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Mensagens

Trazei as criancinhas que eu já lhes digo (parte 2)

As mulheres que não se riam porque com elas ainda era mais grave a dissonância. A única via de salvação era a homossexualidade, onde não havia imposições etárias e a malta da mesma idade até podia passar uma tarde bem passada sem que parecesse mal a quem lá estivesse. Às heterozinhas, em contrapartida, só lhes eram reconhecidos impulsos vis e turvos aos 15 anos. E os objectos de desejo eram alcoólicos baixinhos e barrigudos já com 51 anos e três ou quatro casamentos no bucho, como Richard Burton, Tom Jones e Anthony Hopkins, para citar apenas os oriundos do País de Gales.

Miguel Esteves Cardoso in Única

Mudam-se os tempos e as tendências: os gostos, as modas, as curvas (ou falta delas), mas não me venham com tretas, não há nada como um homem que faça a barba, óbvio que se dispensa o cheirinho a cavalo, o hálito a alcoól e a tareia à deita. Ingleses também, sem dúvida que os melhores são os latinos!

Trazei as crianças que eu já lhes digo (parte 1)

Quando eu era ainda mais novo do que sou hoje, embirrava com os jovens. Mas, à medida que vou envelhecendo, tenho reparado que quem mais odeio no fundo são as crianças. No meu tempo, eram os jovens que estavam na moda. Não se falava muito das crianças e não se deixava que elas falassem muito. Entretanto, porém, a idade desejável - de estrelas de cinema, desportistas ou reles familiares - desceu a pico. Quando eu tinha 14 anos, por exemplo, a idade mais desejável para uma mulher eram os 41 anos de Claudia Cardinale, da Anne Bancroft de "A Primeira Noite" ou, enfim, seguindo os cânones freudianos da época, qualquer sabidona da idade das nossas mães, mas mais giras e independentes.

Miguel Esteves Cardoso in Única

De pés atados

Assim retrata o "Economist" a chanceler alemã Angela Merkel e Durão Barroso, o par que, segundo a revista britânica, dirige a União Europeia - se é que ela é dirigida. Para a revista, ambos construiram "a mais importante relação política da UE", basicamente "à falta de melhor". Ambos são atlantistas fervorosos e não têm problemas em casa. Merkel deu uma mãozinha a Barroso na altura da sua candidatura e, recentemente, apoiou as negociações com a Turquia. Em contrapartida, este não insistiu demasiado na liberalização dos serviços, um assunto espinhoso para Merkel. in Única, 27 de Maio de 2006 E assim vão andando e nós vamos ficando com falta de interesse no que nos rodeia, porque não há melhoras e os protestos já são vozes de burro. Isto está mau, mas é só para alguns!

Tareia de alma

Às vezes sinto-me violentada, magoada, banida, dorida... saco de boxe em que todos descarregam por causa dos seus umbigos grandes. Ai a dor da minha alma! Sorrio, aprendo a ser irónica e a dar bofetadas sem saída, ensino que pode bater muito no ceguinho, mas que não é com brutalidade que o levará a ver o caminho.
No trabalho é sempre o mesmo ramerrão de queixas e queixumes que não doem, mas chateiam, corroem, exasperam, mostram o podre em que nos encontramos, mostram as almas medíocres, os espíritos vulgares...
Ai o que eu aprendo com os outros! E nunca mais chega o fim do mês! Ou o fim de semana! Levo tareias descomunais da vida, mas não me posso queixar, porque não há linha de apoio aos desiludidos com sonhos. Bem, resta-me lamber as feridas e... continuar a sonhar!

Mudei de casinha e fiquei sem tempo...

e sem net e sem paciência e sem montes de coisas. Escusado será dizer que um problema nunca vem só e, precisamente, quando iniciei o processo de mudança para o nosso lar (meu e do meu lindão) começaram a ficar aflitos lá no trabalho e vá de pedir à malta para fazermos horas a mais. É claro que como o ordenado é pouquinho e os gajos abriram os cordões à bolsa e pagam as horas, aqui a menina anda a fazer entre 10 a 11 horas de trabalho por dia. Daí a minha ausência, mas estou de volta às vossas doces ausências.
Beijinhos fantasmas de vento doce!

Clássicos e BD

Verdadeiramente fascinante é, contudo, o trabalho que tem sido desenvolvido por alguns artistas da Nona Arte, encabeçados por um autor sérvio, Aleksandar Zograf: O projecto Dream Comics, que consiste em passar para o papel os sonhos da noite anterior. Zograf e todos os que colaboram com ele neste projecto informal trocam entre eles conselhos e técnicas para evitar o esquecimento daquilo que se sonhou. O resultado é sempre uma surpresa, sempre imprevisível, e potencialmente revelador. Se estivesse vivo, Freud deliciar-se-ia, certamente, com este fenómeno...

in Os Meus Livros

Música: Seguir com Voçê de Ana D´Araujo

Classicos e BD (parte 4)

"Little Nemo", de Winsor McCay (Livros Horizonte), termina cada uma das suas aventuras caindo na cama, onde as viveu enquanto dormia. Em "Sandman", de Neil Gaiman (Devir) a história é outra. Procurando alcançar a manifestação física da morte, os planos do protagonista não correm como esperado e acaba por se encontrar a braços com o Rei dos Sonhos.
Por cá, o destaque vai para José Carlos Fernandes, autor de "O Catálogo dos Sonhos" (Devir), uma história baseada num regime totalitário, que vive em relativa tranquilidade desde que os sonhos foram abolidos. O nosso herói descobre com preocupação que é uma personagem acabada de sair de um Catálogo de Sonhos - proibido, evidentemente - muito procurado por quem deseja escapar à dura realidade.

in Os Meus Livros

Clássicos e BD (parte 3)

Uma vez que o objectivo não é fazer uma listagem exaustiva, mas apenas abordar alguns exemplos, viremos a nossa atenção para a BD, onde os casos são diversos e onde se tem feito um interessante trabalho de experimentalismo, forçando as barreiras entre sonho e literatura.

in Os Meus Livros

Clássicos e Bd (parte 2)

E porque estamos a falar de clássicos, como esquecer a obra emblemática de Proust, "Em Busca do Tempo Perdido" (Europa-América), na qual o sonho e a sua ligação com a memória têm um papel preponderante.
Rumando um pouco mais para Oriente, encontramos um confuso mundo de sonhos, dentro de sonhos, histórias contidas dentro de inúmeras histórias. Falso. Não são inúmeras, são 1001 as histórias das "1001 Noites" que durante gerações têm encantado primeiro árabes e depois ocidentais.

in Os Meus Livros

Classicos e BD

Quem nunca esteve em lugares bizarros, com pessoas estranhas, tão diferentes de nós, embora com traços tão semelhantes, sem deixar o leito? Quem nunca embarcou nessas viagens, ao estilo de Gulliver? Embora não faça referências específicas ao sonho, o relato de "Viagens de Gulliver", de Jonathan Swift (Europa-América), é rico em sugestões que fariam as delícias de um especialista da mente, tanto que o próprio Gulliver é acusado de loucura pelos seus pares.

in Os Meus Livros

Aquilo que comanda a vida... (parte 3)

Não será coincidência que "As Ruínas Circulares" comece com uma citação de "Alice do Outro Lado do Espelho", de Charles Lutwidge Dodson, (conhecido pelo pseudónimo Lewis Carroll), obra que se seguiu a "Alice no País das Maravilhas" (ambos publicados na Relógio d´Água). Os dois livros têm uma relação forte com o sonho: o absurdo que apenas nessa condição parece versímil. Igualmente interessante para os seguidores das teorias de Freud, é o facto de Carroll transportar para as suas obras diversos elementos da sua vida privada, nomeadamente, daquilo que muitos consideram os seus desvios sexuais. A relação platónica que mantinha com Alice Liddell, filha do deão da Christ Church, onde Carroll leccionava, apontam nesse sentido, tal como as numerosas fotografias de crianças nuas que o autor coleccionava. Matéria-prima para uma análise freudiana que defende, em traços gerais, que o subconsciente manifesta, involuntariamente, os desejos recalcados, sobretudo os de …

Aquilo que comanda a vida... (parte2)

Tantos dos grandes clássicos da literatura vão beber a esta fonte! Vejamos Borges, o autor cuja morte ocorreu há vinte anos e a quem a OML dedica boa parte do seu conteúdo nesta edição. "As Ruínas Circulares", um dos mais famosos contos da colectânea "Ficções", mergulha na vida de um homem que controla de tal forma os seus sonhos que sonha uma personagem perfeita, visível e palpável, apenas o seu sonhador o sabe imaterial. Até que, sentindo que a sua carne não arde nas chamas e que as línguas de fogo não o ferem, o sonhador descobre a terrível realidade, que "ele também era uma aparência, que outro o estava a sonhar".

in Os Meus Livros

Aquilo que comanda a vida...

O sonho... esse fenómeno tão misterioso que fascina o homem desde que lhe é dada a razão. É Freud quem estabelece a premissa do sonho ser uma porta semi-aberta para o subconsciente: pela sua análise seria possível descobrir factos passados, frustrações recalcadas.
É talvez neste ponto que a mente de Freud se cruza com a literatura. Não são poucas as obras que buscam na imprevisibilidade dos sonhos um mecanismo ideal para manter o leitor cativo, para ligar factos e ocorrências de outra forma inexplicáveis.

in Os Meus Livros

Freud e a Literatura (parte5)

A sua atracção pelo escritor inglês compreende-se, afinal, foram os meandros da mente humana que fascinaram ambos. A profundeza das personagens e a complexidade das histórias e preocupações de Shakespeare representavam terreno fértil, apesar de ficcional, para Freud explorar as suas teorias.
Seria surpreendente que fosse Hamlet, o mais perturbado de todos, a maior atracção sobre o psicanalista? Claro que não. No seguimento daquilo que passou a ser uma das mais citadas passagens de sempre, "Ser ou não ser?", eis que o protagonista continua: "... Dormir! Talvez sonhar./ Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão-de vir no sonho da morte/ Quando tivermos escapado ao tumulto vital/ Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão/ Que dá à desventura uma vida tão longa."

Freud e a Literatura (parte 4)

Porém, a sua grande paixão, e um dos pilares literários que mais o influenciou, foi, sem dúvida, William Shakespeare. O fundador da psicanálise não só leu a vasta obra do dramaturgo como escreveu longamente sobre ela, nomeadamente, peças como "Ricardo III", "O Mercador de Veneza" e "Macbeth".
A relação entre Freud e Shakespeare é tão grande que alguns chegam a afirmar que foi a partir da obra deste que Freud derivou a sua visão da psicologia humana. Pelo menos uma universidade prestigiada, a de Bristol, inclui uma cadeira completa que estuda a relação entre os dois.

in Os Meus Livros

Freud e a Literatura (parte3)

Em relação à literatura, o amor era correspondido e pode dizer-se que a relação foi mesmo incentivada pelo próprio Freud, leitor culto e assíduo de vários géneros. Os seus gostos iam de ensaio a poesia e até policiais, confessando-se adepto de Goethe, Stefan Zweig, Arthur Schnitzler, e até de Agatha Christie. Sobre Schnitzler, chegou a afirmar: "perguntei-me frequentemente, com espanto, como poderiam vocês adquirir um tal saber secreto, saber que eu mesmo procurei através de uma investigação laboriosa do objecto; finalmente cheguei a invejar o poeta que outrora admirava".

in Os Meus Livros

Freud e a Literatura (parte2)

Durante a sua vida, o homem que desenvolveu a psicanálise conseguiu chocar meio mundo e encantar a restante metade. Ninguém, isso é certo, lhe ficou indiferente.
A influência de Freud foi enorme e inegável. Em muitos casos foi mesmo alegremente admitida e procurada pelos influenciados, onde se incluem personagens das mais diversas áreas. Literatura incluída, claro.

in Os Meus Livros

A Ultima Noite - Freud

Foi em 1856 que nasceu uma das figuras mais polémicas da história do pensamento ocidental. Sigismund Freud.
Criado num império Austro-Húngaro a gozar os seus últimos dias, Freud ainda teve que viver os terrores da invasão Nazi da sua amada Viena antes de ir para o Reino Unido, onde morreu, vítima de um cancro de garganta, em 1939.

in Os Meus Livros

E ainda hoje dá que falar!

Os cães ladram e a caravana passa

Na revista Única de 27 de Maio foi publicado:

O presidente da Câmara de Gaia, Luis Filipe Menezes está cada vez mais teatral. É sabido que costuma alugar quartos de hotel nas imediações dos Congressos do PSD para definir estratégias de última hora com as suas tropas de choque. O que Menezes nunca tinha feito era alugar uma caravana - será isto um sinal de crise? - para substituir a tradicional sala de hotel de cinco estrelas. Desta vez, as tropas menezistas estacionaram uma autocaravana mesmo à porta do Congresso e foi ali que contaram as espingardas para o assalto do Conselho Nacional, onde "roubaram" quase 15 lugares a Marques Mendes. Se é certo que a maioria dos sociais-democratas ainda não confiam em Menezes para tomar conta da liderança, não é menos verdade que, para o presidente da Câmara de Gaia, os cães ladram... e a caravana passa.

É também este senhor que diz que não é próprio de um partido como o PSD solicitar baixa de impostos, pois isso é para partidos como o do s…