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Mensagens

Geração youtube in Única

De câmara em punho, o repórter fotofráfico do Expresso estava deslumbrado: as raparigas acediam aos seus pedidos sem pestanejar e rapidamente assumiam as marcações e afivelavam as poses adequadas. Nenhuma é candidata a modelo, mas todas estão habituadas a posar para a objectiva e a construir personagens como se isso fosse a sua vida. E de certo modo é: boa parte dos seus tempos livres tem sido gasta a tirar fotografias e, mais recentemente, a filmarem-se umas às outras, em grupo ou individualmente.
O resultado está á vista nestas páginas mas também na internet, onde Catarina, Inês e Ana compartilham as imagens que criam e recriam. Entre os 14 e os 15 anos, as três amigas de Almada estão longe de serem as únicas com direito a três minutos de fama na rede mundial. Se nos últimos quatro meses o seu filho liga cada vez menos à televisão e volta e meia lhe surripia a câmara digital de filmar, não se preocupe: é normal na geração YouTube, como é conhecida a faixa etária entre os 12 e os 24 a…

Trecho de Solyaris (Solaris, 1972) de Andrei Tarkovsky

Lê-me (última parte)

Voltei a ler Stanislaw Lem recentemente. Econtrei-o mais rico e sofisticado do que me lembrava. "Biblioteca do Século XXI"(Estampa) e "A PerfectVacuum" (ed. Northwestern Press, não existe em português)são recensões a livros que nunca existiram - com títulos como "Um Minuto da Humanidade" ou "Sexplosion" - um truque de Lem para condensar num conto ideias para livros que não teria tempo para escrever.
Uma nota final: aquele L cortado de Stanislawm pronuncia-se como se fosse Stanizuáv. Mas em Lem articulam-se todas as letras. Como quem diz: lê-me, lê-me.

Rui Tavares

Lê-me - Rui Tavares (continuação)

Todos estes livros foram comprados na Caminho de Bolso. Estarão vocês lembrados - de quinze em quinze dias saia um policial de capa preta ou um de ficção científica de capa azul? Custavam, se não me engano, 200 escudos. Com os trocados pedinchados à mãe na volta dos recados dava para comprar um por mês. Esperando pelo próximo, relia os anteriores. Os meus dias tinham certamente 36 horas; também me lembro de jogar à bola incessantemente.
Finalmente apareceu a minha colecção de Stanislaw Lem. Incompleta. Faltam-me dois dos meus favoritos: as "Viagens de Ijon Tichy" e "O Congresso Futurológico", este último hilariante, todo ele decorrido entre camadas sucessivas de irrealidade provocadas por fármacos (e indectatados pelos censores da Polónia Comunista). O ponto de partida é um evento académico na Costa Rica, a certa altura vai tudo para uma rede de esgotos, não me lembro de mais nada. Amigo desconhecido a quem os terei emprestado num momento de entusiasmo: se estiveres…

solaris by tarkovsky (solyaris) - ascension

No passado dia 27 de Março morreu Stanislaw Lem, escritor e ensaísta polaco de 84 anos de idade. Revolvi as estantes à procura dos livros que tinha dele. Demoraram a aparecer os livros; encontrei os meus doze, treze, catorze anos de idade.
Apareceu "A Porta para o Verão", de Robert A. Heinlein (1907-1988), um dos títulos mais felizes que conheço para um livro ágil, caloroso e juvenil. Depois pus as mãos em "A Cidade Fantástica", memória da infância e adolescência de Ray Bradbury (1920). Enganado pelo título e a reputação do autor, lembro-me de o ter lido sempre tenso, na esperança de ver chegar uma invasão de extraterrestres. As coisas fantásticas de que falava o livro eram assim: um par de ténis novos, brigar com o irmão mais velho ou uma noite de sábado com sorvete e filme de caubóis. Depois procurei o meu favorito, o clássico checo "A Guerra das Salamandras", de Karel Capek (1890-1938), uma das melhores obras quase desconhecidas da literatura europeia.

R…

Bom Carnaval!

Os nossos jovens amam o luxo, possuem más maneiras,
fazem troça da autoridade e não respeitam a idade. Na
nossa época os jovens são verdadeiramente tiranos, não
se levantam mais ante uma pessoa idosa e respondem
grosseiramente a seus pais; são insuportáveis.



Sócrates, 400 a. C.



A quem serve a carapuça?

Sem nada de muito importante a adiantar...

Há dias assim... o desagrado, a frustração é tão grande que pedimos para nos deixarem gozar a fossa em paz!!! Sim, ás vezes lembro-me que tenho de adiar sonhos (mas não desistir deles), que às vezes tenho de refrear a minha imaginação ubérrima. Ás vezes, só me apetecia fugir do mundo... olhar sem pensar, sentir sem racionalizar, ser... no sentido mais primário da vida! Outras vezes queria não estar, não ser... ser ominipresente, omnisciente e ...não estar.
Porque há dias assim...

O Lobo das Estepes - Herman Hesse

Há muito que não me identificava tanto com um livro. Há livros assim, com um sabor azedo que nos sabem bem. Não é o sonho que comanda as linhas deste livro, não é a felicidade o seu objectivo principal... é o reconhecimento. Herman Hesse espelha-nos no seu lobo das estepes, identifica-nos com o não enquadrado civilizado da personagem, o estranho, o absurdo, o desejo, mas acima de tudo o egoísmo do autoconhecimento.
Esta personagem que nos apresenta e nunca satisfaz o que queremos, observa-nos os nossos incómodos, as inquietações, analisa o silêncio que queremos calar, desenquadra-nos do real e atira-nos os nossos medos, faz-nos julgar moralmente o que não temos direito de julgar, descobre a morte como fuga doce e medo da perda do que nunca tivemos. Viagens alucinantes...

"Assim também, resumindo, o Lobo das Estepes não é senão uma ficção. Quando Harry se sente e se assume homem-lobo, e se crê constituído por duas naturezas hostis e opostas, isso não passa de uma mitologia simplifi…

Génio na arte da falsificação (parte 10)

Contudo, o mais assombroso é que tivesses conseguido enganar tantos peritos durante décadas. Elmyr, desde o começo da sua carreira em 1946, pintou cerca de mil obras de arte atribuídas a mestres, desde Modigliani até Picasso. Só no período com Legros se calcula que tenha ganho 35 milhões de dólares. E, sem os graves conflitos pessoais entre os seus dois sócios e vendedores, nunca teria sido descoberto.
Agora, quase 30 anos depois da sua morte, uma galeria em Madrid, Tribeca, dedica-lhes uma exposição, até final deste mês, que inclui 25 obras (desenhos, guaches, aguarelas, esferográfica e tinta-da-china) inspiradas em Modigliani, Léger e Renoir, além de uma tela (pintada entre a955-57) inspirada em André Lhote, um pintor pós-impressionista próximo do cubismo e do fauvismo.

Alberto de las Fuentes in Única

Génio na arte de falsificação (parte 9)

A última etapa da sua vida tem ares de comédia. Os sócios zangaram-se e terminaram perante os tribunais de vários países. Isso afectou Elmyr, cujos trabalhos perderam qualidade. Algumas das suas obras despertaram suspeitas e não tardou que o nome de Fernand Legros começasse a ficar comprometido. Tantos escândalos acabaram por provocar a desconfiança do magnata texano, que pediu aconselhamento a cinco peritos. A conclusão foi inapelável: 44 quadros não eram originais. Meadows transformou-se segundo um jornalista, "no homem que possui a maior colecção de falsificações do mundo".
"A falsificação terminou", disse então Elmyr, "eu já sofri bastante". As autoridades espanholas tinham-no identificado e abriram uma investigação. Mais tarde, por decisão de um tribunal, foi condenado a dois meses de prisão por homossexualidade, convivência com deliquentes e "carecer de meios demontráveis de subsistência".
Finalmente, tudo serenou e Hory pôde viver os último…

Génio na arte da falsificação (parte 8)

Depois de uma tentativa de suicidio, em 1959, Elmyr decidiu fugir da América. Nos 13 anos que lá viveu transformou-se no falsificador mais prolífico e mais bem sucedido da História. As suas obras cobriam as paredes de museus e intituições. Tinha viajado tanto e utilizado tantos nomes falsos que ninguém, nem sequer os poucos "marchands" que tinham detectado algumas das falsificações, estavam em condições de imaginar a magnitude do seu trabalho.
Foi então que descobriu Ibiza. Associado a dois jovens manipuladores, Legros e Lessard, o negócio prosperou mais do que nunca. No ano de 1962, enquanto Elmyr assimilava as técnicas a óleos de grandes pintores, os seus sócios vendiam a sua obra em Paris, Nova Iorque, Chicago, Suiça e Sul de França. No ano seguinte foram ao Rio de Janeiro, Buenos Aires, Cidade do Cabo, Joanesburgo e Tóquio.
As façanhas do trio sucediam-se sem descanso. Segundo contava Elmyr, Legros chegou a enviar uma das suas obras a Picasso para que certificasse a sua au…

Génio na arte da falsificação (parte 7)

Apesar de alguns pequenos percalços, o seu negócio ia de vento em popa. A sua colecção privada incluía guaches, desenhos, aguarelas e pequenos óleos falsos de Matisse, Picasso, Braque, Derain, Bonnard, Degas, Vlaminck, Laurencin, Modigliani e Renoir.
Nos anos 50, começou a vender por correio a museus de arte moderna e galerias de todos os Estados Unidos. Muitas vezes retinham as obras durante várias semanas enquanto procuravam aconselhamento de peritos. Mas o resultado era sempre positivo. Em todo esse tempo, só um par de desenhos foi posto em dúvida.
Finalmente, sucedeu o inevitável. Vivia então na Flórida, quando um coleccionador - a quem Hory tinha vendido algumas obras - emprestou os seus desenhos para uma exposição que teve de ser cancelada porque dois deles "não eram originais". Elmyr refugiou-se durante alguns meses no México. Soube depois que o FBI tinha visitado o seu apartamento, perguntando quando voltaria.
Por essa época, o preço das suas obras alcançava cifras ast…

Génio na arte da falsificação (parte 6)

Em Agosto de 1947 transferiu-se para Nova Iorque. Para a festa de inauguração da sua nova casa foram convidados Zsa Zsa Gabor (que tinha conhecido em Budapeste), Anita Loos, Lana Turner e René d´Hanoncourt, à época director do museu de Arte Moderna de Nova Iorque.
Iniciou então um périplo que o levou de Hollywood a São Francisco, Portland, Seattle e San Diego. No Texas teve um êxito instantâneo com os novos magnatas da industria petrolífera, ansiosos de cultura imediata. "Eu era uma grande atracção", recordava Elmyr. "Gostava do Texas e dos americanos. Surpreendia-me ver como eram tão generosos e simples."

Alberto de las Fuentes

Génio na arte da falsificação (parte 5)

Depois do conflito, voltou a Paris. Mas agora era "pobre, pintor e já não era jovem". Então, uma amiga nobre e multimilionária, lady Champbell, observou um desenho que ele tinha feito em 10 minutos e confundiu-o com Picasso. Atrapalhado, Elmyr vendeu-lho. "Foi tão fácil que não podia acreditar. Nem sequer me senti culpado, era uma questão de sobrevivência".
Dedicou-se então a percorrer a Europa vendendo os seus desenhos de Picasso. Depois de tudo o que tinha passado nos últimos anos, era maravilhoso voltar a alojar-se nos melhores hóteis, pedir bons vinhos e viajar em primeira classe. Cada vez que vendia alguma coisa, celebrava-o com Mouton-Rothschild. colheita de 1929.

Alberto de las Fuentes

F COME FALSO - Orson Welles e gli esperti... Génio na arte da falsificação (parte 4)

A II Guerra Mundial abalou o seu mundo. Foi conduzido para a Alemanha e, durante um interrogatório, a Gestapo partiu-lhe uma perna. Transferido para um hospital nos arredores de Berlim, conseguiu fugir da maneira mais inacreditável: um dia notou que a porta da entrada estava aberta e fugiu em bicos dos pés. Chegou a Budapeste, onde se aguentaria até ao final da guerra.

Alberto de las Fuentes

Génio na arte da falsificação (parte 3)

Mas quem foi realmente Elmyr de Hory? Como conseguiu tornar-se o melhor falsificador de todos os tempos? Porque é que o cineasta Orson Welles se inspirou nele para realizar o seu filme-documentário F for Fake (F de Fraude, 1974) e porque é que até a revista Time lhe dedicou uma capa?
Este génio da falsificação nasceu em 1905 em Budapeste, filho de dois ricos aristocratas de origem judia. Decidido a ser artista, mudou-se para Paris, onde então trabalhavam Matisse e Derain, e por onde Picasso aparecia amiúde. "Como a maioria dos pintores jovens do momento, conhecia-os a todos", contava.

Alberto de las Fuentes

F for Fake (1974) - Orson Welles - Génio na arte da falsificação (parte2)

Mas ninguém suspeitava que fosse o maior falsificador da história, capaz de colocar no mercado durante 21 anos um milhar de obras de artistas como Picasso, Modigliani, Matisse, Renoir, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Chagall... Além disso, a sua vida assemelhava-se a um filme: sempre nos melhores hotéis e frequentando os circulos sociais mais selectos, sempre a fugir (dos nazis, do FBI, da Justiça Espanhola...).

Alberto de las Fuentes

Génio na arte da falsificação (parte 1)

O escritor Clifford Irving descreve assim Elmyr de Hory à sua chegada à ilha de Ibiza, no Verão de 1961: "Usava um monóculo suspenso de uma corrente de ouro, os seus casacos de malha eram sempre de caxemira(...). No pulso brilhava um relógio Cartier e sentava-se ao volante de um descapotável Corvette Sting Ray de cor vermelha... Era, segundo fez constar, um coleccionador de obras de arte".
E acrescenta: "Se havia alguma opinião unânime sobre este suave e esmerado húngaro era que nunca tinha trabalhado um dia na sua vida, nem poderia, nem ia fazê-lo".

Alberto de las Fuentes

Moçoilas - UBI

Se estudar custa tanto
Como dizem os Doutores
Rapazes viva o descanço
Que estudem os professores


Em homenagem aos meus tempos de estudante, a tuna feminina da minha faculdade.
Pelos tempos que vos ouvi com amor à camisola, agora que vos oiço com saudade, ao grande companheirismo dos tempos de universitária!!