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LAR DA CARIDADE PEDE AJUDA (Hosp. do Fogo Selvagem, Aparecida Conceição Ferreira)

Às vezes tenho pena do que as pessoas são capazes de fazer umas às outras, principalmente (e só) quando isso acontece com pessoas humildes que, ou não se defendem ou fazem-no de forma desesperada. Pena não é um sentimento bonito, nem sequer nobre... mas a minha consciência funciona dessa forma. Não gosto de "coitadinhos", nem de "choramingas", mas quando me deparo com alguém que é maltratado e aceita humildemente.
É claro que me lembro destes pormenores até ser eu a vítima, porque eu não tenho humildade e até "fervo em pouca água" com injustiças, ainda mais quando são comigo. E assim vamos acumulando carga em cima dos ombros até que temos lapsos nos nossos conceitos educacionais... Até que um dia começamos a ceder às nossas verdades absolutas, até que um dia começamos a julgar os outros pelos nossos olhos.

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Eu Quero Viver - Nina Lugovskaia

Andei a ler este livro, terminei-o há 2 dias e tive uma grande desilusão. Bem, é certo que eu já não tinha gostado de "O Diário de Anne Frank", por isso, também não gostei deste. Passei o livro todo a pensar que a jovem era normalíssima apesar de viver no regime de Estaline. As preocupações eram as mesmas de qualquer jovem com a idade dela, aliás até a achei um pouco acriançada dadas as circunstâncias e os seus 18 anos de idade. Enfim, um fiasco! Não consigo gostar mesmo, porque fico sempre à espera de detalhes e pensamentos que eu acharia próprios da época e do contexto e acabo por achar que as jovens sofreram um bocado sim, mas isso não as fez diferentes da grande maioria dos jovens de hoje com a mesma idade, inclusivê esta abusa do egocentrismo e preocupação estética de uma forma quase doentia. Gostaria de ter mais para dizer, mas de facto, o livro não me despertou grande atenção. Na minha opinião: não comprem!

Onde não pertenço

Todos os anos o mesmo fado, mala às costas e aí vou eu. Assim, desde os 18 (talvez mais cedo, mas não com tanta frequência), para onde vou não sei bem, mas agarro-me à ideia fixa de que sou ribatejana e sinto saudades do Tejo tão meu e tão distante há tanto tempo. Necessidade de ter origens, de ter resposta quando me perguntam todos os anos "de onde vens?" quando eu queria era saber responder para onde vou...e fico. Adapto-me, pertenço, enquadro e interiorizo a nova identidade do que não posso mudar. E depois, onde pertenço é onde estou, todos os anos... para o ano podem perguntar-me só de onde venho?!?!? É que já não sei muito bem de onde sou neste livro que escrevo com a pena carregada de saudades e desilusões.

D. Sebastião e o vidente, de Deana Barroqueiro

É um calhamaço!! Conta com 629 páginas, rebuscadas, com um vocabulário erudito, muitas personagens, mas ... fascinante! Este livro, obviamente, relata a história de vida de D. Sebastião com todos os pormenores, desde a mãe que o deixou, à sua deformidade física, ao seu caráter, bravura... Assim, este pequeno rei, em tamanho e em idade, demonstrou a sua infantilidade nos rasgos de bravura. Inocente, sonhava com a guerra, mas soube antever os interesseiros que lhe apareceram pelo caminho. Existe também Miguel, um menino que nasceu no mesmo dia que ele e que o acompanha ao longo da história, mas que acaba por nunca conseguir aproximar-se o suficiente. É ele o vidente do título, mas a sua personagem acaba por não ser muito "útil", uma vez que é incapaz de mudar o rumo dos acontecimentos, limita-se a admirá-lo ao ponto de o acompanhar à morte. Quem não conhece D. Sebastião, o desejado, aquele que desapareceu em Alcácer Quibir e que regressará envolto no nevoeiro. Cá te es...