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Mensagens

A infância perdida (continuação do post anterior)

Por onde passava, o Victor era sempre o elo mais fraco da cadeia. Como era o mais novo e com menos experiência, era quem recebia menos e trabalhava mais. "A minha mãe bem me dizia para eu negociar o salário antes de começar um novo emprego. Mas eu limitava-me a esperar o fim do mês para receber algum dinheiro". Chegou a ser despedido depois de se magoar em trabalho, o que o obrigou a ficar em casa, de baixa, durante uma semana. "Não me queriam parado. Puseram-me na rua".
Ironicamente, foi durante o primeiro emprego que recebeu o salário mais chorudo: cerca de 400 euros numa empresa de bombas hidráulicas, em Ribeirão, perto de Guimarães. "Depois foi sempre a descer", recorda o rapaz de 17 anos que sustentava a casa, a meias com a mãe, uma empregada de limpeza. Nem sempre os 500 euros mensais que ela auferia eram suficientes para sustentar os 4 filhos. "Eu entregava-lhe todo o dinheiro que ganhava", revela. "Mesmo que fossem só 100 euros"

Dogma Crew - Hijos del odio

Victor voltou a ter gozo em folhear os livros da escola. Na sua turma de nove alunos, é ele quem demonstra mais jeito para as artes manuais, uma das poucas heranças positivas deixadas pelos três anos em que esteve a trabalhar no duro. Aos 14 anos foi canalizador, trolha, padeiro e pintor numa oficina de automóveis. Conheceu patrões irascíveis, ganhou salários terceiro-mundistas e viu um amigo da sua idade a ficar por puco sem um braço, depois de um acidente de trabalho com uma máquina de 15 toneladas numa serralharia. "Pela primeira vez, percebi que não era obrigado a fazer tudo depressa só para agradar ao patrão".

A Pesca das Enguias

Aquele Inverno ameaçava ser rigoroso. A safra da pesca, no mar, terminara. Os poucos pescadores que não tinham abalado para terras estranhas, à procura do pão, esperavam que as águas do rio aumentassem com as chuvas, para tentarem a pesca da enguia.
Fortes trovoadas traziam as primeiras águas barrentas, e, depois da isca preparada com fios de minhocas enroladas junto da chumbada, presas por um fio à ponta da cana, despreendidas das amarras os pequenos barcos, todos se preparavam para a colheita, que prometia ser farta.
O Puxa e o Traga, latindo de satisfação, saltaram para as embracações dos donos.
Os barcos deslizaram pela ria acima até que, escolhido o sítio conveniente, os fixaram com varas, e os pescadores, tirando as canas, começaram a faina.
Mal a isca entrava na água, logo era puxada pelo peixe. A cana erguia-se a cada instante, atirando com as grossas enguias para o fundo do barco. Não havia memória de tanta abundância. Horas depois, no pequeno batel, avolumavam-se as enguias, que…

O sexo e a cidade - o filme

Fui estrear as salas de cinema de Castelo Branco, e digo estrear porque nunca lá tinha ido, mas muito cú já lá passou antes de mim. Bem, fui ver "O Sexo e a Cidade". Gostei muito do filme,era o que se esperava e superou as minhas expectativas. O namorado lá fez o frete, mas é certo e sabido que não gostou, já da série viu-a a sono solto. Sozinha!
A aventura da ida ao cinema com a compra dos bilhetes, e a agradável surpresa que para a próxima só pago meio-bilhete se levar alguém comigo. (Há lá outro filme que promete!). Jantar de fast-food cravado ao respectivo e depois de umas voltitas onde descobri que não se faz roupa para baixinhas e muito menos sem mamas, lá fomos à sessão, pontualmente. Começou com 15 minutos de atraso, apagaram-se as luzes com cerca de oito pessoas na sala. As apresentações e a publicidade e a sala começa a encher, o filme começa a dar e eu logo no início da fila começo a pensar que afinal vim a uma aula de aeróbica, porque já o filme ia nos seus 15 mi…
Dormias, os braços me estendeste e de surpresa rodeaste-me de insónia. Afastavas assim a noite desvelada em cima com a lua presa? Teu sonhar me envolvia, sonhando-me sem ti.

Bichos - Miguel Torga

É obra escolar e apesar de contos não representarem uma das minhas preferências, Miguel Torga faz parte delas. Li e gostei! Ainda bem que se torna uma das opções de ensino.
A visão dos bichos, a sua semelhança aos seres pensantes, a animalidade que podemos ser... Bom! Suave, de leitura fácil, com muita oralidade... mais uma vez gostei e recomendo.


"Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo. O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão.
Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e de quanta justa indignação pudesse haver. Os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais...
Palmas e música lá fora. O Malhado dava gozo às senhorias...
Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pêlo. Dali a nada, ele. Ele, Miura, o rei da campina!"



Miguel Torga in Bichos

Anjos e Demônios-Trailer-Oficial

Li, depois de muita insistência de parentes e amigos com pouca prática de leitura, o livro "Anjos e Demonios" de Dan Brown. Pensei que um livro que embrenhou na prática de leitura tantos que achavam monótono este acto, tinha mesmo que ser bom.
Mesmo nunca me sentindo atraída pelo género e tendo algumas desconfianças acerca do autor, resolvi que tinha de saber o que é que o raio dos livros do Sr. tinham de tão especial. E querem saber o que descobri: nada! O filme é muito estilo "série de tv", não tem gosto a literatura. Faltou-me qualquer coisa.
É certo que não o li com muito agrado, nem o iniciei com muita vontade, mas li. Maltinha agora preparem-se para as criticas, porque ate agora eu não sabia, não tinha lido....

"As únicas luzes eram os holofotes exteriores que iluminavam a fachada. Todas as pequenas janelas estavam às escuras. Os olhos de Langdon continuaram a subir. Mesmo no alto do torreão central, trinta metros acima do chão, exactamente por baixo da pon…

Os miúdos do fio de nylon (parte 2)

O sorriso morre-lhes nos lábios com rapidez. Só o latido do Benfica, um rafeiro que guarda as galinhas e os gansos do quintal, os consegue distrair da tarefa penosa e repetitiva. "Cala-te cão", gritam à vez. E logo voltam a baixar a cabeça para os fios e agulhas. Há quase uma década que esta rotina tomou conta da família. De manhã levantam-se para coser. À noite, adormecem com dores nas costas de tanto coser. "Os miúdos ajudam-nos quando vêm da escola. É o dever deles, não é?". É pergunta retórica, sem resposta, de Aldina, que afaga, por segundos, o cabelo de Carlitos, de 11 anos. Os sapatos de fino corte que ele cose com perícia não podiam constrastar mais com as suas sandálias cambadas e as meias brancas sujas de lama. "É melhor trabalhador e aluno do que o irmão, que já perdeu dois anos lectivos", explica a mãe, que jura a pés juntos não os tirar dos bancos da escola. Pelo menos para já. O rapaz magro de olhos claros e ar ausente atira mais um sapato p…

Os miúdos do fio de nylon (parte 1)

Agachados em cima de um caixote cambaleante, os dois irmãos magricelas vão unindo, com uma agulha e muita paciência, as palmilhas dos sapatos de camurça. Aprendem mais depressa a coser do que a decorar a tabuada. Eles trabalham há várias horas, com a família, num alpendre escuro, de granito frio e madeira carcomida e onde se misturam os cheiros fétidos do estrume e do bafio. As grossas dedeiras nem sempre os protegem do cortante fio de nylon, que lhes vai abrindo gretas e deixando cicatrizes nas palmas das mãos. Não é preciso ser vidente para lhes ler um futuro enegrecido... Pormenor: a cena não se passa num bairro da lata em Calcutá, ou numa província da China, mas a norte de Portugal, numa freguesia rural em Felgueiras!
"Ai, aleijei-me!", exclama Miguel, o mais velho, interrompendo o pesado silêncio. Veste uma "t-shirt" do campeão, o "fê-quê-pê", e sonha mostrar ao mundo os seus dotes com o esférico. Um dia. Por enquanto, são as suas mãos esguias que tra…

Barcos do Tejo

O largo Tejo... Velas brancas... Velas
Cor de laranja... Barcos de água acima...
Muletas antiquíssimas... Ao vê-las
Surge a Saudade que o Passado anima.

Proa recurva, ríspida de pregos,
Casco bojudo e todo alcatroado,
Vem de nossos avós fenícios, gregos,
Ou de Eras mais escuras do Passado?

Cheia de pano - pano à proa, à popa,
Paira a muleta de arte à tartamanha.
Lembram ao longe um estendal de roupa,
As velas dessa embarcação estranha.

Cobertas de fantástico velame,
prolongam-se na Costa que branqueja,
Como golfinhos mortos onde o enxame
De gaivotas alvíssimas adeja.


Martinho de Brederode, in "Cancioneiro de Lisboa", coligido por João de Castro Osório

Equador - Miguel Sousa Tavares

Em primeiro lugar quero agradecer a oferta feita há já algum tempo pelos amigos Nuno e Jorge.

Não costumo gostar de Miguel Sousa Tavares, tem o dom de por vezes me irritar com certos comentários. Ninguém diria que é filho da Sr.ª que é, pensava eu.
Enganei-me! Equador foi dos poucos livros que me prendeu do princípio ao fim, fez-me lembrar um pouco o estilo do Eça. Fenomenal!
Resumidamente, conta a história de um Sr. Luís Bernardo, que acreditava que todos os colonos ao serem portugueses teriam os mesmos direitos que os colonizadores e se depara com a dificuldade de uma pequena colónia acreditar nisso também. Entre amores, desamores, fundamentalismo e política vamos vendo desenrolar um livro surpreendente com o cheirinho de África e da sua magia. O regresso a Lisboa e à vida de D. Juan já não voltará a acontecer, mas se querem saber o final leiam e não se deixem esmorecer pelas 527 páginas do livro. Garanto que vale a pena. Aqui fica um bocadinho:

"- Oh, meu amigo, deixe de me tratar…

O hi5 visto pela Psicologia

Existem riscos nestes "sites"?

Todos os relacionamentos humanos comportam riscos, mas é isso que os torna geralmente fascinantes. É óbvio que a grande exposição que a internet pode proporcionar e a disseminação de dados por um número interminável de espaços acarretam perigos pois não faltarão pessoas e grupos com objectivos menos inocentes do que aqueles que possam exibir. Aí, a falta de maturidade, informação e esclarecimentos dos mais jovens pode constituir um ponto fraco que urge ultrapassar.

Que atitude devem ter os pais?

Os pais, mais do que nunca, não podem demitir-se do seu papel protector e pedagógico, esclarecendo, elucidando e formando sobre aquilo que entenderem. Isso implicará também que os pais se informem e esclareçam as suas próprias dúvidas para poderem ajudar melhor. Desenvolver nos filhos uma atitude crítica é uma forma grandiosa de lhes cultivar a inteligência e aprimorar os comportamentos, muito melhor do que simplesmente lhes vedar o acesso à Internet com m…

O hi5 visto pela psicologia

Nelson Lima, neuropsicólogo clínico e director do Instituto da Inteligência, salienta o papel moderador dos pais na utilização da Internet.

Como explica a adesão em massa de adolescentes a este género de "sites"?
Trata-se de uma reacção que não nos deve surpreender visto que a adolescência é um período da vida caracterizado pela necessidade de uma ampliação de relações interpessoais e de laços afectivos entre os jovens. Por outro lado, as grandes mudanças psicológicas e biológicas que ocorrem nesta etapa (o despertar da sexualidade, o enamoramento, etc), favorecem a atracção pelo desconhecido e a exploração de novas vivências. A Internet proporciona não apenas esse mergulhar no desconhecido como também o acesso a outros jovens e novas formas de relacionamento.

Porque é que os adolescentes falam facilmente com desconhecidos na Internet?
Os "amigos-virtuais" movimentam-se numa dimensão oculta idêntica à que se esconde no inconsciente mental. Aquilo que está para além da …

Com o Freio nos Dentes

Desembocaram na estrada da vila e aí, em piso firme, a égua largou à desfilada. De rédeas soltas, galgava o caminho ferozmente. Árvores, uma ou outra casa de arrumação nas quintas desabitadas, vultos de jornaleiros levantando a cabeça espantada, tudo se perdia na corrida. Hilário quis suster o animal e procurou as rédeas, enlaçou-as nos dedos, mas a égua tomara o freio nos dentes e continuava a marcha desatinada. Um vento tempestuoso pegou de repente nos cabelos de Hilário e atirou-lhos aos olhos deixando-o quase cego. Com as mãos a puxar as rédeas, não podia afastá-los. Esperava a todo o momento espatifar-se na valeta ou de encontro aos pinheiros. Largou as rédeas, sacudiu os cabelos dos olhos e viu o corpo da égua, elástico, lançado na correria louca como se cada passo de galope lhe custasse uma gota de sangue. Gritou. As primeiras casas de Corgo surgiram e ficaram para trás um momento. Mulheres gritavam, garotos fugiam da estrada e enfiavam-se nas portas. Até que, na praça da vila,…

A Soma dos Dias - Isabel Allende

"A Soma dos Dias" podia também chamar-se "Depois de Paula e com a Paula". É acima de tudo um livro biográfico, que conta a história da sua "tribo" depois da morte de Paula, a sua filha que dá também nome a um dos seus romances.
Não é uma ficção cheia de personangens fascinantes como quase todos os seus livros, e que esta autora tão bem nos habituou. É um livro diferente, mas que expõe a raridade de uma familia numerosa (a sua própria família), toda ela diferente, mas que se mantém unida através do amor, acima de tudo, o amor.

"O filme caiu como uma chapada na extrema-direita, mas foi recebido com entusiasmo pela maioria, em particular pelos jovens, que haviam crescido sob a mais estrita censura e queriam saber mais sobre o que acontecera no Chile nos anos 70 e 80. Na estreia, recordo que um senador confesso de direita se levantou, furioso, e saiu ruidosamente da sala, dizendo para os presentes que o filme era um chorrilho de mentiras contra o benemérit…

O exemplo português (ultima parte)

NETJOVENS.PT
* criada em 2004
* só para jovens portugueses até aos 35 anos
* 185 mil membros (sobretudo de Lisboa, Porto e Setúbal, 52% de mulheres e 48% de homens)
* 15 mil visitas/dia
* 14 e 24 anos são as idades predominantes

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