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Mensagens

Aqui vamos nós outra vez...

"Doze casamentos felizes"

Doze casamentos felizes, é uma obra de Camilo Castelo Branco. Possuo a edição da Europa-America, com 175 páginas.
Gostei dos doze casamentos descritos, apesar de considerar que podem tornar-se repetitivos e há algum risco de se misturarem as diferentes relações. Contudo, é uma escrita muito própria do autor e que deve ser lida de forma pausada e com alguma concentração devido ao uso de frases longas e vocabulário erudito.


Advertência

- B. , quero respostas completas e não em formato de telegrama.
- Professora, sei o que é um holograma, mas não sei o que é um telegrama. Porque é que diz isso das minhas respostas?
E nenhum dos colegas sabia explicar muito bem o que era um telegrama. É caso para me dizerem:
- Atualiza-te! Ninguém sabe o que é um telegrama dahhh!

A minha profissão é gratificante porque...

...na aula de apoio, com alunos que não pertencem a nenhuma das minhas turmas, um deles diz:
- Agora a sério, as suas aulas devem ser porreiras professora. A professora é exigente e descontraída ao mesmo tempo. Gostava de ter aulas consigo!

De volta...

... ao trabalho com horário.

Este inverno...

nunca mais arranca daqui para fora. Já não posso com humidade, chuva, bolor e afins!

Casamento

Inevitavelmente, com esta idade, as minhas amigas estão quase todas casadas ou a casar. Inevitavelmente, descobri que não gosto de casamento para mim. É giro ir ao casamento dos outros, ver o brilho no olhar, o acreditar que vai correr tudo bem, mas definitivamente, não é a minha onda. Durante alguns anos fui dizendo que não, mas sempre muito dividida entre o que a sociedade exigia de mim e o que pretendia, pois bem, é oficial, não quero casar, portanto, sendo que a minha família também não é muito tradicional nem conservadora, parem lá de me impingir uma data de ideias pré concebidas porque eu entendo-me muito bem assim. Além disso, entre o meu pai e a minha mãe há casamentos suficientes que cheguem para mim. E que tal passar ao próximo passo? Mais um para refletir.

"Em nome de Salomé"

É um livro de Julia Alvarez, com tradução de Maria José Santos. Encontrei erros de tradução que me fizeram desgostar do livro em alguns casos. Este livro tem como personagens principais Salomé e Salomé Camila. Respetivamente, mãe e filha. Num livro que retrata um época em que o homem tem um papel fundamental, Salomé soube revelar-se como protagonista através da força da poesia. Uma personagem tímida, que sofre de problemas respiratórios, mas que se revela através da escrita, que transmite todas as convicções pátrias e de força que só as mulheres conseguem demonstrar. Vive do amor e do sofrimento, mas nunca perde o objetivo de levar a educação ao serviço da evolução da pátria. Salomé Camila segue as pisadas da mãe. Não escreve, mas ensina. Enevoada numa vida sentimental quase sempre perto de ser, une-as o amor à pátria e a força. Têm também em comum o tom de pele mais escuro, que ofende os intelectuais que a emblezam, sobretudo o seu próprio pai. Homem de amores e filhos que nunca dei…

Eu

Às vezes é muito difícil largar o passado, reencontrar-me, pertencer lá e cá e a todos os sítios. Às vezes é difícil carregar a saudade e saber quem sou, como sou, o que quero. Às vezes é difícil decidir, caminhar, cantar baixinho a solidão tão acompanhada que me atormenta. Não gosto de mudanças e passo a vida a mudar, a tentar ser dona do que sinto, pertencer com a identidade de quem se encontra. Às vezes é difícil ser normal e preencher vazios de pessoas que não existem. Às vezes é tão difícil perceber que sou feliz, que sou rica em tanta coisa, porque os meus sós são tremendos e tão cheios de coisa nenhuma. A que me agarro? Por que não me decido? Às vezes é difícil ser eu com os outros e ser do mundo!



Decidi escrever linhas de entrelinhas de destino, decidi preencher o fado de alma atormentada com questões de amanhã. Decidi...ser.

O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA

O mistério da estrada de Sintra

A minha mais recente leitura foi uma releitura. Eu não costumo gostar de policiais, mas este voltou a deliciar-me. É, sem dúvida, uma intriga fascinante que se desenrola através de cartas publicadas num jornal em 1870, de vários remetentes, que vão desenrolando um crime. Um estrangeiro veio morrer a Portugal! Porquê? Quem o matou? Quais os motivos da sua morte? E o amor! Ai o amor! Para quem gosta de policiais e romance, aconselho. Lê-se rapidamente e satisfaz duas vezes. A minha edição faz parte dos livros de bolso da Europa-América e tem 180 páginas. A letra é miudinha, por isso convém ser acompanhada de muita luz! Ah, o autor todos sabemos, Eça de Queirós.
"Quis ir ao Aterro. A tarde caía. A água tinha uma imobilidade luminosa. Do outro lado os montes estavam esbatidos num vapor azulado e suave. Sobre o mar haviam nuvens inflamadas, de uma cor fulva, como no fundo de uma glória. Algumas velas passavam rosadas, tocadas da luz."

Estórias abensonhadas, de Mia Couto

Todos os ingredientes que poderíamos esperar deste autor... cheiro de África, som de actualidade e ruralidade, visões deslumbrantes dos miticos seres humanos que em todo lado habitam. Apesar de não ser apreciadora de livros de contos e o ter começado a ler, mais por fazer parte do PNL do que por interesse, gostei e fui-me deixando embalar pelas diferentes histórias que se desfilavam provocadoras de curiosidade. Adoro o tipo de escrita o complicado simplificado deste autor, e assim, adorei as Estórias Abensonhadas.
O meu exemplar pertence à editora Caminho e possui 213 páginas, onde se inclui um glossário de termos africanos, que acaba por passar despercebido, pois o vocabulário desconhecido é facilmente entendido pelo contexto em que está inserido.
" - O fogo é um rio. Deve-se colher pela fonte.   - Essa fonte: nós não sabemos o seu lugar. Era de noite, a mulher chamou o muene e fez com que se deitasse sobre a terra. E ela se cobriu nele, corpo em lençol de outro corpo. Nenhum home…
Quando me escondo não uso óculos de sol, uso-me. Protetora, detesto injustiças e não reajo a pressões, mas não me escondo em óculos de sol, mas sim com uma nuvem protetora em que deixo de existir, de lembrar, de sentir de tão evidente. Não sou efusiva, não sou alegre, não sou otimista, mas não sou uns óculos de sol, não reflito o que me fazem, reajo passivamente no silêncio escuro do impenetrável. Detesto pessoas que não enfrentam, que se escondem, que se entorpecem do que pensam esconder-se em gestos denunciantes de bolor, de fraquezas latentes, de deformações inconscientes, de defeitos não polidos. Mas não escondo o olhar que pode ser a capa que eu quizer com uns óculos de sol, porque esses... ora, esses ofuscam o sol, a claridade de pensamento, a dureza da realidade amarga da análise esmiuçada.

Reconhecem?

Estranho

E depois de dois anos numa escola em que só se é bom se estivermos de acordo (sempre) com o CE, eis que me parece tão estranho que me digam "Gostei muito da sua aula!"

Inês de Portugal

"Inês de Portugal", de João de Aguiar é a minha recente leitura. Já tinha visto o filme e, de facto, não precisava de ter lido o livro, pois o filme é fidelíssimo ao que é narrado na obra. Trata-.se de uma perspetiva diferente acerca dos amores de D. Pedro e Inês, pois o livro começa depois da morte desta última. Aqui conhecemos um rei possesso e torturado pelo amor que não concretizou e que desenvolve uma estranha obsessão por fazer justiça, precisamente por se achar vítima de falta dela. D. Inês é também abordada de uma forma mais racional do que o que estamos habituados nas leituras sobre o assunto, em que toda a ambição social pertence a seus irmãos. Desta feita, ela é também tentada na cobiça. É um livro acessível aos mais jovens, sem demasiados pormenores e com polémica suficiente para se tornar interessante. Contudo, é necessário possuir alguns conhecimentos históricos para percebê-lo na totalidade. O autor colocou, anda, no final do livro algumas informações pertine…

A feira dos assombrados

Terminei a leitura da "Feira dos Assombrados", de José Eduardo Agualusa. É um livro da LeYa e faz parte das obras recomendadas no PNL, se não estou em erro. É bastante acessível e fácil de ler. Por se tratar de um escritor português, na variedade africana, existem alguns vocábulos muito característicos do seu país, Angola. Penso ser bastante apropriado para os alunos (e são muitos) que se assustam com o número de páginas do livro, pois tem somente 142 e a folha é em A5. É interessante perceber uma nova cultura com diferentes credos e formas de vida. Apenas penso que existem contos que necessitavam de ser mais desenvolvidos, pois quando estamos a entrar no enredo, já terminou, ficando alguns pormenores por esclarecer.
"«Agora julgo que vivo», respondeu-lhe Albérico Santoni. «Mas a acreditar no que o povo diz, esteve morto durante muitos anos.»"

Ano novo

Ano novo, mas com esperanças destruídas, caminhos vedados, sonhos cansados, esperanças perdidas... Diferent side, same story!