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Mensagens

O viajante assassino

Olá,
esta foi a minha última leitura e... não gostei. Não sou propriamente indicada para falar deste tipo de livro. Não sou muito fã de policiais, mas de vez em quando arrisco. Arrisquei e não gostei. O livro é extenso, tem 447 páginas e muita gente. São muitas personagens e intrigas, mas, sobretudo, muitas descrições (até receitas tem!!!).  Começa com o assassínio da mulher e filha de um policial entregue ao álcool. Tem marcas específicas e um modus operandi muito particular, que apesar de interessante, não é explorado na totalidade. Desfilam inúmeras personagens e situações, a meu ver, demasiado coincidentes para serem verídicas e, como seria de esperar, o assassino é um "suposto" conhecido / amigo, que desconfiei a meio do livro. Enfim, gostei pouco e achei um desperdício de páginas. A minha edição é da Presença e data de 2005.
"Quando uma trama começa a desvendar-se, tudo acontece muito depressa. Tivemos sorte naquele dia. Toda a gente acaba por ser bafejada pela so…
Mensagens recentes

Porque escolhi viver, Yeonmi Park

Depois de ter lido há relativamente pouco tempo o Inocência Perdida e os Bebés de Auschwitz estava a precisar de algo mais suave, mas como o livro foi emprestado por uma colega resolvi dedicar-me a esta leitura. Fiquei mais uma vez surpreendida pelo meu desconhecimento do mundo e dos humanos. Quem viveu uma Segunda Guerra Mundial, este mundo devia ter mais juízo. Uma coisa é, esporadicamente, ouvirmos umas notícias acerca da Coreia do Norte e acharmos que são todos loucos; outra coisa é lermos este relato na 1.ª pessoa e pensar "Que sorte que eu tenho de ter nascido em Portugal!" O livro espantou-me pela amplitude que tem. A descrição da vida na Coreia do Norte é atroz e confesso que inicialmente achei que era um pouco fantasiosa. É um livro biográfico. A autora, mulher de força, descreve com uma simplicidade de quem viveu as inúmeras carências de uma infância e adolescência perdidas, e arrasta-nos para uma espiral de sofrimento e ... pasmem-se: esperança. Ela nasceu e pass…

Bons alunos e boas pessoas

Sou professora. Não sou perfeita, mas tento fazer o meu melhor. Leio vários artigos e publicações sobre educação com os quais discordo e outros mais ou menos.  Ouço com frequência colegas meus dizerem que já ajudaram a formar médicos, juízes, atores famosos... Ninguém fala na Mãe, no professor, no auxiliar, na senhora das limpezas... Antes de me preocupar se os meus alunos vão ganhar muito ou pouco, preocupo-me que sejam felizes, que sejam bons seres humanos, que possamos confiar no nosso futuro. Magoa-me que apenas nos lembremos daqueles que chegaram mais acima na tabela hierárquica, porque esses também podem ser os vilões, os tristes, os infelizes... os maus. Não quero com isto dizer que sou pelos fracos e oprimidos. Não é isso. Na minha sala de aula quero esquecer a sua origem, quero olhá-los de igual forma, mesmo que eles não o façam, quero prepará-los a todos e tocá-los enquanto PESSOA. Quero orgulhar-me das suas ações antes da sua formação profissional, quero que eles cheguem o…

Os bebés de Auschwitz, e Wendy Holden #marçofeminino

Mesmo a terminar março, findei a minha segunda leitura de uma escritora.
Este livro é intenso, muito forte... capaz de levar-nos às lágrimas. Tive de parar inúmeras vezes e esperar, por vezes, alguns dias, até retomar a leitura. Já li muito sobre o Holocausto, mas continuo a não conseguir ficar indiferente e ainda bem. Este livro retrata a vida de famílias dizimadas pelo regime hitleriano e a certeza de mulheres mães, mulheres heroínas, sobreviventes e dos seus filhos cheios de vontade de viver. É tocante, escandaloso e dorido o que lemos nestes testemunhos. Um excelente trabalho desta escritora, que apenas se pode tornar aborrecido, para os menos interessados no tema, devido a algumas partes descritivas históricas.
"Mandaram-nos para a floresta e depois mataram-nos todos a tiro." disse Sala. "O meu irmão foi um dos que tiveram de limpar a sujidade da matança e, acabada a limpeza, também mataram os que limparam. Mandaram-no tirar a roupa, que mais tarde foi encontrada p…

Esteja eu onde estiver, Romana Petri #marçofeminino

Romana Petri é italiana, desconfiei. Como é que uma italiana vai escrever um livro de Portugal, ainda por cima com 567 páginas?! e desenrolado ao longo do século XX?!
Margarida, mulher sofrida, sem casa, apaixona-se por Carlos Freitas, que lhe deixa uma casa arrendada, uma filha e mágoa de um grande amor casado e com aspirações financeiras maiores.
Custódia, solteirona, casa com galã machista, Belmiro, que gosta de dinheiro e muitas mulheres. Vive amargurada, mitigando a sua dor de forma egoísta e singular. É patroa de Margarida, a quem deverá os poucos momentos de felicidade da sua vida.
Maria do Céu, filha de Margarida, afilhada de Custódia. Mulher forte e lutadora, como a sua mãe, cria 3 filhos de um marido ausente, Tiago, traidor e fraco. 
Rita, Vasco e Joana, filhos de Maria do Céu e Tiago ficamos a conhecê-los e com vontade de saber o resto das suas vidas.
Ainda conhecemos Violeta, uma deficiente física, irmã de Belmiro, que cuida de Maria do Céu, mas nunca é aceite pelo irmão.

O brilho azul das estrelas, de Laura Pritchet

Olá,
acabei há dois dias este livro que se lê facilmente. É uma narrativa que decorre a várias vozes, sendo que as principais são de Ben, protagonista da história, doente de Alzeimer; Renny, a esposa de Ben, mulher muito prática e Jess, uma das netas de ambos, que é considerada "esquisita".
Ben tem consciências que sofre de Alzeimer e tudo o que isso implica, então vai escrevendo recados a si próprio, para que possa recordar-se de quem é e que é a sua família. Não esqueceu a sua filha Rachel, assassinada pelo seu próprio marido, Ray. No meio da confusão do seu próprio cérebro, Ben sabe que Ray já cumpriu a sua pena e saiu da prisão. Precisa de não se esquecer que o quer matar... Toda a história gira em torno do seu objetivo e em como os que o rodeiam não o acham capazes de tal, mas todos desconfiam que o fará. No meio de toda esta turbulência, Renny descobre também, porque a morte da sua filha a afastou do marido, que já não se lembrava de como amar.  As palavras póstumas s…

As raparigas

Olá, terminei, ontem, o livro As raparigas, de Emma Cline. Foi-me oferecido no Natal. Foi editado em novembro do ano passado, pela Porto Editora.     Foi com algum receio que vi que a escritora era bastante nova, pois costumo gostar muito dos clássicos e os autores muito recentes, a maior parte das vezes parecem-me "verdinhos". Pois então, Emma Cline, nascida em 1989, propôs-se a escrever um livro sobre adolescentes nos loucos anos 60... e consegue. Ainda que não seja um livro arrebatador e, por vezes, se torne ambíguo, transmite-nos toda a estranha confusão que é a adolescência, a necessidade de aceitação, de amor, de pertença a uma sociedade (seja ela qual for), de existir, ainda que a cara não seja a nossa, o corpo emprestado...     Evie, uma menina de boas famílias, talvez devido à vida familiar vazia e posterior separação dos pais, evidencia a necessidade de se revoltar ao mundo que não a vê. O divórcio dos pais permite-lhe ter uma grande liberdade, que a leva a querer…