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Mensagens

Às vezes não é fácil andar por cá

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo A Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Fernando Pessoa
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos melhores do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Fernando Pessoa
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. A parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Avaliação de professores

Os professores não devem perseguir os alunos. Concordo. Mas e quando são os alunos e os pais dos alunos a perseguir os professores?
Ah! Já sei! Esse não são avaliados.
Ah, quem sabe, quem sabe,
se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim,
Um grande cais cheio de pouca gente,
Duma grande cidade meio-desperta,
Duma enorme cidade comercial, crescida, apoplética,
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?

Ode marítima

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação de uma outra pessoa,
Que fosse misteriosamente minha.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros portos.
Todo o atracar, todo o largar de navio,
É - sinto-o em mim como o meu sangue -
Incosncientemente simbólico, terrivelmente
Ameaçador de significações metafísicas
Que perturbam em mim quem eu fui...

Álvaro Campos

O teu olhar perturbador

Um dia serás o que o destino te cumprir nos sonhos da conquista, um dia serás um projeto conseguido, um dia conseguirás perceber a altivez do teu olhar puro e desconcertante e carregarás os sonhos do mundo, do teu mundo. Olharás para trás, ou talvez não, e as cores do teu percurso farão diferença no quadro do teu rosto. Um dia serás a ruga que hoje não queres nem sonhas, um dia os teus olhos já serão perturbadores por outros motivos, ou talvez não, mas serás sempre!

Ode Marítima (excerto)

Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh´alma está com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
porque está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Fernando Pessoa

Igreja

Ainda que não acredite, por motivos de força maior, este ano lectivo vai ter de ser!

Voltei

Finalmente fiquei colocada, voltei ao sistema de ensino caduco que de tanto mexido e remexido se encontra no estado degradante de falecimento precoce. Porque volto todos os anos? Porque é com eles e por eles que ali estou, esquecendo em cada momento de aula todas as atrocidades que se fazem no ensino. É pelos sorrisos, pelos olhares, por vê-los crescer...e se um dia me cansar! Bem...se me cansar, há-de haver quem se chegue à frente. Este ano novos desafios: programa e acordo ortográfico! Dá-lhe!

outra vez....

Outra vez esta sensação de vazio, de inutilidade...de inferioridade! Porque será que a vida acaba sempre por me lembrar que eu devia ter falhado mais cedo, que não adianta tentar, porque nunca conseguirei abraçar o meu sonho, que andarei sempre à deriva mesmo dentro do meu mundo, que nunca vou conseguir lá chegar...que sempre que eu queira uma coisa vou ter de competir, de arranhar o mundo, de morder os lábios, de sorrir quando as noites me atormentam e me sacrificam com a desilusão de estar quase sempre lá...à deriva!

O carro híbrido - Opel Ampera

O carrinho exposto não é para serventia da casa, apenas porque custa a módica quantia de 42900 euros e como não é totalmente eléctrico não tem direito aos incentivos estatais. Dizem que estará disponível aos portugueses no início do próximo ano....mas a crise não perdoa! Mas que é bonito....lá isso é!

Agora...

...tenho tempo, mas não tenho vontade!

Os anjos

Quem me dera ser um anjo e não ter de lidar com os sentimentos contraditórios que me assolam e tento afugentar...quem me dera ser um anjo e ser um todo puro de pecado. Quem me dera que a puta da vida não me lixasse tantas vezes!

A saudade tem cheiro de chuva

Descobri que a saudade tem cheiro de chuva e é cinzenta...a cor da melancolia, dos suspiros e olhares vagos. Descobri que subo quando penso descer, que me abrigo no chapéu preto da recordação e embruteço da ferocidade do sentir. Descobri que sou cinzenta de saudade e me abrigo na história das recordações que os sonhos não corrompem. Descobri que no tempo não há tempo de chuva e as alegrias têm sempre cheiro de sol... e cansam e estragam a chuva que quero guardar cinzenta e melancólica no baú velho e empoeirado do que sou. Descobri que há gente que fica na história da gente, mas que não sou originalmente cinzenta! Descobri que tenho sol encoberto de sonhos e de chuva quente!

Comida

Sou um bom prato, gosto de petiscos...por isso, normalmente, durante as férias sou presenteada com uns quilinhos a mais. A ausência de rotinas, a falta de actividade física e os nervos obrigam-me a andar mais apertada dentro das calças. De cada vez que me visto o pensamento vai sempre para o facto de que deveria retomar as caminhadas e a actividade física...mas a vontade recorda-me que estou de férias e não me apetece! A verdade é que como sem vontade, mas por pura gula... e depois fico tão redondinha como o prato acima retratado.

Depressão

O mês de Agosto é, regra geral, o mês das minhas férias. Não porque o prefira, mas porque não tenho outro remédio. Para quem começou a trabalhar tão cedo e sempre sem férias, ter direito a férias devia ser uma benção. Não é. É a ansiedade por começar de novo, de ter a certeza que posso começar de novo. Com a crise veio o desemprego e com o desemprego é cada vez mais difícil conseguir colocação, porque o desespero começa a tomar conta de todos e se até agora tenho ficado com os lugares que mais ninguém quer, este ano não sei, como nunca soube nos outros anos. É sempre um totoloto, um começar de novo. Tenho gostado de todas as experiências, mesmo com todas as minhas dificuldades de adaptação, mas não sou optimista por natureza e prevejo sempre o pior! Tenho medo e sofro, mas também começo a cansar-me e só penso que não quero arrepender-me das minhas escolhas...mas é difícil. A nossa vida pessoal é uma montanha russa, as condições de trabalho sempre a mudar e ultimamente para pior e ning…

Em 96 eu já tinha muita imaginação, andava era deprimida…

Viver?
Ou não viver?
Para quê pairar neste mundo de sedução nojenta?
Sedução, que apenas engana sonhadores em busca de verdades falsas.
De ideais fingidos, de guerras psicológicas, de perseguições inúteis…
Inúteis são os pensamentos, as dores, mas nem por isso as deixas de sentir, nem por isso deixas de chorar uma lágrima que já não tem significado, uma lágrima que há muito deixou de doer. Mas vive… respira… suspira, se isso te alivia; sonha se te queres enganar, foge da verdade como o Diabo da cruz se isso te faz sentir bem. És inútil! Todos o somos; mas para quê dizer a verdade se é tão bom viver na ilusão.
Ass: Alguém…