Avançar para o conteúdo principal

À conversa com Luís Oliveira (parte 5)




Como é que conseguem conciliar uma postura subversiva e tão crítica com a necessária divulgação dos vossos livros?




Nós tentamos encontrar algum equilíbrio. Há anos que não fazemos publicidade (embora isso não me repugne), mas o nosso projecto é muito conhecido, os nossos livros quando saem encontram imediatamente leitores, que já conhecem a Antígona. Enviamos permanentemente informações para os meios de divulgação - rádios, jornais, televisões - mas interferimos muito pouco com isso, esperamos calmamente que nos peçam os livros depois dessa informação.


Depois, temos uma distribuidora, a Sodilivros, que tem feito um trabalho extraordinário e cujos administradores têm sido muito compreensíveis em relação à Antígona. Ajudaram-nos muito quando saímos da falência de uma outra distribuidora, a Diglivro. Não estarámos aqui hoje se não fosse a sua ajuda e generosidade.






Qual é a importância da Feira do Livro para vocês?




É muito cansativa, muito cara, muito trabalhosa e os resultados imediatos, em termos comerciais, são muito frágeis. Todos os anos me apetece desistir da feira e todos os anos vou à feira. Porquê? Porque apesar de tudo, é o único momento em que podemos contactar com um público vasto, entregar o nosso catálogo, dar uma palavrinha a quem nos procura, expormos as nossas ideias... Entregamos uns milhares de catálogos, há pessoas que deixam o seu contacto para receberem informação... é um trabalho do qual não podemos abdicar.


Agora, a feira, de certa maneira, não tem tido inovações, apesar do esforço da Câmara (Municipal de Lisboa)... é uma coisa estática. E também porque nós não temos associações, há duas associações que não se entendem, portanto, não têm força. Seria bom que as duas associações compreendessem que o valor dos livros, que o acto criador que o livro comporta é mais importante que as tricas deles, do que a mentalidade deles, as burrices deles. Que se unam e construam uma associação que defenda, de facto, o livro e os seus associados.






Num dos textos publicados no livro "A Promessa de Antígona - Dez Anos", editado para assinalar os 10 anos da editora, escreve que "o livro de boa capa, sempre escapa...". Qual é a importância do grafismo nos vossos livros?




Nós damos uma grande importância à parte gráfica, ao humor que a capa pode transportar, ao lettering... a estética é muito importante, esse embrulho que contém a mensagem. Uma boa capa pode criar no leitor a vontade de ter o livro, ter esse objecto. Uma má capa, uma capa feia, pode afastar o leitor de um bom livro. E penso que temos sido felizes na linha gráfica que temos defendido. Quando lançámos o "1984", do Orwell, fizemos um cartaz com a fotografia de um soldado, na guerra do Golfo, com uns óculos para ver à noite, parecia quase um tanque, uma arma de guerra. E partiram-nos a montra para roubar esse cartaz. Nós ficamos contentes com isso porque demonstrou que acertámos na imagem que escolhemos.






A Antígona editou em 2005: Os Americanos de Henry Louis Mencken, que nos transporta para as lúcidas observações do autor sobre este povo; Portugal de Relance de Maria Rattazzi, que retrata a sociedade portuguesa do século XIX; e A Traficante de Crianças de Gabrielle Wilttkop, que nos remete para a história de uma alcoviteira do século XVIII.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eu Quero Viver - Nina Lugovskaia

Andei a ler este livro, terminei-o há 2 dias e tive uma grande desilusão. Bem, é certo que eu já não tinha gostado de "O Diário de Anne Frank", por isso, também não gostei deste. Passei o livro todo a pensar que a jovem era normalíssima apesar de viver no regime de Estaline. As preocupações eram as mesmas de qualquer jovem com a idade dela, aliás até a achei um pouco acriançada dadas as circunstâncias e os seus 18 anos de idade. Enfim, um fiasco! Não consigo gostar mesmo, porque fico sempre à espera de detalhes e pensamentos que eu acharia próprios da época e do contexto e acabo por achar que as jovens sofreram um bocado sim, mas isso não as fez diferentes da grande maioria dos jovens de hoje com a mesma idade, inclusivê esta abusa do egocentrismo e preocupação estética de uma forma quase doentia. Gostaria de ter mais para dizer, mas de facto, o livro não me despertou grande atenção. Na minha opinião: não comprem!

Onde não pertenço

Todos os anos o mesmo fado, mala às costas e aí vou eu. Assim, desde os 18 (talvez mais cedo, mas não com tanta frequência), para onde vou não sei bem, mas agarro-me à ideia fixa de que sou ribatejana e sinto saudades do Tejo tão meu e tão distante há tanto tempo. Necessidade de ter origens, de ter resposta quando me perguntam todos os anos "de onde vens?" quando eu queria era saber responder para onde vou...e fico. Adapto-me, pertenço, enquadro e interiorizo a nova identidade do que não posso mudar. E depois, onde pertenço é onde estou, todos os anos... para o ano podem perguntar-me só de onde venho?!?!? É que já não sei muito bem de onde sou neste livro que escrevo com a pena carregada de saudades e desilusões.

D. Sebastião e o vidente, de Deana Barroqueiro

É um calhamaço!! Conta com 629 páginas, rebuscadas, com um vocabulário erudito, muitas personagens, mas ... fascinante! Este livro, obviamente, relata a história de vida de D. Sebastião com todos os pormenores, desde a mãe que o deixou, à sua deformidade física, ao seu caráter, bravura... Assim, este pequeno rei, em tamanho e em idade, demonstrou a sua infantilidade nos rasgos de bravura. Inocente, sonhava com a guerra, mas soube antever os interesseiros que lhe apareceram pelo caminho. Existe também Miguel, um menino que nasceu no mesmo dia que ele e que o acompanha ao longo da história, mas que acaba por nunca conseguir aproximar-se o suficiente. É ele o vidente do título, mas a sua personagem acaba por não ser muito "útil", uma vez que é incapaz de mudar o rumo dos acontecimentos, limita-se a admirá-lo ao ponto de o acompanhar à morte. Quem não conhece D. Sebastião, o desejado, aquele que desapareceu em Alcácer Quibir e que regressará envolto no nevoeiro. Cá te es...