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Fascinante




...era assim que eu pensava que ia ser a vida. Dentro da minha complexa adolescência, achei que a vida ia ser fascinante. Controladora, responsável e...rebelde, era assim que os meus olhos me viam pelo lado positivo e, quanto a mim, os ingredientes secretos para uma vida fascinante. Tudo corria bem, com muito esforço e dependendo (na maior parte do tempo) de mim própria, a minha rebeldia persistente dava frutos de sucesso para os quais ninguém me destinava. Era forte, sabia-o, ia aguentar até lá chegar... Pois, os meus sonhos terminavam com curso, trabalho na área e total independência... Não me safei mal até aqui, mas de repente...terminaram os sonhos principais e os secundários foram adiados para uma efetivação que, provavelmente, nunca chegará...mais estudos eram o sonho.
Bem, considerando que viagens não fazem parte do meu imaginário...bem, tenho tudo feito e agora?! Os meus sonhos terminaram, não era suposto eu saber o que fazer?!
A solução segundo os meus colegas e as pessoas mais velhas era casar e ter filhos. Estava na idade! Sim, estava, não tinha era muita vontade. Ao fim ao cabo já era "mãe" de uma data de familiares que preenchiam a minha necessidade de sentir-me útil e protetora. É aqui que a minha rebeldia reincide, eu ia cumprir esses projetos quando quisesse e se quisesse. Se em tempos cresci demais, agora acho que parei, na medida dos meus sonhos...eu gosto disto de "bon vivant" (mais ou menos assim). Adoro o meu espaço, o meu tempo e dedicar-me àquilo que continua a ser mais importante para mim: a profissão. Pouco, não é? Sim, parece pouco, mas ocupa muito tempo, mas tempo...bem, o tempo muda de significado quando a nossa idade começa com um primeiro algarismo terminado em "inta". Pressão, não gosto de indecisão, a necessidade de controlo reincide. A rebeldia, oh, a rebeldia começa a parecer um idealismo. Crise!
Vi um documentário como o indivíduo se comporta em grupo e a regra é seguir a maioria, mas eu nunca fui pela maioria e costumava ser algo de que me orgulhava, pensar pelos meus próprios meios e provar a meio mundo que não temos de seguir a regra, ser capaz de regredir e recomeçar as vezes que fossem necessárias (eu e os prefixos de repetição temos uma relação muito próxima).
Às tantas deixaram de me chatear, sou novamente um caso perdido, nunca se esperou muito de mim afinal... e se já surpreendi uma vez foi por mero acaso, não vou fazê-lo outra vez. Porque é que penso nisto, nunca fui muito dada à aprovação dos outros, sempre gostei de me ver como alguém modestamente egoísta, porque "Se eu não me sentir bem  comigo, quem sentirá"...o respeito e reconhecimento vieram por acréscimo, não eram requisito essencial, mas afinal... que quero eu? estarei a ceder ás pressões sociais, à família que o meu mundo adolescente esqueceu e que fui recuperando quando tive tempo? Bem...não sei, mas quero ter uma vida fascinante (ainda que só em alguns momentos).


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