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Mensagens

Chuva

O tempo está como eu: chuvoso e com cara de poucos amigos. Que as lágrimas caiam e deixem sorrir o sol.
Desespero
A turma de 5º ano tem dificuldades evidentes; os alunos sabem, os professores desesperam e os pais tentam ignorar. Hoje realizou-se a ficha de verificação de conhecimentos. Pergunta: - Estão preparados? - Sim. - Estudaram muito? - Mais ou menos. Ao passear pela sala deteto o evidente, a maior parte das mochilas estão iguais a sexta feira. Alarme total, para estudar era absolutamente necessário a Guia Gramatical e o manual, ora se estes materiais não sairam da mochila como é possível que tenham estudado? Pior, não será evidente que convém trazer canetas para uma prova?! Alás, mais que uma, como estão sobejamente avisados. No final, quando interpelados com tamanha evidência, respondem muito ofendidos: - A professora é má. Segunda pergunta nos meus pensamentos: Será que os pais passaram o fim de semana com eles? Até tenho medo de corrigir as provas!
Os pais e a leitura
Tento ser coerente e perceber a situação dos pais, mas de facto não compreendo uma série de coisas. Quando assumimos a responsabilidade de ter um filho, considero que devemos tentar fazê-lo da melhor forma possível. É certo que os tempos não são fáceis, mas que a falta de tempo e de dinheiro não sirva de desculpa para todo o género de irresponsabilidades. E são muitas... Tento, nas minhas aulas, estimular o gosto pela leitura através de todo o tipo de atividades que sirvam esse propósito, mas obviamente que não poderei estimular os pais. Hoje, no Clube de Leitura, e porque a escola tenta a todo o custo eliminar a falta de hábitos culturais, foi realizado um inquérito acerca dos hábitos de leitura familiares. Detetou-se que a maior parte das revistas que aparecem pelas casas são as "cor-de-rosa" e a maior parte dos alunos nem sequer se lembra de ter visto os pais com livros na mão a não ser para lhes limpar o pó e, ainda assim, quando os há lá por casa. Is…
Quando os sonhos acabam terminam as etapas da vida e não se inicia um novo ciclo. E depois? Os amigos de outrora selecionaram sonhos diferentes, metas, caminhos, desvanecendo-se em nebulosas competencias essenciais que perdemos por caminhos do tamanho das nossas ilusões. E qual deus incansável permanecemos no caminho das pedras e quedas, repetindo passos cada vez mais perfeitos e esperanças cada vez mais ténues. Mas poder sonhar... onde acaba o sonho? Tenho tantos sorrisos e lágrimas tatuadas nas linhas do meu caderno, tenho saudades e sonhos perdidos no meu saco. Por isso acordo que, apesar de cedo, a vida é demasiado curta. limitada, alienada dos caminhos tão extensos do imaginário. Por isso tento que todos os dias esses sorrisos recordem lágrimas, para aprender depressa, ter tempo de ser, vencer...sonhar!

As longas jornadasdas ilhas

Bem, lá estou eu a fazer o inter-ilhas para chegar ao continente... A verdade é que quase já ando de avião como quem apanha o autocarro, mas com a diferença que é muito mais caro. Esta região autónoma ainda não dispões de voos baratinhos, baratinhos... por isso ver a famíla do continente não é fácil, mas transportá-la até cá será bem pior, pelo menos para o bolso! Entretanto, em busca de viagens promocionais perdem-se horas de sono e enjoos intermináveis em mais uma empresa monopólio desta zona! Enfim...amanhã é feriado, mas ainda chego a tempo de matar saudades e agarrar forças para regressar aos meus sitios, porque "só estou bem onde não estou"! lol Bjitos e até breve

Horas....

Está na hora das avaliações. Produção de papel em larga escala, porque milagres não acontecem!

Quando pensava que as coisas não podiam ficar pior...

... eis que após 4 anos a lecionar nas regiões autónomas, me dizem que a partir de AGORA o tempo de serviço prestado nestas regiões não conta para efeitos de graduação no concurso do continente, mas o mais ridículo, se estiver em Timor, parece que conta!!! Resumindo, além de concorrermos como estrangeiros, já devemos ser e não sabemos, uma vez que a nossa avaliação não tem relevo no continente, apesar de ser mais exigente, pois ainda temos aulas assistidas para obter a menção de Bom. Mas pior, vindo de uma universidade do continente, acabamos por ser penalizados duas vezes: a primeira porque não concorremos em 1ª prioridade na Região Autónoma dos Açores sem completar 3 anos de serviço na região, o que implica que fiquemos com os lugares que os próprios açorianos não querem (ilhas pequenas) e agora, depois de nos sujeitarmos a tapar buracos, sacrificar a nossa vida pessoal e familiar em prol do ensino ainda nos dizem que afinal, afinal... o melhor é irmos para o desemprego ou enveredar …

Este é internacional...

mas os nossos dias, são todos os dias, nos nossos mundos, dificuldades e na persistência da esperança de um dias as nossas filhas não tenham de provar que são tão boas como qualquer homem.

Livro Casa das Sete Mulheres

Acabei de ler há coisa de dias um livro que comrei numa feira do livro ao quilo, A Casa das Sete Mulheres. Porque aindo aprecio ler sem A.O. e gosto de ler na língua em que as histórias são contadas. Adorei o livro, apesar de reconhecer que o número de personagens e os nomes semlhantes podem confundir os mais distraídos. A história retratam tempos passados e o outro lado da guerra que são as mulheres que esperam e desesperam sem saber o como, porquê e onde irá acabar. Num mundo de realidade desenrolam-se personagens com sonhos e ambições, presenciamos a morte e a vida. O renascer de um mundo novo muito igual de ideais.
"D. Ana segurou a mão fria da sobrinha entre as suas. - Não se apoquente... Vosmecê precisa ficar calma, Manuela. Não quero que Maria fique le fazendo sofrer mais... Isso é um segredo nosso, está bem? Vou ler a carta hoje para as outras, mas pulo esta parte. Só eu e vosmecê saberemos desse causo. Assim vai ser melhor para todo mundo. Deixe Giuseppe para lá, ao menos …

Às vezes não é fácil andar por cá

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo A Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Fernando Pessoa
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos melhores do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Fernando Pessoa
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. A parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Avaliação de professores

Os professores não devem perseguir os alunos. Concordo. Mas e quando são os alunos e os pais dos alunos a perseguir os professores?
Ah! Já sei! Esse não são avaliados.
Ah, quem sabe, quem sabe,
se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim,
Um grande cais cheio de pouca gente,
Duma grande cidade meio-desperta,
Duma enorme cidade comercial, crescida, apoplética,
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?

Ode marítima

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação de uma outra pessoa,
Que fosse misteriosamente minha.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros portos.
Todo o atracar, todo o largar de navio,
É - sinto-o em mim como o meu sangue -
Incosncientemente simbólico, terrivelmente
Ameaçador de significações metafísicas
Que perturbam em mim quem eu fui...

Álvaro Campos

O teu olhar perturbador

Um dia serás o que o destino te cumprir nos sonhos da conquista, um dia serás um projeto conseguido, um dia conseguirás perceber a altivez do teu olhar puro e desconcertante e carregarás os sonhos do mundo, do teu mundo. Olharás para trás, ou talvez não, e as cores do teu percurso farão diferença no quadro do teu rosto. Um dia serás a ruga que hoje não queres nem sonhas, um dia os teus olhos já serão perturbadores por outros motivos, ou talvez não, mas serás sempre!

Ode Marítima (excerto)

Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh´alma está com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
porque está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Fernando Pessoa

Igreja

Ainda que não acredite, por motivos de força maior, este ano lectivo vai ter de ser!