ele influenciou os seus precursores, tanto como os seus seguidores!"
Destacando como principal característica na escrita deste autor "a sua bela e terrível originalidade", esquiva-se a apontar um texto como favorito. E, mais uma vez, utiliza uma imagem literária para responder. "A minha história favorita de Borges continua a ser aquela que continua perdida, algures, em Buenos Aires. Talvez esteja escondida na forma de…

A ´Divida - Fantasias de Gales (parte2)

"Compreendi então que cada combinação única e possível de letras existia em todos esses livros, cada frase possível em cada idioma possível. Continuei à procura mas a maioria dos livros continuava a não fazer sentido. Finalmente, encontrei um livro que faz sentido. Continua, puramente por acaso, as histórias de Jorge Luís Borges! As minhas próprias histórias também existem, algures nessa biblioteca, incluindo aquelas que são completamente influenciadas por Borges!"

in Os Meus Livros

A Dívida - Fantasia de Gales

Rhys Hughes é também admirador confesso de Borges. De tal modo que escreveu "Uma Nova História Universal da Infâmia", óbvia e descarada apropriação de um dos livros mais famosos do autor argentino. Desafiado a contar-nos como foi o seu "encontro" com o seu ídolo literário, optou por uma resposta que não envergonhou o próprio.
"Um dia vagueava pela biblioteca local. A biblioteca pareceu-me muito maior do que a recordava. À medida que passei os olhos pelos livros nas estantes, reparei que estavam repletas de letras casuais. (...)"

in Os Meus Livros

A Dívida - Mistérios em sérvio (parte 2)

Autor premiado no âmbito da Literatura Fantástica, reconhece que Borges o influenciou "de muitas maneiras", todavia, destaca "a consciência de que depois de 50 séculos de escrita da mais fantástica literatura, há ainda novas áreas de aproximação não mimética à nobre arte de escrever ficção. Não vejo nenhum escritor importante de literatura fantática que não seja seguidor de Borges". Por isso, também ele não esconde o seu fascínio: "foi uma das maiores descobertas literárias da minha vida. Quem me dera ter a possibilidade de regressar ao passado e experimentar a excitação de ler Borges pela primeira vez".

in Os Meus Livros

A Dívida - Mistérios em sérvio

Por seu lado, Zoran Zivkovic, autor de "Biblioteca" (publicado pela Cavalo de Ferro, onde deverá sair ainda este ano "Livro") destaca o carácter fantasioso da obra de Borges, a sua destreza em "lidar com realidades, fundamentalmente, alternativas".
Para quem conheça os seus livros, divertidas histórias que andam à volta da bibliofilia e da intensidade com que um livro pode marcar as nossas vidas, não será de estranhar que o seu texto de eleição seja "A Biblioteca de Babel", justificando, sem mais delongas, que nesse fragemento "Borges disse tudo...".

in Os Meus Livros

AJEDREZ - A Dívida (parte 4)

No que respeita às suas prosas - "com o passar do tempo, gosto muito mais dos poemas" - o seu afecto vai para "Pierre Menard, autor do Quixote", "pela sua deslumbrante inteligência. Trata de como um texto depende dos seus leitores e de como é lido de diferentes formas através do fluir do tempo".

in Os Meus Livros

A Dívida (parte 3)

Recorda bem o dia em que tomou contacto com Borges. "Durante um Verão, em Cadaqués, ouvi falar dos seus relatos. Na única livraria do povoado comprei um livro seu e fiquei impressionado por "Funes, o Memorioso". Se me influenciou? Suponho que sim, e foi uma belíssima influência. Todo o escritor metaliterário está sob o efeito que provocam a leitura de Cervantes, Sterne, Diderot e Borges. Em Borges encontramos a tndência mais moderna da literatura actual. É uma tendência que, paradoxalmente, é a mais antiga de todas. Tem ilustres seguidores... Bolaño, Piglia, Alan Pauls, Alberto Manuel". Apenas por modéstia não se inclui a si próprio, se considrarmos textos como "Bartleby & Companhia", "História Abreviada da Literatura Portátil" (ambos publicados na Assírio & Alvim) ou a técnica com que funde imaginação e memória no seu mais recente trabalho, "Paris Nunca se Acaba" (Teorema).
Vila-Matas destaca a capacidade metafórica do mestre a…

Instantes - A Dívida (parte 2)

Para Vila Matas não sobra espaço para a modéstia "Não é que ele seja um dos mais importantes escritores, é que ele é mesmo a literatura. Recorda-me aquilo que dizia Kafka à sua noiva: "não, querida Felice, não é que a literatura me interesse, é que eu sou literatura."

in Os Meus Livros

A Dívida (parte1)

Com a dimensão que todos lhe reconhecem, não é de admirar que Jorge Luís Borges disponha de uma gigantesca legião de seguidores e apreciadores, entre os escritores de todo o mundo. A magnitude da sua escrita e a originalidade das matrizes que gerou, ajudaram a moldar muitas das invenções literárias que hoje nos encantam.
Instigados por este sentimento, fomos falar com três escritores, bem diferentes entre si, qualquer um deles com provas dadas no panorama internacional da literatura. O espanhol Enrique Vila-Matas, Zoran Zivkovic, escritor nascido em terras sérvias (então jugoslavas) e Rhys Hughes, homem do país de Gales.

in Os Meus Livros

Jardim a chamar nomes à imprensa portuguesa

Que Alberto João Jardim é politicamente incorrecto é sobejamente sabido, mas nem sempre consegue encalacrar os interlocutores como aconteceu sábado passado, no Congresso do PSD, na Póvoa do Varzim. Estava Jardim no hall em amena cavaqueira com jornalistas quando entrou o pai de Marques Mendes. Afável, o senhor dirigiu-se a Jardim para o cumprimentar. E Jardim não esteve com meias medidas: sacou da palmada, estampou-a nas costas do pai do líder do partido e legendou alto e bom som: "Olha! O pai da criança!" O conhecido advogado de Fafe não deixou transparecer a mais pequena emoção. E lá seguiu o seu caminho.

in Única, Maio de 2006

O Meu Michael - Amos oz

"O Michael tinha olhos cinzentos. Quando sorria, os cantos da boca tremiam-lhe. Cinzento e comedido: o meu Michael."

in O Meu Michael de Amos Oz, Asa


Nunca tinha lido nada de Amos Oz, apesar de já ter ouvido falar dele. Comprei este livro por 2,50 num site qualquer. O livro em si torna-se por vezes aborrecido, mas acho que é essa a intenção. Acima de tudo é bastante psicológico, sendo que a vítima, neste caso a mulher de Michael, alucina por ter desistido de uma vida que não desejou e um filho que não ama, ou talvez sim, mas à sua maneira, como se a criancinha fosse a culpada de não ter atingido os seus objectivos, os seu sonhos, ou a enganasse e a tivesse feito pensar que Michael era o homem ideal para casar.
Achei o tema do livro um pouco fútil, como explicar, a personagem não gostava da sua vida, mas não fazia nadinha para a mudar, deixava-se deambular num estado de abandono!!! Como se o mundo inteiro fosse culpado da sua infelicidade.
Quanto ao Michael, bem o homem é um san…

Barranco de Cegos - Alves Redol

"Explicava-se, por isso, a maneira ostensiva como voltaram as costas, e mal o fáeton virou para o lado da vila, onde o pai e a irmã iriam apanhar o comboio. (Aqui para nós: o despeito, uma das sombras do Demónio, levara-os já a desejar que o curro fosse uma boiada, capaz de vexar Diogo Relvas com uma bronca histórica.) Depois deles desapareceram as criadas, a Brígida chorava pela sua menina, o Padre Alvim, o preceptor e a preceptora inglesa que entrara para o palácio havia só umas semanas, e alguns campinos chamados para ajudarem às malas.
Joaquim Taranta ficou sozinho, a menear a cabeça, de barrete na mão; o que adivinhava naquela viagem não era coisa boa, não senhor, sabia lá o quê!, mas vira sombras negras à volta da equipagem, como se um luto cobrisse os quatro cavalos rucilho flor de alecrim e o branco-prateado, os patrões e o cocheiro. E o dia estava bonito. Quente e de céu azul. O céu tremia."

inBarranco de Cegosde Alves Redol

Li este livro há pouco tempo. Comprei-o no J…

Episodio con el enemigo , borges por beto moreno

Um dos temas da obra do Mestre argentino é o tempo. Os textos de Borges irão permanecer por muitos séculos,como alguns daqueles que cita?

A. V. : Sem dúvida os temas metafísicos estão permanentemente presentes na sua obra e dentro deles o tempo desempenha o papel central. Joje, em diversas disciplinas, da Teologia às matemáticas, na Física e diversas ciências mais, estuda-se a sua obra e os surpreendentes avanços que nela surgiram há várias décadas, acompanhadas de um cuidado estético admirável. Borges é o artista argentino com maior projecção internacional, incluindo todas as disciplinas artísticas e todas as épocas.

Jorge Luís Borges por Alejandro Vaccaro (parte 5)

A obra de escritor diz muito sobre si. Em que medida pensa que a vida pessoal de Borges está presente na sua obra?

A. V.: A vida de Borges e a literatura são uma coisa apenas. Emir Rodriguez Monegal define-o acertadamente como um "ser literário". Veja um exemplo: Em certa altura ofereceram à filha de Fanny, que vivia com os Borges, um gato. Ela colocou-lhe o nome de "Pepo". Quando Borges escutou esse nome mudou-o imediatamente para "Beppo", personagem de Lord Byron e o nome do pagem que acompanha o Duque de Bomarzo, na história de Mujica Laínez. Para ele, "Pepo" não significava nada mas "Beppo" sim.


Na obra de Borges realidade e ficção conjugam-se, ao ponto de pouco importar onde cada uma começa e termina. No entanto, quem melhor aceita esse "jogo" é quem tem algumas referências literárias. É essencial tê-las para usufruir da obra deste escritor?

A. V. : Uma das chaves da obra literária de Borges é esse jogo entre ficção e reali…