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Mensagens

O rapaz do rio, de Tim Bowler

Olá,
mais uma leitura, desta feita no âmbito da literatura infanto-juvenil. Muitas vezes deparo-me com a dificuldade de sugerir leituras aos meus alunos. Embora as diretrizes nos mandem sugerir obras presentes nas listas do Plano Nacional de Leitura, a verdade é que é, por vezes, difícil para os alunos fazer leituras que dali constem. As bibliotecas escolares não estão apetrechadas de forma conveniente, ou não estão arrumadas de forma conveniente, ou os alunos não podem comprar as obras, ou não há biblioteca municipal... ok, já perceberam! Muitas vezes vou, apenas, controlando o que eles lêem, contando que o façam, para mim, está ótimo. Assim, um dos meus objetivos é continuar a conhecer algumas das obras que constam das ditas listas, apesar de algumas delas serem completamente irrealistas. Então, desta vez li a obra mencionado no título. Ainda que eu saiba que as 156 páginas que o compõem sejam suficientes para assustar qualquer adolescente "normal" hoje me dia, o livro lê…
Mensagens recentes

No teu deserto, Miguel Sousa Tavares

Atualização de leituras:
lê-se. Não deixa marcas, nem boas, nem más. Não vai durar na recordação por ser um romance avassalador, de cortar a respiração. É um romance.
"Tudo o que se diz de desnecessário é estúpido, é um sinal destes tempos estúpidos em que falamos mais do que entendemos."

A persistência da memória, Daniel de Oliveira

Olá, olá...
há muito que não atualizo as minhas leituras. Já li alguns livros, mas que , entretanto, com o dia a dia me fui esquecendo de colocar aqui. Este título foi a minha última leitura e não gostei. Não gostei, não porque o livro fosse mau, mas porque não me agrada este género. Já li outros do mesmo autor de que gostei. Então, este livro tem uma protagonista feminina, Camila, que não consegue esquecer, não consegue mesmo. A sua memória retém tudo e todos, sempre, então, abandonada pelo seu companheiro, é adorada pelos amantes, que nunca a satisfazem de forma duradoura. É apresentadora de televisão, é famosa, é bonita, mas não é feliz. É claro que no meio disto tudo, o sexo, que surge como um escape, uma fonte de prazer e de fuga, é presença assídua no romance, bem como descrições minuciosas das cenas. Gostaria que tivesse sido melhor explorada a relação controversa com a mãe e a derradeira despedida do pai, do que propriamente aquilo que, a mim, me parece a exploração de incómo…

Loanda - Escravas, Donas e Senhoras, de Isabel Valadão

Olá, mais uma leitura terminada!
Loanda... não conhecia a autora, não vi reviews, nem li sinopses... nada. Em branco. Adivinhava que retratasse a época do esclavagismo. Não me enganei. Num ambiente tipicamente masculino sobressaem duas mulheres, Maria Ortega e Anna de São Miguel, que mais tarde se tornarão Maria e Anna e Ana Maria. Vou explicar. A narrativa começa com Maria Ortega, escrava alforriada, degredada. Sedutora, Maria Ortega vale-se do Diabo para se valer melhor e o Diabo convence-a e modera-a num mundo em que a religião censura e pune sem clemência. Anna de São Miguel, menina mimada, criada pelo pai para ser fidalga. Ousada, atrevida numa sociedade que a remete para um papel muito concreto. Esta narrativa introduz-se como biografia. Ambas narram, até que as suas histórias se confundem e se cruzam pelo amor e pela audácia de saber amar, de saber fazê-lo pelo prazer. Descobrem-se no mesmo mundo cumprindo a sua missão sem saberem do seu destino. Desafiam regras, mostram força,…

E dizer-te uma estupidez qualquer, por exemplo, amo-te

Olá, li este título porque tenho, por vezes, alguma dificuldade em sugerir leituras aos meus alunos mais novos. O autor deste livro é espanhol, Martín Casariego, Córdoba, tem vários títulos juvenis editados, mas penso que apenas este está traduzido em português. A tradutora foi Maria do Carmo Abreu e a editora é a Publicações Dom Quixote. É sugerido "a partir dos 13 anos". Apesar de retratar a adolescência dos anos 90, houve necessidade de adaptar o livro à realidade portuguesa e à realidade dos nossos adolescentes. Neste processo houve algumas falhas, a maior é que o livro termina com a indicação do lugar "Madrid". Ora se o livro se passa em Portugal porque aparece a referência a Espanha?! Contudo, o livro lê-se bem e rapidamente. O narrador é um adolescente que se apaixona perdidamente pela nova colega de escola, que foi expulsa da escola anterior por ter tentado roubar os testes. O livro decorre durante um ano letivo, sendo que os referidos vão-se envolvendo ao…

O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago

Olá,
já é sobejamente conhecida a minha antipatia pelo nosso Nobel da literatura. Juro ao mundo que tenho tentado, já li 4 livros do autor, comprei 2 (por obrigação). Os meus colegas (malta das letras) diz maravilhas do senhor, que, por acaso, é meu vizinho por nascimento, mas... à exceção do Memorial do Convento, nada me agrada. O referente ao título nem se fala... é que aquilo nunca mais acabava... Consigo perceber a história do existencialismo, da contextualização histórica, da crítica aos costumes... bla, bla, bla. O livro tem 600 páginas, por amor da santa!!!!! O Ricardo Reis é uma seca, o fantasma do Pessoa até tem piada, as referências aos heterónimos, a Lisboa, à nossa História, mas caramba!!! Dava para fazer em 200. Questão: é obra obrigatória no 12.º ano, como é que os adolescentes vão ler aquilo, se não liam Os Maias?!?!?!?! Será que eles têm maturidade e conhecimentos culturais que os capacitem a perceber a obra? Não!!!!!!!! Quem escolheu este livro não anda nas nossas es…

Abandonada, Anya Peters

Outra leitura realizada. Esta mais ao meu gosto, histórias verídicas. Violento, brutal, angustiante. Este livro é autobiográfico e só por isso arrepia. A que ponto vai a maldade humana? A que ponto o que vivemos se reflete ao longo do nosso destino? Anya, criança, infeliz, mal-amada, sacrificada, corajosa. Não sei porque ordem ordenar as palavras e qual delas a mais importante no seu percurso. Anya foi uma criança nada desejada, que descobriu o amor nas migalhas do caminho. Rodeada de adultos egoístas, cresceu no terror de perder o amor de uma mãe que não era a sua, na violência de um "tio" manipulador e animalesco, na profundeza pouco clara de ser odiada pelos seus "irmãos".  O relato das atrocidades que sofreu são de arrepiar e despertaram em mim o meu lado assassino de justiça popular. Anya, que escolhe sempre os mesmos caminhos por falta de opção, de pertença, de amor... de ter sido sempre o sinónimo egoísta do ato de benevolência de alguém. Terias sido mais f…