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Mensagens

Bichos - Miguel Torga

É obra escolar e apesar de contos não representarem uma das minhas preferências, Miguel Torga faz parte delas. Li e gostei! Ainda bem que se torna uma das opções de ensino.
A visão dos bichos, a sua semelhança aos seres pensantes, a animalidade que podemos ser... Bom! Suave, de leitura fácil, com muita oralidade... mais uma vez gostei e recomendo.


"Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo. O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão.
Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e de quanta justa indignação pudesse haver. Os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais...
Palmas e música lá fora. O Malhado dava gozo às senhorias...
Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pêlo. Dali a nada, ele. Ele, Miura, o rei da campina!"



Miguel Torga in Bichos

Anjos e Demônios-Trailer-Oficial

Li, depois de muita insistência de parentes e amigos com pouca prática de leitura, o livro "Anjos e Demonios" de Dan Brown. Pensei que um livro que embrenhou na prática de leitura tantos que achavam monótono este acto, tinha mesmo que ser bom.
Mesmo nunca me sentindo atraída pelo género e tendo algumas desconfianças acerca do autor, resolvi que tinha de saber o que é que o raio dos livros do Sr. tinham de tão especial. E querem saber o que descobri: nada! O filme é muito estilo "série de tv", não tem gosto a literatura. Faltou-me qualquer coisa.
É certo que não o li com muito agrado, nem o iniciei com muita vontade, mas li. Maltinha agora preparem-se para as criticas, porque ate agora eu não sabia, não tinha lido....

"As únicas luzes eram os holofotes exteriores que iluminavam a fachada. Todas as pequenas janelas estavam às escuras. Os olhos de Langdon continuaram a subir. Mesmo no alto do torreão central, trinta metros acima do chão, exactamente por baixo da pon…

Os miúdos do fio de nylon (parte 2)

O sorriso morre-lhes nos lábios com rapidez. Só o latido do Benfica, um rafeiro que guarda as galinhas e os gansos do quintal, os consegue distrair da tarefa penosa e repetitiva. "Cala-te cão", gritam à vez. E logo voltam a baixar a cabeça para os fios e agulhas. Há quase uma década que esta rotina tomou conta da família. De manhã levantam-se para coser. À noite, adormecem com dores nas costas de tanto coser. "Os miúdos ajudam-nos quando vêm da escola. É o dever deles, não é?". É pergunta retórica, sem resposta, de Aldina, que afaga, por segundos, o cabelo de Carlitos, de 11 anos. Os sapatos de fino corte que ele cose com perícia não podiam constrastar mais com as suas sandálias cambadas e as meias brancas sujas de lama. "É melhor trabalhador e aluno do que o irmão, que já perdeu dois anos lectivos", explica a mãe, que jura a pés juntos não os tirar dos bancos da escola. Pelo menos para já. O rapaz magro de olhos claros e ar ausente atira mais um sapato p…

Os miúdos do fio de nylon (parte 1)

Agachados em cima de um caixote cambaleante, os dois irmãos magricelas vão unindo, com uma agulha e muita paciência, as palmilhas dos sapatos de camurça. Aprendem mais depressa a coser do que a decorar a tabuada. Eles trabalham há várias horas, com a família, num alpendre escuro, de granito frio e madeira carcomida e onde se misturam os cheiros fétidos do estrume e do bafio. As grossas dedeiras nem sempre os protegem do cortante fio de nylon, que lhes vai abrindo gretas e deixando cicatrizes nas palmas das mãos. Não é preciso ser vidente para lhes ler um futuro enegrecido... Pormenor: a cena não se passa num bairro da lata em Calcutá, ou numa província da China, mas a norte de Portugal, numa freguesia rural em Felgueiras!
"Ai, aleijei-me!", exclama Miguel, o mais velho, interrompendo o pesado silêncio. Veste uma "t-shirt" do campeão, o "fê-quê-pê", e sonha mostrar ao mundo os seus dotes com o esférico. Um dia. Por enquanto, são as suas mãos esguias que tra…

Barcos do Tejo

O largo Tejo... Velas brancas... Velas
Cor de laranja... Barcos de água acima...
Muletas antiquíssimas... Ao vê-las
Surge a Saudade que o Passado anima.

Proa recurva, ríspida de pregos,
Casco bojudo e todo alcatroado,
Vem de nossos avós fenícios, gregos,
Ou de Eras mais escuras do Passado?

Cheia de pano - pano à proa, à popa,
Paira a muleta de arte à tartamanha.
Lembram ao longe um estendal de roupa,
As velas dessa embarcação estranha.

Cobertas de fantástico velame,
prolongam-se na Costa que branqueja,
Como golfinhos mortos onde o enxame
De gaivotas alvíssimas adeja.


Martinho de Brederode, in "Cancioneiro de Lisboa", coligido por João de Castro Osório

Equador - Miguel Sousa Tavares

Em primeiro lugar quero agradecer a oferta feita há já algum tempo pelos amigos Nuno e Jorge.

Não costumo gostar de Miguel Sousa Tavares, tem o dom de por vezes me irritar com certos comentários. Ninguém diria que é filho da Sr.ª que é, pensava eu.
Enganei-me! Equador foi dos poucos livros que me prendeu do princípio ao fim, fez-me lembrar um pouco o estilo do Eça. Fenomenal!
Resumidamente, conta a história de um Sr. Luís Bernardo, que acreditava que todos os colonos ao serem portugueses teriam os mesmos direitos que os colonizadores e se depara com a dificuldade de uma pequena colónia acreditar nisso também. Entre amores, desamores, fundamentalismo e política vamos vendo desenrolar um livro surpreendente com o cheirinho de África e da sua magia. O regresso a Lisboa e à vida de D. Juan já não voltará a acontecer, mas se querem saber o final leiam e não se deixem esmorecer pelas 527 páginas do livro. Garanto que vale a pena. Aqui fica um bocadinho:

"- Oh, meu amigo, deixe de me tratar…

O hi5 visto pela Psicologia

Existem riscos nestes "sites"?

Todos os relacionamentos humanos comportam riscos, mas é isso que os torna geralmente fascinantes. É óbvio que a grande exposição que a internet pode proporcionar e a disseminação de dados por um número interminável de espaços acarretam perigos pois não faltarão pessoas e grupos com objectivos menos inocentes do que aqueles que possam exibir. Aí, a falta de maturidade, informação e esclarecimentos dos mais jovens pode constituir um ponto fraco que urge ultrapassar.

Que atitude devem ter os pais?

Os pais, mais do que nunca, não podem demitir-se do seu papel protector e pedagógico, esclarecendo, elucidando e formando sobre aquilo que entenderem. Isso implicará também que os pais se informem e esclareçam as suas próprias dúvidas para poderem ajudar melhor. Desenvolver nos filhos uma atitude crítica é uma forma grandiosa de lhes cultivar a inteligência e aprimorar os comportamentos, muito melhor do que simplesmente lhes vedar o acesso à Internet com m…

O hi5 visto pela psicologia

Nelson Lima, neuropsicólogo clínico e director do Instituto da Inteligência, salienta o papel moderador dos pais na utilização da Internet.

Como explica a adesão em massa de adolescentes a este género de "sites"?
Trata-se de uma reacção que não nos deve surpreender visto que a adolescência é um período da vida caracterizado pela necessidade de uma ampliação de relações interpessoais e de laços afectivos entre os jovens. Por outro lado, as grandes mudanças psicológicas e biológicas que ocorrem nesta etapa (o despertar da sexualidade, o enamoramento, etc), favorecem a atracção pelo desconhecido e a exploração de novas vivências. A Internet proporciona não apenas esse mergulhar no desconhecido como também o acesso a outros jovens e novas formas de relacionamento.

Porque é que os adolescentes falam facilmente com desconhecidos na Internet?
Os "amigos-virtuais" movimentam-se numa dimensão oculta idêntica à que se esconde no inconsciente mental. Aquilo que está para além da …

Com o Freio nos Dentes

Desembocaram na estrada da vila e aí, em piso firme, a égua largou à desfilada. De rédeas soltas, galgava o caminho ferozmente. Árvores, uma ou outra casa de arrumação nas quintas desabitadas, vultos de jornaleiros levantando a cabeça espantada, tudo se perdia na corrida. Hilário quis suster o animal e procurou as rédeas, enlaçou-as nos dedos, mas a égua tomara o freio nos dentes e continuava a marcha desatinada. Um vento tempestuoso pegou de repente nos cabelos de Hilário e atirou-lhos aos olhos deixando-o quase cego. Com as mãos a puxar as rédeas, não podia afastá-los. Esperava a todo o momento espatifar-se na valeta ou de encontro aos pinheiros. Largou as rédeas, sacudiu os cabelos dos olhos e viu o corpo da égua, elástico, lançado na correria louca como se cada passo de galope lhe custasse uma gota de sangue. Gritou. As primeiras casas de Corgo surgiram e ficaram para trás um momento. Mulheres gritavam, garotos fugiam da estrada e enfiavam-se nas portas. Até que, na praça da vila,…

A Soma dos Dias - Isabel Allende

"A Soma dos Dias" podia também chamar-se "Depois de Paula e com a Paula". É acima de tudo um livro biográfico, que conta a história da sua "tribo" depois da morte de Paula, a sua filha que dá também nome a um dos seus romances.
Não é uma ficção cheia de personangens fascinantes como quase todos os seus livros, e que esta autora tão bem nos habituou. É um livro diferente, mas que expõe a raridade de uma familia numerosa (a sua própria família), toda ela diferente, mas que se mantém unida através do amor, acima de tudo, o amor.

"O filme caiu como uma chapada na extrema-direita, mas foi recebido com entusiasmo pela maioria, em particular pelos jovens, que haviam crescido sob a mais estrita censura e queriam saber mais sobre o que acontecera no Chile nos anos 70 e 80. Na estreia, recordo que um senador confesso de direita se levantou, furioso, e saiu ruidosamente da sala, dizendo para os presentes que o filme era um chorrilho de mentiras contra o benemérit…

O exemplo português (ultima parte)

NETJOVENS.PT
* criada em 2004
* só para jovens portugueses até aos 35 anos
* 185 mil membros (sobretudo de Lisboa, Porto e Setúbal, 52% de mulheres e 48% de homens)
* 15 mil visitas/dia
* 14 e 24 anos são as idades predominantes

COMUNIDADES ONLINE
www.hi5.com
www.netjovens.pt
www.myspace.com
www.gazzag.com
wwww.ringo.com
wwww.netfriendship.com
wwww.orkut.com

O exemplo português (parte 2)

Uma rede de explicadores, divulgação de eventos culturais e passatempos com bilhetes de cinema são algumas das mais recentes apostas.
Com uma comunidade de mais de 185 mil membros, todos portugueses e até aos 35 anos, Jorge Vila Boa assegura que o site pode ser "uma ferramenta útil para empresas que tenham os jovens como público-alvo".
E salienta que a segurança é garantida. "Há um controlo da linguagem usada, do conteúdo das fotos, dos perfis, mas sem nunca invadirmos a privacidade de cada um". Qualquer utilizador que se sinta lesado com uma mensagem pessoal mais ofensiva pode também facilmente participar à administração. "Antigamente, os jovens saíam da escola e ficavam a ver televisão toda a tarde. Agora têm um mundo de oportunidades com a Internet. Podem comunicar com amigos e mesmo com familiares". Por isso, Vila Boa assegura que a NETJOVENS.PT é uma mais-valia para esse público. Ou, como diria o ditado popular, "mudam-se os tempos, mudam-se as vo…

O exemplo português

"Eu estou... e tu?" É assim que a NETJOVENS.PT se apresenta ao público desde há dois anos. Considerado um género de "hi5 à portuguesa", basta abrir o "site" para perceber que não é bem assim. Mais do que um espaço de encontro entre jovens, é também um local de oferta de informação. "Temo-nos distanciado de ser só um site para conhecer pessoas.", explica o criador, Jorge Vila Boa. "Tentamos fornecer um leque de conteúdos e oportunidades direccionadas aos jovens e penso que estamos no bom caminho".

Que farei quando tudo arde? - António Lobo Antunes

Foi com expectativa que iniciei este livro. Primeiro porque já tinha lido outros livros do autor; segundo, porque me foi oferecido por 2 amigos que tenho muita estima. Enfim, fiz-me às 637 páginas com voracidade.
Bem, já li outros livros de que não gostei e que mais tarde li novamente com apetite, li-os, inicialmente, fora de tempo, provavelmente aconteceu-me o mesmo com este. É que obriguei-me a chegar ao fim para perceber de que não gostei mesmo. Pareceu-me confuso, com muitas personagens mas muito só. Resumindo, não gostei, mas prometo voltar a tentar daqui a uns anos, entretanto, fica aqui um bocadinho do que li:

"de imediato, instantâneo, ia dizer sem culpa minha a construir-se por si, eu
- Paulo
e o aldrabão que lhe oferece gencianas, bem vestido, claro
uns sujeitos ricos
a voltar a cabeça para a direita e para a esquerda, a dar por mim, a conjecturar
- Alguma criada antiga?
a espalmar o indicador na gravata e o indicador cresceu por ele todo
- Eu?
na cara
é evidente
quem será, quem s…

MacGyver

Bem, a questão dos telemoveis! Até à data ainda não comentei o tão comentado caso da aluna, da professora e do telemovel. OK. Se já todos comentaram, não vou comentar. Vou comentar o que está por trás, a relação de dependência dos jovens com este objecto. Como já disse anteriormente sou professora, mas não estou colocada, trabalho para sobreviver, num call center de uma operadora móvel, e oiço casos crónicos de histerismo de adolescentes que mal sabem falar, mas que não passam sem sms. A educação é algo completamente desactualizado, as criaturas, e desculpem-me as garotas, mas são as piores; são completamente fanáticas, entram em pânico sem um aparelhinho que as faça contactar com o mundinho mediocre em que, infelismente, vivem.
A culpa não é deles bem sei, mas como dizem os paizinhos, se todos têm porque é que o meu filho não há-de ter. Percebo que se preocupem e que o telemovel até lhes transmita alguma tranquilidade, sabem que se estiverem aflitos podem ligar, sabem que se quiserem…

O Mapa dos Objectos Perdidos

Era uma vez um diamante na moela de uma galinha de plumagem miserável. Cumpria a sua missão de roda de moínho com resignada humildade. Tinha por companheiras pedras de terreiros e duas ou três contas de vidro.
Por causa de sua dureza, ganhou logo má reputação: a pedra e o vidro esquivavam-se cuidadosamente do seu contacto. A galinha desfrutava de admiráveis digestões, porque as facetas do diamante moíam à perfeição os seus alimentos. Cada vez mais limpo e polído, o solitário girava dentro daquela cápsua espasmódica.
Um dia torceram o pescoço da galinha de mísera plumagem. Cheio de esperança, o diamante saiu para a luz e pôs-se a brilhar com todo o fogo das suas entranhas. Mas a empregada que abria a galinha, deixou-o correr com todos os seus reflexos para a água do esgoto, envolto em frágeis imundícies.

Do Confabulário, do escritor mexicano Juan José Arreola