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Mensagens

A sacerdotisa de Avalon, de Marion Zimmer Bradley

Olá,
mais uma leitura despachada. À semelhança do que aconteceu com a maior parte dos livros desta escritora (à exceção de um - A herdeira), adorei-o. Voltamos às brumas e à história de Eilan, que se mistura com a História do império romano. Eilan seria sacerdotisa, mas os encalços do amor aproximaram-na de Constâncio, por quem se apaixonou à primeira vista. Nas fogueiras de Beltane, toma o lugar de uma amiga e ama este homem. Descoberta a façanha, ela deixa Avalon e parte com ele. Cisrcunstâncias políticas levam a que este se una, pelo casamento, a outra mulher, mas sem nunca a esquecer, nem ao seu filho Constantino. Constantino sucede o pai na escalada pelo poder, mas deixa-a participar ativamente na sua prática política e na educação do seu 1.º filho, Crispo. Unido pelo casamento a Fausta, a última acaba por conseguir que mande matar o seu próprio filho por um crime que este nunca cometeu. Eilan, então Helena, nunca lhe perdoa este ato monstruoso e parte em recuperação da mulher d…

O viajante assassino

Olá,
esta foi a minha última leitura e... não gostei. Não sou propriamente indicada para falar deste tipo de livro. Não sou muito fã de policiais, mas de vez em quando arrisco. Arrisquei e não gostei. O livro é extenso, tem 447 páginas e muita gente. São muitas personagens e intrigas, mas, sobretudo, muitas descrições (até receitas tem!!!).  Começa com o assassínio da mulher e filha de um policial entregue ao álcool. Tem marcas específicas e um modus operandi muito particular, que apesar de interessante, não é explorado na totalidade. Desfilam inúmeras personagens e situações, a meu ver, demasiado coincidentes para serem verídicas e, como seria de esperar, o assassino é um "suposto" conhecido / amigo, que desconfiei a meio do livro. Enfim, gostei pouco e achei um desperdício de páginas. A minha edição é da Presença e data de 2005.
"Quando uma trama começa a desvendar-se, tudo acontece muito depressa. Tivemos sorte naquele dia. Toda a gente acaba por ser bafejada pela so…

Porque escolhi viver, Yeonmi Park

Depois de ter lido há relativamente pouco tempo o Inocência Perdida e os Bebés de Auschwitz estava a precisar de algo mais suave, mas como o livro foi emprestado por uma colega resolvi dedicar-me a esta leitura. Fiquei mais uma vez surpreendida pelo meu desconhecimento do mundo e dos humanos. Quem viveu uma Segunda Guerra Mundial, este mundo devia ter mais juízo. Uma coisa é, esporadicamente, ouvirmos umas notícias acerca da Coreia do Norte e acharmos que são todos loucos; outra coisa é lermos este relato na 1.ª pessoa e pensar "Que sorte que eu tenho de ter nascido em Portugal!" O livro espantou-me pela amplitude que tem. A descrição da vida na Coreia do Norte é atroz e confesso que inicialmente achei que era um pouco fantasiosa. É um livro biográfico. A autora, mulher de força, descreve com uma simplicidade de quem viveu as inúmeras carências de uma infância e adolescência perdidas, e arrasta-nos para uma espiral de sofrimento e ... pasmem-se: esperança. Ela nasceu e pass…

Bons alunos e boas pessoas

Sou professora. Não sou perfeita, mas tento fazer o meu melhor. Leio vários artigos e publicações sobre educação com os quais discordo e outros mais ou menos.  Ouço com frequência colegas meus dizerem que já ajudaram a formar médicos, juízes, atores famosos... Ninguém fala na Mãe, no professor, no auxiliar, na senhora das limpezas... Antes de me preocupar se os meus alunos vão ganhar muito ou pouco, preocupo-me que sejam felizes, que sejam bons seres humanos, que possamos confiar no nosso futuro. Magoa-me que apenas nos lembremos daqueles que chegaram mais acima na tabela hierárquica, porque esses também podem ser os vilões, os tristes, os infelizes... os maus. Não quero com isto dizer que sou pelos fracos e oprimidos. Não é isso. Na minha sala de aula quero esquecer a sua origem, quero olhá-los de igual forma, mesmo que eles não o façam, quero prepará-los a todos e tocá-los enquanto PESSOA. Quero orgulhar-me das suas ações antes da sua formação profissional, quero que eles cheguem o…

Os bebés de Auschwitz, e Wendy Holden #marçofeminino

Mesmo a terminar março, findei a minha segunda leitura de uma escritora.
Este livro é intenso, muito forte... capaz de levar-nos às lágrimas. Tive de parar inúmeras vezes e esperar, por vezes, alguns dias, até retomar a leitura. Já li muito sobre o Holocausto, mas continuo a não conseguir ficar indiferente e ainda bem. Este livro retrata a vida de famílias dizimadas pelo regime hitleriano e a certeza de mulheres mães, mulheres heroínas, sobreviventes e dos seus filhos cheios de vontade de viver. É tocante, escandaloso e dorido o que lemos nestes testemunhos. Um excelente trabalho desta escritora, que apenas se pode tornar aborrecido, para os menos interessados no tema, devido a algumas partes descritivas históricas.
"Mandaram-nos para a floresta e depois mataram-nos todos a tiro." disse Sala. "O meu irmão foi um dos que tiveram de limpar a sujidade da matança e, acabada a limpeza, também mataram os que limparam. Mandaram-no tirar a roupa, que mais tarde foi encontrada p…

Esteja eu onde estiver, Romana Petri #marçofeminino

Romana Petri é italiana, desconfiei. Como é que uma italiana vai escrever um livro de Portugal, ainda por cima com 567 páginas?! e desenrolado ao longo do século XX?!
Margarida, mulher sofrida, sem casa, apaixona-se por Carlos Freitas, que lhe deixa uma casa arrendada, uma filha e mágoa de um grande amor casado e com aspirações financeiras maiores.
Custódia, solteirona, casa com galã machista, Belmiro, que gosta de dinheiro e muitas mulheres. Vive amargurada, mitigando a sua dor de forma egoísta e singular. É patroa de Margarida, a quem deverá os poucos momentos de felicidade da sua vida.
Maria do Céu, filha de Margarida, afilhada de Custódia. Mulher forte e lutadora, como a sua mãe, cria 3 filhos de um marido ausente, Tiago, traidor e fraco. 
Rita, Vasco e Joana, filhos de Maria do Céu e Tiago ficamos a conhecê-los e com vontade de saber o resto das suas vidas.
Ainda conhecemos Violeta, uma deficiente física, irmã de Belmiro, que cuida de Maria do Céu, mas nunca é aceite pelo irmão.

O brilho azul das estrelas, de Laura Pritchet

Olá,
acabei há dois dias este livro que se lê facilmente. É uma narrativa que decorre a várias vozes, sendo que as principais são de Ben, protagonista da história, doente de Alzeimer; Renny, a esposa de Ben, mulher muito prática e Jess, uma das netas de ambos, que é considerada "esquisita".
Ben tem consciências que sofre de Alzeimer e tudo o que isso implica, então vai escrevendo recados a si próprio, para que possa recordar-se de quem é e que é a sua família. Não esqueceu a sua filha Rachel, assassinada pelo seu próprio marido, Ray. No meio da confusão do seu próprio cérebro, Ben sabe que Ray já cumpriu a sua pena e saiu da prisão. Precisa de não se esquecer que o quer matar... Toda a história gira em torno do seu objetivo e em como os que o rodeiam não o acham capazes de tal, mas todos desconfiam que o fará. No meio de toda esta turbulência, Renny descobre também, porque a morte da sua filha a afastou do marido, que já não se lembrava de como amar.  As palavras póstumas s…

As raparigas

Olá, terminei, ontem, o livro As raparigas, de Emma Cline. Foi-me oferecido no Natal. Foi editado em novembro do ano passado, pela Porto Editora.     Foi com algum receio que vi que a escritora era bastante nova, pois costumo gostar muito dos clássicos e os autores muito recentes, a maior parte das vezes parecem-me "verdinhos". Pois então, Emma Cline, nascida em 1989, propôs-se a escrever um livro sobre adolescentes nos loucos anos 60... e consegue. Ainda que não seja um livro arrebatador e, por vezes, se torne ambíguo, transmite-nos toda a estranha confusão que é a adolescência, a necessidade de aceitação, de amor, de pertença a uma sociedade (seja ela qual for), de existir, ainda que a cara não seja a nossa, o corpo emprestado...     Evie, uma menina de boas famílias, talvez devido à vida familiar vazia e posterior separação dos pais, evidencia a necessidade de se revoltar ao mundo que não a vê. O divórcio dos pais permite-lhe ter uma grande liberdade, que a leva a querer…

A herdeira, de Marion Zimmer Bradley

Fiz mais uma leitura desta autora, que me é muito querida. Ouvi dizer que foi acusada de pedofilia pela própria filha após a sua morte, será verdade?
Bem, este livro, apesar de intrigante em nada se iguala a outros que já li dela. Fala-nos da história de uma psicóloga, Leslie e da sua irmã, Emily. Mudam de casa e enredam-se numa história musical e assombrada. A antiga moradora da casa resolve escolher a sua sucessora em parapsicologia, mas tem um afilhado envolvido em magia negra. A personagem principal é a casa e tudo gira em torno dos fenómenos estranhos que lá acontecem. Interessante sem ser espetacular. A editora é a Difel e tem 386 páginas. Tradução de Rute Rosa da Silva. Sem defeitos a apontar.


Inocência Perdida

Olá,
Inocência Perdida é chocante e sofrido. É um livro biográfico de Somaly Mam. Abandonada, vendida, casada à força, violada fisicamente e psicologicamente, foi escrava sexual num bordel. Esta mulher enfrentou o seu destino e escolheu revivê-lo todos os dias ao salvar outras mulheres do tráfico humano, da escravidão social e da morte. Ela conseguiu regatear a sua sorte e funda uma ONG que ajuda as mulheres escravizadas no Camboja. Também tem um site no facebook https://www.facebook.com/afesip/ Durante a leitura do livro não queria a acreditar que esta história era tão recente, tão atual... senti repugnância por este mundo. Assusta-me o que vou deixar às outras gerações. É atroz o que as mulheres ainda vivem em algumas partes do mundo, é inacreditável que as culturas não se modifiquem com o tempo.  Leiam, por favor. É um livro violento, que nos dá um murro no estômago, mas nos alerta para a triste realidade da escravidão sexual. A minha edição é da ASA, de 2008 e tem 173 páginas. Cus…

Abril despedaçado

Olá,

a minha última leitura foi Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré. É um livro publicado pela editora Publicações Dom Quixote, com tradução de Magda Bigotte de Figueiredo, com a 1.ª edição de maio de 2002. Este livro trata-se de uma obra inspirada nas antigas tragédias. Relata a saga de vingança enraizada numa zona montanhosa da Albânia, que ceifa vidas, ou seja, a vingança é o motor económico da região, além de assente em variadíssimas tradições seculares que apelam à constante renovação de derramamento de sangue ou de exílio voluntário. Confesso que não gostei do livro e que me desiludiu. Talvez ainda não tenha a maturidade necessária para apelar aos constantes monólogos interiores das personagens. Não recomendo e não voltaria a ler. A fotografia da capa não corresponde à edição que eu li, mas foi a que encontrei. Sei também que existe um filme brasileiro baseado neste livro e que tem o mesmo nome.

Sou o último judeu

Olá,

a minha última leitura foi Sou o último judeu, de Chil Rajchman. É um livro com 140 páginas, que se lê muito rapidamente para quem bom estômago para digerir a atrocidade de uma descrição pormenorizada do que foi um campo de exterminação.
O autor, é também o sobrevivente de Treblinka. Destinado à morte, tornou-se "dentista". Retirava os dentes de ouro ou de diamante que os mortos das câmaras de gás produziam. Aqui, ficamos a saber os horrores das casas dos horrores, a crueldade que não achamos possível pertencer a tantos humanos. A descrição sórdida do poder desvairado, que achamos apenas próprio de seriall killers. Medo!
Medo que o mundo se transforme novamente neste ódio terrível e indescritível. Medo que o Homem não tenha aprendido o suficiente. Já passou! Verdade que sim, mas não passou assim há tanto tempo e o desejo é que nunca se esqueçam, para que jamais se repita.

"De Inverno, os criminosos deixam as mulheres destinadas às câmaras de gás a um frio de vinte e…

Prémio Nobel da Literatura 2010

Olá,
por falar em prémio Nobel da Literatura, concluí ontem o título Pantaleão e as Visitadoras, de Mario Varghas Llosa, Nobel da Literatura em 2010. Já o tenho há algum tempo, mas confesso que a capa (como a que vêem) pouco apelativa, da editora D. Quixote, não contribuiu para que me apressasse a lê-lo. Nunca tinha lido nada deste autor e confesso que esperava uma leitura tão enfadonha como a capa. Fui surpreendida! O livro, apesar de não ter uma leitura muito fácil, é extremamente irónico e humorístico, além de ser... atual. Narra a história de um exército, que à força de violações "consegue" que o Exército permita um serviço de favores sexuais, dirigido pelo capitão Pantoja, exímio em qualquer das suas missões, que o leva a sério e trata este "departamento do Exército" com extrema disciplina e diligência. Custa-lhe um casamento que a obrigação recupera e, por pouco, a despromoção pela ordem cumprida ao limite. Escusado será dizer que entre as mais curiosas desc…

Sem tempo...

As leituras não pararam, eu é que parei de as comentar aqui. Os amigos não desapareceram, eu é que deixei de os ver tantas vezes. O trabalho não acabou, eu é que tenho menos tempo para ele.
Porquê?!
Porque tenho algo que me interessa mais que isso tudo: sou Mãe e há tanta coisa que muda, menos o prazer de ver o seu sorriso e sentir o seu cheiro.



O leitor, de Bernhard Schlink

Bem, as maravilhas da maternidade não me têm deixado muito espaço para leituras, mas tenho-me redimido sempre que posso e o sono me permite. Entre outras leituras (escassas) o título acima foi a última.
Tinha curiosidade em ler este livro há já algum tempo, também devido aos positivos comentários que causou o filme que ele proporcionou. Foi uma leitura agradável, apesar de achar que, por vezes, se tornava monótono nas suas descrições de divagações, não propriamente essenciais para a progressão do enredo. Conta-nos, então, a história de um adolescente que se apaixona por uma mulher  mais velha que não sabe ler, mas que nunca o confessa e, devido a isso, envereda por uma profissão menos glamorosa, guarda num campo de concentração. É também essa profissão que a leva à prisão. Não abriu as portas de uma igreja em chamas, que albergava mulheres e crianças judias, vindas de um campo de concentração. Não querendo nunca declarar o seu analfabetismo, acaba condenada por muito mais do que fez.…

Arquipélago, de Joel Neto

Não sendo açoriana, moro nos Açores há alguns anos e foi com interesse que adquiri este livro.  Inicialmente adorei-o, a história de José Artur como professor frustrado, cheio de ambivalências e vida pessoal conseguiu convencer-me que devia ler as 455 páginas que se apresentavam pela frente. O pitoresco da linguagem e a caracterização de personagens tão fiel a tudo o que vejo diariamente incentivavam o meu instinto literário, num livro que adquire um tom próprio e com poucos erros (detetei apenas 1) prossegui sem arrependimentos pela aquisição de 20 euros. No final, apaixonei-me pelo José Artur e pelo seu filho André e desfrutei do avô José Guilherme como se fosse meu. De negativo, aponto talvez o bruxo, personagem que aparece no final e que me parece demasiado fantasiosa, mas penso que é apenas um apontamento pessoal. Sem dúvida que vale a pena ler e que o seu autor deve prosseguir na reflexão desta identidade.

A ofensa, de Ricardo Menéndez Salmón

Iniciei este livro com alguma espetativa. Gosto, normalmente, de livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Este, foi uma desilusão. Centra-se, sobretudo, numa única personagem, que trabalhava como alfaiate, é recrutado para servir a Alemanha na sua atroz campanha mundial. Assiste ao primeiro massacre em massa e deixa de sentir. Entende, mas não sente, os seus orgãos ficam inanimados, ainda que vivos. O livro é muito curto e gira todo em torno da tentativa de voltar à "vida", deste humilde alfaiate. Lê-se muito rapidamente, mas desperta pouco interesse. Tem uma ótima encadernação e as folhas são de boa qualidade.
"Quando Ermelinde lhe anunciou que estava frávida, por um momento Kurt pensou que se daria o milagre. Mas aquela sombra de sensação, um breve relâmpago de calor ou de medo ou de plena e pura alegria que pareceu esboçar-se-lhe na nuca, um lugar onde - lembrava-se bem - se concentravam as emoções, enganou-o apenas durante um segundo."

A queda de Atlântida, de Marion Zimmer Bradley

Continuo a adorar esta escritora e quanto mais leio, mais quero ler. Este livro prendeu-me desde a primeira à última página.  Domaris e Deoris, duas irmãs com uma ligação muito maior que o próprio sangue. Vivem num templo, são amadas e odiadas, amam e odeiam com a mesma intensidade. E eis quando o universo parece separá-las, a sua força e o seu Karma unem-nas para sempre e "para sempre" parece muito tempo, mas muitas vidas virão...
"Impaciente, Domaris andava para trás e para diante no seu quarto. Os dias cansativos e as noites que se tinham arrastado, só tinham feito com que o inevitável estivesse mais próximo e, agora, o momento da decisão estava perante si. Decisão? Não, a decisão já fora tomada. Era apenas o tempo de agir que tinha chegado, a altura de garantir o cumprimento da sua palavra empenhada. Que interessava o facto de a sua promessa a Arvath ter sido feita numa época em que era completamente ignorante relativamente às consequências dessa promessa?"
O m…

Os filhos do afecto, de Torey Hauden

Este livro apresenta-se escrito na 1.ª pessoa, Uma professora que vive da escola e para a escola, como a tantos acontece, docente de uma disciplina de Estudo Acompanhado, recebe na sua sala aqueles que não se enquadram numa sala "normal". O universo é construído por esta professora, por uma aluna que depois de ter sofrido violência nas mãos do pai não consegue ler, nem reconhecer os números, Lori; um autista, Boo; um inadaptado que viu o pai morrer, Tommaso; e uma criança de 12 anos que está grávida e não se enquadra num colégio religioso, nem numa turma regular. Todos eles vão sendo descobertos aos poucos, com as suas singularidades, belezas e fragilidades. Refletimos em quanto estes miúdos nos passam ao lado, na margem, não conseguem integrar-se num sistema que os quer integrados e não são descobertos num mundo de programas e metas a cumprir. Um livro intenso que nos choca pela nossa insensibilidade, pela nossa vontade de fechar os olhos ao que não é "normal", e…

Farta

Por vezes fico farta que os projetos não possam ser assumidos com o mesmo vigor, responsabilidade e ética que eu os assumo. Não tolero falhas, não tolero desculpas, não tolero insensatez, não tolero faltas de responsabilidade... Tudo na minha vida foi feito em consciência e com consciência, envolvo-me, levo todos os papéis a sério e a peito, não sei fazer de conta que tenho nível, tenho a boca ligada ao cérebro, tenho a vontade pura de esganar os injustos, os tolos, os parvos que assumem tudo a meias e por metade. Visto a camisola, sei ser, ajustar-me, não vivo de falsas promessas, não confio mais que uma vez, não perdoo e não esqueço. Sou amarga? Sim, porque só conto comigo e em mim concebo todos os sonhos do mundo e cada vez que incluo alguém... arrependo-me.