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Mensagens

O mistério da estrada de Sintra

A minha mais recente leitura foi uma releitura. Eu não costumo gostar de policiais, mas este voltou a deliciar-me. É, sem dúvida, uma intriga fascinante que se desenrola através de cartas publicadas num jornal em 1870, de vários remetentes, que vão desenrolando um crime. Um estrangeiro veio morrer a Portugal! Porquê? Quem o matou? Quais os motivos da sua morte? E o amor! Ai o amor! Para quem gosta de policiais e romance, aconselho. Lê-se rapidamente e satisfaz duas vezes. A minha edição faz parte dos livros de bolso da Europa-América e tem 180 páginas. A letra é miudinha, por isso convém ser acompanhada de muita luz! Ah, o autor todos sabemos, Eça de Queirós.
"Quis ir ao Aterro. A tarde caía. A água tinha uma imobilidade luminosa. Do outro lado os montes estavam esbatidos num vapor azulado e suave. Sobre o mar haviam nuvens inflamadas, de uma cor fulva, como no fundo de uma glória. Algumas velas passavam rosadas, tocadas da luz."

Estórias abensonhadas, de Mia Couto

Todos os ingredientes que poderíamos esperar deste autor... cheiro de África, som de actualidade e ruralidade, visões deslumbrantes dos miticos seres humanos que em todo lado habitam. Apesar de não ser apreciadora de livros de contos e o ter começado a ler, mais por fazer parte do PNL do que por interesse, gostei e fui-me deixando embalar pelas diferentes histórias que se desfilavam provocadoras de curiosidade. Adoro o tipo de escrita o complicado simplificado deste autor, e assim, adorei as Estórias Abensonhadas.
O meu exemplar pertence à editora Caminho e possui 213 páginas, onde se inclui um glossário de termos africanos, que acaba por passar despercebido, pois o vocabulário desconhecido é facilmente entendido pelo contexto em que está inserido.
" - O fogo é um rio. Deve-se colher pela fonte.   - Essa fonte: nós não sabemos o seu lugar. Era de noite, a mulher chamou o muene e fez com que se deitasse sobre a terra. E ela se cobriu nele, corpo em lençol de outro corpo. Nenhum home…
Quando me escondo não uso óculos de sol, uso-me. Protetora, detesto injustiças e não reajo a pressões, mas não me escondo em óculos de sol, mas sim com uma nuvem protetora em que deixo de existir, de lembrar, de sentir de tão evidente. Não sou efusiva, não sou alegre, não sou otimista, mas não sou uns óculos de sol, não reflito o que me fazem, reajo passivamente no silêncio escuro do impenetrável. Detesto pessoas que não enfrentam, que se escondem, que se entorpecem do que pensam esconder-se em gestos denunciantes de bolor, de fraquezas latentes, de deformações inconscientes, de defeitos não polidos. Mas não escondo o olhar que pode ser a capa que eu quizer com uns óculos de sol, porque esses... ora, esses ofuscam o sol, a claridade de pensamento, a dureza da realidade amarga da análise esmiuçada.

Reconhecem?

Estranho

E depois de dois anos numa escola em que só se é bom se estivermos de acordo (sempre) com o CE, eis que me parece tão estranho que me digam "Gostei muito da sua aula!"

Inês de Portugal

"Inês de Portugal", de João de Aguiar é a minha recente leitura. Já tinha visto o filme e, de facto, não precisava de ter lido o livro, pois o filme é fidelíssimo ao que é narrado na obra. Trata-.se de uma perspetiva diferente acerca dos amores de D. Pedro e Inês, pois o livro começa depois da morte desta última. Aqui conhecemos um rei possesso e torturado pelo amor que não concretizou e que desenvolve uma estranha obsessão por fazer justiça, precisamente por se achar vítima de falta dela. D. Inês é também abordada de uma forma mais racional do que o que estamos habituados nas leituras sobre o assunto, em que toda a ambição social pertence a seus irmãos. Desta feita, ela é também tentada na cobiça. É um livro acessível aos mais jovens, sem demasiados pormenores e com polémica suficiente para se tornar interessante. Contudo, é necessário possuir alguns conhecimentos históricos para percebê-lo na totalidade. O autor colocou, anda, no final do livro algumas informações pertine…

A feira dos assombrados

Terminei a leitura da "Feira dos Assombrados", de José Eduardo Agualusa. É um livro da LeYa e faz parte das obras recomendadas no PNL, se não estou em erro. É bastante acessível e fácil de ler. Por se tratar de um escritor português, na variedade africana, existem alguns vocábulos muito característicos do seu país, Angola. Penso ser bastante apropriado para os alunos (e são muitos) que se assustam com o número de páginas do livro, pois tem somente 142 e a folha é em A5. É interessante perceber uma nova cultura com diferentes credos e formas de vida. Apenas penso que existem contos que necessitavam de ser mais desenvolvidos, pois quando estamos a entrar no enredo, já terminou, ficando alguns pormenores por esclarecer.
"«Agora julgo que vivo», respondeu-lhe Albérico Santoni. «Mas a acreditar no que o povo diz, esteve morto durante muitos anos.»"

Ano novo

Ano novo, mas com esperanças destruídas, caminhos vedados, sonhos cansados, esperanças perdidas... Diferent side, same story!

Ah pois é!

Sempre fui muito saudosista, sempre sofri por antecipação, sempre tive muita imaginação, sempre ocupei muito a minha cabeça.... Pois é, agora imaginem isto tudo num só momento. Ultimamente ando a funcionar a 50% e às vezes julgo que já estou a ficar senil, porque entre os problemas que ainda não são e a imaginação que me interrompe a qualquer momento (e nem sempre com as partes que eu queria), ando a funcionar em automático. Dou comigo a pôr lixo no frigorifico, ou a pôr o secador no cesto da roupa suja... é caso para dizer que me apetece afastar de mim própria. A resolução imediata seria ficar bem quietinha, no meio dos lençóis, a ouvir música e sem telefonemas de quem quer que seja. Será que o mundo se esquecia de mim? O Natal...doi-me por antecipação, antecipo os bons momentos, saio da realidade, mato saudades apressadas, resolvo problemas hipotéticos... e tanto que eu tento não ser assim. Ando há uma "montanha" de anos a tentar viver o momento sem me prender ao passado,…

a solidão dos números primos

Acabei ontem de ler este livro e ainda que não tenha sido desinteressante, não é o tipo de livro a que estou habituada a rever-me. Houve capítulos que li com sofreguidão e outros em que travei durante dias. Este livro fala-nos sobre as vidas de Mattia e Alice em paralelo, mas quase sempre entrelaçadas por silêncios cúmplices. Acompanhamos a sua história desde a infância até à idade adulta com algumas elipses temporais, ele, um jovem traumatizado por ter abandonado deliberadamente a sua irmã gémea com necessidades específicas na beira de um rio, esta nunca mais apareceu. Ela traumatizada por uma queda em que ficou com uma deficiência física, mas que não a impede de viver de forma quase normal. Eles criam os seus fantasmas, lutam contra eles e encontram-se no caminho da vida, onde se reconhecem como dois estranhos de partilhada dor. No entanto, e apesar de ser explícito o que os une o amor que criam entre si, as personagens não ficam juntas por falta de coragem... talvez perante a vida…

Autores

Estou habituada a ler autores, "velhos" e com ar de intelectual e nas minhas pesquisas sobre o autor do livro que ando a ler eis que descubro uma verdadeira brasa, novinho e pelos vistos, inteligente. Ele é doutorado em Física de Partículas e já ganhou dois prémios com o seu primeiro romance (e o meu atual livro de cabeceira) "solidão dos números primos". Ora vejam:

Mágoas da escola

Lê-se bem, é de compreensão fácil, mas...demasiado instantâneo para mim. Apesar das excelentes referências e criticas que li acerca deste livro, não gostei. Acho que esperava outra coisa. Ainda assim, acho que vale a pena!      "É essa a mensagem.        O «Faze-lo de propósito» dos adultos alia-se ao «Eu não o fiz de propósito» apresentado pelas crianças uma vez cometida a tolice.        Proferida com veemência, mas sem grandes ilusões, o «Eu não o fiz de propósito» encadeia quase automaticamente uma das seguintes respostas:        - Espero bem que não!        - Tanto melhor!        - Não faltava mais nada!"      O autor é Daniel Pennac e consta que seja um entendido na matéria pedagógica. Este livro foi galardoado com o Prémio Renaudot 2007.

Cansada de não ser...

Às vezes penso que cumpri muito pouco do que sonhei. Fui engolida pelo mundo! Sinto que o momento que me contenta são aqueles em reconheço o cheiro, os sorrisos, os olhares, os descubro na imensidão do que fui e sonhei. Sinto-me triste porque estar deste lado é ingrato, tão ingrato como não ter tempo para vocês porque alguém acha que só nos relatórios, nas atas, nos PITs, PIs, atividades...só no papel é que vocês se materializam para nós. Não é verdade! É naquele momento em que pensam que não vos vigiam que vos admiro pelos vossos sonhos, pelo que são, pelos erros que ainda não cometeram, pela solidão que ainda não encontraram e vocês não sabem... que é aí que respiro e penso que tenho razão, que o meu mundo vos pertence, que sonhei para sempre, que é dos vossos sonhos que me alimento, que sobrevivo aos não gostos e às secas são tão partilhadas e tão vazias de vós. Um dia sonhei, ainda sonho, sabiam? Teimo em não ceder à violência de não resistir, teimo em não ser vencida pelo cansaç…

Agir

Agir, eis a iteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?
Livro do Desassossego

"Presságios de fogo"

Terminei a leitura deste título que muito me agradou. Tal como a autora, Mario Zimmer Bradley, já nos habituou estamos perante um livro que defende a figura feminina de forma arrebatadora. Desta feita temos Cassandra, jovem profetisa insatisfeita com o papel social da mulher, mas que não pode deixar de o ser. Ela é filha do rei Príamo, obcecado pela defesa da cidade de Troia, mas que não ouve as mensagens dos Deuses por virem da boca de uma mulher. Gémea de Páris que é pastor e gémeo abandonado devido a um culto de que filhos gémeos trazem azar. Ela vê pelos seus olhos, o que não lhe garante uma maior aproximação do irmão quando finalmente é reconhecido pelo Rei - pai. Pela sua insatisfação é criada pelas amazonas, mulheres guerreiras que não arriscam a presença masculina para além da reprodução, mas que pela fraqueza feminina e guerra masculina acabam por ser exterminandas. Cassandra sucumbe à beleza de Eneias quando tinha prometido a sua virgindade ao Deus Sol, acaba por ter um fil…

Brandos costumes...

Somos um país de brandos costumes, a nossa história demonstra que nem fomos maus colonizadores, durante o salazarismo fomos capazes de fazer uma revolução pacífica, mas já não somos uma país iletrado, ainda que os doutores e licenciados nos tenham feito algum bem. Estamos cansados! Vejo pais que lutaram toda a vida para puderem dar um futuro aos filhos, cumpriram a sua parte e os filhos continuam debaixo do seu teto sem saber bem o que fazer com o tanto que lhe deram. Pais, filhos e todas as classes profissionais estão desencantadas e forçosamente com o futuro hipotecado e desmotivados para o que aí não vem. O pais envelhece porque não há novos, já todos estamos velhos, os casais não têm filhos porque não há educação, não há saúde...os pilares da sociedade ameaçam ruir e por pouco sempre os nossos brandos costumes vão aguentar a fome dos nossos filhos.

A quinta-feira dos pássaros

O livro de que vos vou falar foi comprado em desespero de causa. Viajo muito e, normalmente, a minha companhia resume-se aos livros que devoro nas horas de espera ou para me abstrair de meios de transporte que não me agradam. Assim, e fazendo mal as contas ao meu ritmo de leitura deixei que me acabasse o livro numa ilha sem muitos recursos para onde fui de férias. Corri tudo o que foram lojas ou superficies comerciais que me pudessem saciar o vicio, mas nada... começava a ficar desesperada... até que dei com uma papelaria multifunções! Entrei com desconfiança e apercebi-me que não existia qualquer tipo de lógica na organização dos livros (ou até mesmo amostras de), pelo que entretive-me um tempinho a tentar perceber se existia alguma coisa que valesse a pena. Excluindo os clássicos escolares que tão bem conheço ficava com pouca opção de escolha, mas lendo um bocadinho daqui e informações de autores dali, a senhora da loja que queria ir almoçar apressou a minha escolha: A quinta-feir…

"Por favor, pai, não..."

Comprei este livro numa feira do livro por 3,9 euros. Apesar de me agradar a temática, fiquei com dúvidas acerca da qualidade do mesmo. Bem, é um livro fortíssimo, em que por vezes tive de parar de ler para "digerir" a história relatada. Trata-se de um livro autobiográfico, em que uma criança é sujeita a todo o tipo de abusos, quer físicos, quer psicológicos, passando pela marginalidade e pela consciência das mazelas de uma vida de maltratos. A criança acaba por matar aquele que conheceu como pai, mas sem conseguir livrar-se das marcas profundas que este lhe deixou e à sua família. O livro tem boa qualidade, especialmente ao nível das folhas. Recomendo a sua leitura como forma de alterarmos mentalidades e de estarmos mais atentos ao que nos rodeia. "Todos sabiam porque tinha sido preso, mesmo antes de chegar à prisão, porque a notícia tinha corrido nos jornais e na televisão. Fiquei surpreendido com o número de reclusos que se aproximaram de mim para me apertarem a mão…

O caderno de Maya

"O caderno de Maya", de Isabel Allende voltou a conquistar-me, a sua escrita tão realista com o apimentar da cultura chilena é sempre um misto de curiosidade e realidade. Desta vez relata-nos a história de Maya Vidal, uma adolescente com problemas de dependência e com uma família muito peculiar. Este relato é feito na 1ª pessoa, como quem escreve um diário, Maya descobre os prazeres da escrita e descobre-se nas adversidades da sua história e faz história. Não sendo uma história verídica, poderia sê-lo, com marcas de modernidade e emocões facilmente identificadas como nossas, a ocorrências desfazem-se entre laços de gerações e marcas generosas de amor. Não sendo um livro lamechas, é sem dúvida o estilo de Isabel Allende. Pela mão dela conhecemos Chiloé, com os seus hábitos e gentes, com os seus vícios e virtudes, com a chama da vida que se herda em atos contínuos de erros culturais e tradições milenares. Porque assim é a vida...mais uma vez, fiquei rendida ao seu discurso e …
Começou agosto e é impossível não pensar na incógnita que me espera. Por aqui está tudo visto, as saudades passaram, o tempo começa a ser demasiado longo e a roupa demasiado curta. Falta ainda a segunda etapa das férias, mas o que eu queria mesmo era saber que elas terminavam!