Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

O brilho azul das estrelas, de Laura Pritchet

Olá,
acabei há dois dias este livro que se lê facilmente. É uma narrativa que decorre a várias vozes, sendo que as principais são de Ben, protagonista da história, doente de Alzeimer; Renny, a esposa de Ben, mulher muito prática e Jess, uma das netas de ambos, que é considerada "esquisita".
Ben tem consciências que sofre de Alzeimer e tudo o que isso implica, então vai escrevendo recados a si próprio, para que possa recordar-se de quem é e que é a sua família. Não esqueceu a sua filha Rachel, assassinada pelo seu próprio marido, Ray. No meio da confusão do seu próprio cérebro, Ben sabe que Ray já cumpriu a sua pena e saiu da prisão. Precisa de não se esquecer que o quer matar... Toda a história gira em torno do seu objetivo e em como os que o rodeiam não o acham capazes de tal, mas todos desconfiam que o fará. No meio de toda esta turbulência, Renny descobre também, porque a morte da sua filha a afastou do marido, que já não se lembrava de como amar.  As palavras póstumas s…

As raparigas

Olá, terminei, ontem, o livro As raparigas, de Emma Cline. Foi-me oferecido no Natal. Foi editado em novembro do ano passado, pela Porto Editora.     Foi com algum receio que vi que a escritora era bastante nova, pois costumo gostar muito dos clássicos e os autores muito recentes, a maior parte das vezes parecem-me "verdinhos". Pois então, Emma Cline, nascida em 1989, propôs-se a escrever um livro sobre adolescentes nos loucos anos 60... e consegue. Ainda que não seja um livro arrebatador e, por vezes, se torne ambíguo, transmite-nos toda a estranha confusão que é a adolescência, a necessidade de aceitação, de amor, de pertença a uma sociedade (seja ela qual for), de existir, ainda que a cara não seja a nossa, o corpo emprestado...     Evie, uma menina de boas famílias, talvez devido à vida familiar vazia e posterior separação dos pais, evidencia a necessidade de se revoltar ao mundo que não a vê. O divórcio dos pais permite-lhe ter uma grande liberdade, que a leva a querer…

A herdeira, de Marion Zimmer Bradley

Fiz mais uma leitura desta autora, que me é muito querida. Ouvi dizer que foi acusada de pedofilia pela própria filha após a sua morte, será verdade?
Bem, este livro, apesar de intrigante em nada se iguala a outros que já li dela. Fala-nos da história de uma psicóloga, Leslie e da sua irmã, Emily. Mudam de casa e enredam-se numa história musical e assombrada. A antiga moradora da casa resolve escolher a sua sucessora em parapsicologia, mas tem um afilhado envolvido em magia negra. A personagem principal é a casa e tudo gira em torno dos fenómenos estranhos que lá acontecem. Interessante sem ser espetacular. A editora é a Difel e tem 386 páginas. Tradução de Rute Rosa da Silva. Sem defeitos a apontar.


Inocência Perdida

Olá,
Inocência Perdida é chocante e sofrido. É um livro biográfico de Somaly Mam. Abandonada, vendida, casada à força, violada fisicamente e psicologicamente, foi escrava sexual num bordel. Esta mulher enfrentou o seu destino e escolheu revivê-lo todos os dias ao salvar outras mulheres do tráfico humano, da escravidão social e da morte. Ela conseguiu regatear a sua sorte e funda uma ONG que ajuda as mulheres escravizadas no Camboja. Também tem um site no facebook https://www.facebook.com/afesip/ Durante a leitura do livro não queria a acreditar que esta história era tão recente, tão atual... senti repugnância por este mundo. Assusta-me o que vou deixar às outras gerações. É atroz o que as mulheres ainda vivem em algumas partes do mundo, é inacreditável que as culturas não se modifiquem com o tempo.  Leiam, por favor. É um livro violento, que nos dá um murro no estômago, mas nos alerta para a triste realidade da escravidão sexual. A minha edição é da ASA, de 2008 e tem 173 páginas. Cus…

Abril despedaçado

Olá,

a minha última leitura foi Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré. É um livro publicado pela editora Publicações Dom Quixote, com tradução de Magda Bigotte de Figueiredo, com a 1.ª edição de maio de 2002. Este livro trata-se de uma obra inspirada nas antigas tragédias. Relata a saga de vingança enraizada numa zona montanhosa da Albânia, que ceifa vidas, ou seja, a vingança é o motor económico da região, além de assente em variadíssimas tradições seculares que apelam à constante renovação de derramamento de sangue ou de exílio voluntário. Confesso que não gostei do livro e que me desiludiu. Talvez ainda não tenha a maturidade necessária para apelar aos constantes monólogos interiores das personagens. Não recomendo e não voltaria a ler. A fotografia da capa não corresponde à edição que eu li, mas foi a que encontrei. Sei também que existe um filme brasileiro baseado neste livro e que tem o mesmo nome.

Sou o último judeu

Olá,

a minha última leitura foi Sou o último judeu, de Chil Rajchman. É um livro com 140 páginas, que se lê muito rapidamente para quem bom estômago para digerir a atrocidade de uma descrição pormenorizada do que foi um campo de exterminação.
O autor, é também o sobrevivente de Treblinka. Destinado à morte, tornou-se "dentista". Retirava os dentes de ouro ou de diamante que os mortos das câmaras de gás produziam. Aqui, ficamos a saber os horrores das casas dos horrores, a crueldade que não achamos possível pertencer a tantos humanos. A descrição sórdida do poder desvairado, que achamos apenas próprio de seriall killers. Medo!
Medo que o mundo se transforme novamente neste ódio terrível e indescritível. Medo que o Homem não tenha aprendido o suficiente. Já passou! Verdade que sim, mas não passou assim há tanto tempo e o desejo é que nunca se esqueçam, para que jamais se repita.

"De Inverno, os criminosos deixam as mulheres destinadas às câmaras de gás a um frio de vinte e…

Prémio Nobel da Literatura 2010

Olá,
por falar em prémio Nobel da Literatura, concluí ontem o título Pantaleão e as Visitadoras, de Mario Varghas Llosa, Nobel da Literatura em 2010. Já o tenho há algum tempo, mas confesso que a capa (como a que vêem) pouco apelativa, da editora D. Quixote, não contribuiu para que me apressasse a lê-lo. Nunca tinha lido nada deste autor e confesso que esperava uma leitura tão enfadonha como a capa. Fui surpreendida! O livro, apesar de não ter uma leitura muito fácil, é extremamente irónico e humorístico, além de ser... atual. Narra a história de um exército, que à força de violações "consegue" que o Exército permita um serviço de favores sexuais, dirigido pelo capitão Pantoja, exímio em qualquer das suas missões, que o leva a sério e trata este "departamento do Exército" com extrema disciplina e diligência. Custa-lhe um casamento que a obrigação recupera e, por pouco, a despromoção pela ordem cumprida ao limite. Escusado será dizer que entre as mais curiosas desc…

Sem tempo...

As leituras não pararam, eu é que parei de as comentar aqui. Os amigos não desapareceram, eu é que deixei de os ver tantas vezes. O trabalho não acabou, eu é que tenho menos tempo para ele.
Porquê?!
Porque tenho algo que me interessa mais que isso tudo: sou Mãe e há tanta coisa que muda, menos o prazer de ver o seu sorriso e sentir o seu cheiro.



O leitor, de Bernhard Schlink

Bem, as maravilhas da maternidade não me têm deixado muito espaço para leituras, mas tenho-me redimido sempre que posso e o sono me permite. Entre outras leituras (escassas) o título acima foi a última.
Tinha curiosidade em ler este livro há já algum tempo, também devido aos positivos comentários que causou o filme que ele proporcionou. Foi uma leitura agradável, apesar de achar que, por vezes, se tornava monótono nas suas descrições de divagações, não propriamente essenciais para a progressão do enredo. Conta-nos, então, a história de um adolescente que se apaixona por uma mulher  mais velha que não sabe ler, mas que nunca o confessa e, devido a isso, envereda por uma profissão menos glamorosa, guarda num campo de concentração. É também essa profissão que a leva à prisão. Não abriu as portas de uma igreja em chamas, que albergava mulheres e crianças judias, vindas de um campo de concentração. Não querendo nunca declarar o seu analfabetismo, acaba condenada por muito mais do que fez.…

Arquipélago, de Joel Neto

Não sendo açoriana, moro nos Açores há alguns anos e foi com interesse que adquiri este livro.  Inicialmente adorei-o, a história de José Artur como professor frustrado, cheio de ambivalências e vida pessoal conseguiu convencer-me que devia ler as 455 páginas que se apresentavam pela frente. O pitoresco da linguagem e a caracterização de personagens tão fiel a tudo o que vejo diariamente incentivavam o meu instinto literário, num livro que adquire um tom próprio e com poucos erros (detetei apenas 1) prossegui sem arrependimentos pela aquisição de 20 euros. No final, apaixonei-me pelo José Artur e pelo seu filho André e desfrutei do avô José Guilherme como se fosse meu. De negativo, aponto talvez o bruxo, personagem que aparece no final e que me parece demasiado fantasiosa, mas penso que é apenas um apontamento pessoal. Sem dúvida que vale a pena ler e que o seu autor deve prosseguir na reflexão desta identidade.

A ofensa, de Ricardo Menéndez Salmón

Iniciei este livro com alguma espetativa. Gosto, normalmente, de livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Este, foi uma desilusão. Centra-se, sobretudo, numa única personagem, que trabalhava como alfaiate, é recrutado para servir a Alemanha na sua atroz campanha mundial. Assiste ao primeiro massacre em massa e deixa de sentir. Entende, mas não sente, os seus orgãos ficam inanimados, ainda que vivos. O livro é muito curto e gira todo em torno da tentativa de voltar à "vida", deste humilde alfaiate. Lê-se muito rapidamente, mas desperta pouco interesse. Tem uma ótima encadernação e as folhas são de boa qualidade.
"Quando Ermelinde lhe anunciou que estava frávida, por um momento Kurt pensou que se daria o milagre. Mas aquela sombra de sensação, um breve relâmpago de calor ou de medo ou de plena e pura alegria que pareceu esboçar-se-lhe na nuca, um lugar onde - lembrava-se bem - se concentravam as emoções, enganou-o apenas durante um segundo."

A queda de Atlântida, de Marion Zimmer Bradley

Continuo a adorar esta escritora e quanto mais leio, mais quero ler. Este livro prendeu-me desde a primeira à última página.  Domaris e Deoris, duas irmãs com uma ligação muito maior que o próprio sangue. Vivem num templo, são amadas e odiadas, amam e odeiam com a mesma intensidade. E eis quando o universo parece separá-las, a sua força e o seu Karma unem-nas para sempre e "para sempre" parece muito tempo, mas muitas vidas virão...
"Impaciente, Domaris andava para trás e para diante no seu quarto. Os dias cansativos e as noites que se tinham arrastado, só tinham feito com que o inevitável estivesse mais próximo e, agora, o momento da decisão estava perante si. Decisão? Não, a decisão já fora tomada. Era apenas o tempo de agir que tinha chegado, a altura de garantir o cumprimento da sua palavra empenhada. Que interessava o facto de a sua promessa a Arvath ter sido feita numa época em que era completamente ignorante relativamente às consequências dessa promessa?"
O m…

Os filhos do afecto, de Torey Hauden

Este livro apresenta-se escrito na 1.ª pessoa, Uma professora que vive da escola e para a escola, como a tantos acontece, docente de uma disciplina de Estudo Acompanhado, recebe na sua sala aqueles que não se enquadram numa sala "normal". O universo é construído por esta professora, por uma aluna que depois de ter sofrido violência nas mãos do pai não consegue ler, nem reconhecer os números, Lori; um autista, Boo; um inadaptado que viu o pai morrer, Tommaso; e uma criança de 12 anos que está grávida e não se enquadra num colégio religioso, nem numa turma regular. Todos eles vão sendo descobertos aos poucos, com as suas singularidades, belezas e fragilidades. Refletimos em quanto estes miúdos nos passam ao lado, na margem, não conseguem integrar-se num sistema que os quer integrados e não são descobertos num mundo de programas e metas a cumprir. Um livro intenso que nos choca pela nossa insensibilidade, pela nossa vontade de fechar os olhos ao que não é "normal", e…

Farta

Por vezes fico farta que os projetos não possam ser assumidos com o mesmo vigor, responsabilidade e ética que eu os assumo. Não tolero falhas, não tolero desculpas, não tolero insensatez, não tolero faltas de responsabilidade... Tudo na minha vida foi feito em consciência e com consciência, envolvo-me, levo todos os papéis a sério e a peito, não sei fazer de conta que tenho nível, tenho a boca ligada ao cérebro, tenho a vontade pura de esganar os injustos, os tolos, os parvos que assumem tudo a meias e por metade. Visto a camisola, sei ser, ajustar-me, não vivo de falsas promessas, não confio mais que uma vez, não perdoo e não esqueço. Sou amarga? Sim, porque só conto comigo e em mim concebo todos os sonhos do mundo e cada vez que incluo alguém... arrependo-me.

Perdoai as nossas ofensas, de Romain Sardou

Ao início não gostei nada, demasiados pormenores e informação, os nomes das personagens eram difíceis de fixar, enfim...pensei que tinha uma "seca" pela frente, metade do livro foi passado a "mastigá-lo" e a olhar para a prateleira dos que ainda não mereceram a minha atenção. Depois, foi-me entusiasmando e acabei por achá-lo tragável.  Uma história intimamente ligada à igreja e aos seus métodos, por vezes, pouco ortodoxos, para evangelizar infiéis, desenrola-se a história entre os padres bons e maus, a busca de uma verdade escondida, o segredo da personalidade torta dos religiosos... não é uma leitura fácil, mas que acaba por envolver o leitor persistente.
"Os dois correios deviam partir com toda a urgência. A primeira missiva era dirigida ao senhor Enguerran du GrandCellier no seu castelo de Morvilliers ou em qualquer local dos seus domínios. Aja selou as duas cartas com o seu anel episcopal: uma cruz e uma máscara. Sem recomendação suplementar, o secretário…

o jogo preferido, de Leonard Cohen

Não tenho publicado posts sobre leitura, mas tenho lido, como sempre... Acabei de ler o título acima e confesso que não fiquei impressionada. As personagens não me encantaram, a história também não, mas lê-se com alguma facilidade e sem perder o fio à meada.  Conta a história de Breavman, personagem, escritor, amante, filho. Homem que tem medo de amar qualquer mulher, mas desenvolve uma relação demasiado próxima com o seu melhor amigo.  E pronto... não tenho muito mais a dizer.

O verde.

Sou do Sporting Clube de Portugal desde pequenina, o meu dever filial para com o meu avô não me deixou mudar de clube, nem tão pouco desistir. Fez-me bem. Aprendi que não se pode ganhar sempre na vida e que a vitória (sem ser a águia do Benfica) tem um sabor doce e delicado. Mais tarde, como estudante de letras, o verde assumiu outra importância, a sua simbologia evidenciou-se com a minha tão agradada palavra "esperança", motor de busca incessante e de caminho de sucesso. Por vezes é melhor o caminho do que a meta. Depois vim morar para um sitio onde o verde me enche a alma, me traz frescura, sossego, vida... daquelas divagações que me perco onde me encontro. Gosto do verde porque me habituei a ele, porque a vida parece mais alegre com esta cor, porque acolhe pensamentos positivos, porque me faz bem a mim e ao mundo. O meu filho balança no dever filial de ser verde ou vermelho (espero que seja verde), mas sei de antemão que estou em desvantagem, já passei o mesmo com o meu …

Kelly Clarkson - Stronger (What Doesn't Kill You)

Sou uma mulher e mãe apaixonada

Avicii - The Days (Lyric Video)

Porque os meus dias andam repletos de coisas boas...