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Papillon Trailer

Acabei há pouco de ler o Papillon. Foi o meu pai que me ofereceu, pois há muito tempo que me falava dele. Leu-o numa noite. Eu demorei um pouco mais, cerca de 2 semanas, mas lê-se muito bem e existem, de facto, alturas em que não se consegue parar. Enfim... gostei.
Fala da história de um prisioneiro inocente e da sua condenação que não quer cumprir. Demonstra o preço que estamos dispostos a pagar pela liberdade, pela sobrevivência..
Aconselho a sua leitura e não se deixem desencorajar pelas muitas páginas do livro. Para mim, a melhor parte é aquela em que ele permance com a tribo de indios. Gostava que o autor tivesse vivido o suficiente para nos contar o depois da liberdade. Será que conheceu os seus indiozinhos? Como conheceu a mulher com quem casou? Como se inseriu em sociedade?

Leiam!

A infância perdida (última parte)

Victor é um dos dois mil alunos portugueses abrangidos pelo PIEF. "A bolsa que nós damos tem como objectivo que os encarregados de educação deixem de ter despesas adicionais com os filhos, no seu regresso à escola", explica Fernando Coelho, coordenador da zona Norte do PEETI, o Plano para a Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil. "Queremos motivá-los a sair de empregos precários e aliciá-los a fazer a escolaridade mínima obrigatória para terem um futuro melhor". Os alunos integrados no programa passam a ser acompanhados, de perto, por uma equipa de monitores, psicólogos e assistentes sociais. "Os casos de insucesso são muito reduzidos, felizmente", diz Fernando Coelho.
As gémeas Lisandra e Ana, de 17 anos, são o caso emblemático de sucesso deste programa de combate ao abandono escolar. Prestes a terminar o 9º ano, na Escola Secundária Santos Simões, em Guimarães, as irmãs de Santo Tirso em breve irão começar um curso de formação. Uma como cabeleirei…

Consolo na Praia, Drummond (por Maitê Proença)- A infância perdida (parte 3)

No último ano, Victor decidiu parar de trabalhar em empresas de vão-de-escada, demasiado preocupadas a olhar para os seus lucros. Ousou sonhar: "Decidi que queria fazer um curso profissional de pintura de automóveis. É a minha grande paixão. E um dia quem sabe, gostava de ter a minha oficina". Agora tenta vencer numa turma do PIEF (Programa Integrado de Educação e Formação), na Trofa.
Apesa de tudo, Victor não se arrepende do seu percurso profissional sinuoso. Até porque o trabalho foi um meio de fugir às más companhias da escola em Ribeirão. "Desisti no 7º ano, quando descobri que só tinha colegas que gostavam da má vida e enveredavam pelas drogas". Qualquer semelhança com os actuais companheiros de curso é pura coincidência. "Até a relação com os monitores é diferente. Aqui não há barreiras entre adultos e estudantes. Vamos todos juntos ao café ou à cantina". Hoje não ganha um salário de 400 euros, mas a bolsa de 75 euros permite-lhe dizer: "Já não …

A infância perdida (continuação do post anterior)

Por onde passava, o Victor era sempre o elo mais fraco da cadeia. Como era o mais novo e com menos experiência, era quem recebia menos e trabalhava mais. "A minha mãe bem me dizia para eu negociar o salário antes de começar um novo emprego. Mas eu limitava-me a esperar o fim do mês para receber algum dinheiro". Chegou a ser despedido depois de se magoar em trabalho, o que o obrigou a ficar em casa, de baixa, durante uma semana. "Não me queriam parado. Puseram-me na rua".
Ironicamente, foi durante o primeiro emprego que recebeu o salário mais chorudo: cerca de 400 euros numa empresa de bombas hidráulicas, em Ribeirão, perto de Guimarães. "Depois foi sempre a descer", recorda o rapaz de 17 anos que sustentava a casa, a meias com a mãe, uma empregada de limpeza. Nem sempre os 500 euros mensais que ela auferia eram suficientes para sustentar os 4 filhos. "Eu entregava-lhe todo o dinheiro que ganhava", revela. "Mesmo que fossem só 100 euros"

Dogma Crew - Hijos del odio

Victor voltou a ter gozo em folhear os livros da escola. Na sua turma de nove alunos, é ele quem demonstra mais jeito para as artes manuais, uma das poucas heranças positivas deixadas pelos três anos em que esteve a trabalhar no duro. Aos 14 anos foi canalizador, trolha, padeiro e pintor numa oficina de automóveis. Conheceu patrões irascíveis, ganhou salários terceiro-mundistas e viu um amigo da sua idade a ficar por puco sem um braço, depois de um acidente de trabalho com uma máquina de 15 toneladas numa serralharia. "Pela primeira vez, percebi que não era obrigado a fazer tudo depressa só para agradar ao patrão".

A Pesca das Enguias

Aquele Inverno ameaçava ser rigoroso. A safra da pesca, no mar, terminara. Os poucos pescadores que não tinham abalado para terras estranhas, à procura do pão, esperavam que as águas do rio aumentassem com as chuvas, para tentarem a pesca da enguia.
Fortes trovoadas traziam as primeiras águas barrentas, e, depois da isca preparada com fios de minhocas enroladas junto da chumbada, presas por um fio à ponta da cana, despreendidas das amarras os pequenos barcos, todos se preparavam para a colheita, que prometia ser farta.
O Puxa e o Traga, latindo de satisfação, saltaram para as embracações dos donos.
Os barcos deslizaram pela ria acima até que, escolhido o sítio conveniente, os fixaram com varas, e os pescadores, tirando as canas, começaram a faina.
Mal a isca entrava na água, logo era puxada pelo peixe. A cana erguia-se a cada instante, atirando com as grossas enguias para o fundo do barco. Não havia memória de tanta abundância. Horas depois, no pequeno batel, avolumavam-se as enguias, que…

O sexo e a cidade - o filme

Fui estrear as salas de cinema de Castelo Branco, e digo estrear porque nunca lá tinha ido, mas muito cú já lá passou antes de mim. Bem, fui ver "O Sexo e a Cidade". Gostei muito do filme,era o que se esperava e superou as minhas expectativas. O namorado lá fez o frete, mas é certo e sabido que não gostou, já da série viu-a a sono solto. Sozinha!
A aventura da ida ao cinema com a compra dos bilhetes, e a agradável surpresa que para a próxima só pago meio-bilhete se levar alguém comigo. (Há lá outro filme que promete!). Jantar de fast-food cravado ao respectivo e depois de umas voltitas onde descobri que não se faz roupa para baixinhas e muito menos sem mamas, lá fomos à sessão, pontualmente. Começou com 15 minutos de atraso, apagaram-se as luzes com cerca de oito pessoas na sala. As apresentações e a publicidade e a sala começa a encher, o filme começa a dar e eu logo no início da fila começo a pensar que afinal vim a uma aula de aeróbica, porque já o filme ia nos seus 15 mi…
Dormias, os braços me estendeste e de surpresa rodeaste-me de insónia. Afastavas assim a noite desvelada em cima com a lua presa? Teu sonhar me envolvia, sonhando-me sem ti.

Bichos - Miguel Torga

É obra escolar e apesar de contos não representarem uma das minhas preferências, Miguel Torga faz parte delas. Li e gostei! Ainda bem que se torna uma das opções de ensino.
A visão dos bichos, a sua semelhança aos seres pensantes, a animalidade que podemos ser... Bom! Suave, de leitura fácil, com muita oralidade... mais uma vez gostei e recomendo.


"Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo. O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão.
Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e de quanta justa indignação pudesse haver. Os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais...
Palmas e música lá fora. O Malhado dava gozo às senhorias...
Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pêlo. Dali a nada, ele. Ele, Miura, o rei da campina!"



Miguel Torga in Bichos

Anjos e Demônios-Trailer-Oficial

Li, depois de muita insistência de parentes e amigos com pouca prática de leitura, o livro "Anjos e Demonios" de Dan Brown. Pensei que um livro que embrenhou na prática de leitura tantos que achavam monótono este acto, tinha mesmo que ser bom.
Mesmo nunca me sentindo atraída pelo género e tendo algumas desconfianças acerca do autor, resolvi que tinha de saber o que é que o raio dos livros do Sr. tinham de tão especial. E querem saber o que descobri: nada! O filme é muito estilo "série de tv", não tem gosto a literatura. Faltou-me qualquer coisa.
É certo que não o li com muito agrado, nem o iniciei com muita vontade, mas li. Maltinha agora preparem-se para as criticas, porque ate agora eu não sabia, não tinha lido....

"As únicas luzes eram os holofotes exteriores que iluminavam a fachada. Todas as pequenas janelas estavam às escuras. Os olhos de Langdon continuaram a subir. Mesmo no alto do torreão central, trinta metros acima do chão, exactamente por baixo da pon…

Os miúdos do fio de nylon (parte 2)

O sorriso morre-lhes nos lábios com rapidez. Só o latido do Benfica, um rafeiro que guarda as galinhas e os gansos do quintal, os consegue distrair da tarefa penosa e repetitiva. "Cala-te cão", gritam à vez. E logo voltam a baixar a cabeça para os fios e agulhas. Há quase uma década que esta rotina tomou conta da família. De manhã levantam-se para coser. À noite, adormecem com dores nas costas de tanto coser. "Os miúdos ajudam-nos quando vêm da escola. É o dever deles, não é?". É pergunta retórica, sem resposta, de Aldina, que afaga, por segundos, o cabelo de Carlitos, de 11 anos. Os sapatos de fino corte que ele cose com perícia não podiam constrastar mais com as suas sandálias cambadas e as meias brancas sujas de lama. "É melhor trabalhador e aluno do que o irmão, que já perdeu dois anos lectivos", explica a mãe, que jura a pés juntos não os tirar dos bancos da escola. Pelo menos para já. O rapaz magro de olhos claros e ar ausente atira mais um sapato p…

Os miúdos do fio de nylon (parte 1)

Agachados em cima de um caixote cambaleante, os dois irmãos magricelas vão unindo, com uma agulha e muita paciência, as palmilhas dos sapatos de camurça. Aprendem mais depressa a coser do que a decorar a tabuada. Eles trabalham há várias horas, com a família, num alpendre escuro, de granito frio e madeira carcomida e onde se misturam os cheiros fétidos do estrume e do bafio. As grossas dedeiras nem sempre os protegem do cortante fio de nylon, que lhes vai abrindo gretas e deixando cicatrizes nas palmas das mãos. Não é preciso ser vidente para lhes ler um futuro enegrecido... Pormenor: a cena não se passa num bairro da lata em Calcutá, ou numa província da China, mas a norte de Portugal, numa freguesia rural em Felgueiras!
"Ai, aleijei-me!", exclama Miguel, o mais velho, interrompendo o pesado silêncio. Veste uma "t-shirt" do campeão, o "fê-quê-pê", e sonha mostrar ao mundo os seus dotes com o esférico. Um dia. Por enquanto, são as suas mãos esguias que tra…

Barcos do Tejo

O largo Tejo... Velas brancas... Velas
Cor de laranja... Barcos de água acima...
Muletas antiquíssimas... Ao vê-las
Surge a Saudade que o Passado anima.

Proa recurva, ríspida de pregos,
Casco bojudo e todo alcatroado,
Vem de nossos avós fenícios, gregos,
Ou de Eras mais escuras do Passado?

Cheia de pano - pano à proa, à popa,
Paira a muleta de arte à tartamanha.
Lembram ao longe um estendal de roupa,
As velas dessa embarcação estranha.

Cobertas de fantástico velame,
prolongam-se na Costa que branqueja,
Como golfinhos mortos onde o enxame
De gaivotas alvíssimas adeja.


Martinho de Brederode, in "Cancioneiro de Lisboa", coligido por João de Castro Osório

Equador - Miguel Sousa Tavares

Em primeiro lugar quero agradecer a oferta feita há já algum tempo pelos amigos Nuno e Jorge.

Não costumo gostar de Miguel Sousa Tavares, tem o dom de por vezes me irritar com certos comentários. Ninguém diria que é filho da Sr.ª que é, pensava eu.
Enganei-me! Equador foi dos poucos livros que me prendeu do princípio ao fim, fez-me lembrar um pouco o estilo do Eça. Fenomenal!
Resumidamente, conta a história de um Sr. Luís Bernardo, que acreditava que todos os colonos ao serem portugueses teriam os mesmos direitos que os colonizadores e se depara com a dificuldade de uma pequena colónia acreditar nisso também. Entre amores, desamores, fundamentalismo e política vamos vendo desenrolar um livro surpreendente com o cheirinho de África e da sua magia. O regresso a Lisboa e à vida de D. Juan já não voltará a acontecer, mas se querem saber o final leiam e não se deixem esmorecer pelas 527 páginas do livro. Garanto que vale a pena. Aqui fica um bocadinho:

"- Oh, meu amigo, deixe de me tratar…

O hi5 visto pela Psicologia

Existem riscos nestes "sites"?

Todos os relacionamentos humanos comportam riscos, mas é isso que os torna geralmente fascinantes. É óbvio que a grande exposição que a internet pode proporcionar e a disseminação de dados por um número interminável de espaços acarretam perigos pois não faltarão pessoas e grupos com objectivos menos inocentes do que aqueles que possam exibir. Aí, a falta de maturidade, informação e esclarecimentos dos mais jovens pode constituir um ponto fraco que urge ultrapassar.

Que atitude devem ter os pais?

Os pais, mais do que nunca, não podem demitir-se do seu papel protector e pedagógico, esclarecendo, elucidando e formando sobre aquilo que entenderem. Isso implicará também que os pais se informem e esclareçam as suas próprias dúvidas para poderem ajudar melhor. Desenvolver nos filhos uma atitude crítica é uma forma grandiosa de lhes cultivar a inteligência e aprimorar os comportamentos, muito melhor do que simplesmente lhes vedar o acesso à Internet com m…

O hi5 visto pela psicologia

Nelson Lima, neuropsicólogo clínico e director do Instituto da Inteligência, salienta o papel moderador dos pais na utilização da Internet.

Como explica a adesão em massa de adolescentes a este género de "sites"?
Trata-se de uma reacção que não nos deve surpreender visto que a adolescência é um período da vida caracterizado pela necessidade de uma ampliação de relações interpessoais e de laços afectivos entre os jovens. Por outro lado, as grandes mudanças psicológicas e biológicas que ocorrem nesta etapa (o despertar da sexualidade, o enamoramento, etc), favorecem a atracção pelo desconhecido e a exploração de novas vivências. A Internet proporciona não apenas esse mergulhar no desconhecido como também o acesso a outros jovens e novas formas de relacionamento.

Porque é que os adolescentes falam facilmente com desconhecidos na Internet?
Os "amigos-virtuais" movimentam-se numa dimensão oculta idêntica à que se esconde no inconsciente mental. Aquilo que está para além da …

Com o Freio nos Dentes

Desembocaram na estrada da vila e aí, em piso firme, a égua largou à desfilada. De rédeas soltas, galgava o caminho ferozmente. Árvores, uma ou outra casa de arrumação nas quintas desabitadas, vultos de jornaleiros levantando a cabeça espantada, tudo se perdia na corrida. Hilário quis suster o animal e procurou as rédeas, enlaçou-as nos dedos, mas a égua tomara o freio nos dentes e continuava a marcha desatinada. Um vento tempestuoso pegou de repente nos cabelos de Hilário e atirou-lhos aos olhos deixando-o quase cego. Com as mãos a puxar as rédeas, não podia afastá-los. Esperava a todo o momento espatifar-se na valeta ou de encontro aos pinheiros. Largou as rédeas, sacudiu os cabelos dos olhos e viu o corpo da égua, elástico, lançado na correria louca como se cada passo de galope lhe custasse uma gota de sangue. Gritou. As primeiras casas de Corgo surgiram e ficaram para trás um momento. Mulheres gritavam, garotos fugiam da estrada e enfiavam-se nas portas. Até que, na praça da vila,…