4.4.16

O leitor, de Bernhard Schlink

Bem, as maravilhas da maternidade não me têm deixado muito espaço para leituras, mas tenho-me redimido sempre que posso e o sono me permite.
Entre outras leituras (escassas) o título acima foi a última.

Tinha curiosidade em ler este livro há já algum tempo, também devido aos positivos comentários que causou o filme que ele proporcionou.
Foi uma leitura agradável, apesar de achar que, por vezes, se tornava monótono nas suas descrições de divagações, não propriamente essenciais para a progressão do enredo.
Conta-nos, então, a história de um adolescente que se apaixona por uma mulher  mais velha que não sabe ler, mas que nunca o confessa e, devido a isso, envereda por uma profissão menos glamorosa, guarda num campo de concentração. É também essa profissão que a leva à prisão. Não abriu as portas de uma igreja em chamas, que albergava mulheres e crianças judias, vindas de um campo de concentração. Não querendo nunca declarar o seu analfabetismo, acaba condenada por muito mais do que fez. Sem ser inocente, esta personagem acaba por nos apaixonar pela sua ignorância e pelo amor da leitura ouvida por presidiárias e pelo adolescente apaixonado. Damos por nós na vereda da pergunta e da ignorância de não sabermos se havemos de perdoá-la pelas circunstâncias da vida, se pela retidão do seu caráter submisso pelo analfabetismo e controlador pelo seu caráter.



A minha próxima leitura é muito mais a minha cara. Volto a Marion Zimmer Bradley, com A senhora de Avalon.

21.9.15

Arquipélago, de Joel Neto



Não sendo açoriana, moro nos Açores há alguns anos e foi com interesse que adquiri este livro. 
Inicialmente adorei-o, a história de José Artur como professor frustrado, cheio de ambivalências e vida pessoal conseguiu convencer-me que devia ler as 455 páginas que se apresentavam pela frente. O pitoresco da linguagem e a caracterização de personagens tão fiel a tudo o que vejo diariamente incentivavam o meu instinto literário, num livro que adquire um tom próprio e com poucos erros (detetei apenas 1) prossegui sem arrependimentos pela aquisição de 20 euros. No final, apaixonei-me pelo José Artur e pelo seu filho André e desfrutei do avô José Guilherme como se fosse meu.
De negativo, aponto talvez o bruxo, personagem que aparece no final e que me parece demasiado fantasiosa, mas penso que é apenas um apontamento pessoal. Sem dúvida que vale a pena ler e que o seu autor deve prosseguir na reflexão desta identidade.

12.8.15

A ofensa, de Ricardo Menéndez Salmón



Iniciei este livro com alguma espetativa. Gosto, normalmente, de livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Este, foi uma desilusão. Centra-se, sobretudo, numa única personagem, que trabalhava como alfaiate, é recrutado para servir a Alemanha na sua atroz campanha mundial. Assiste ao primeiro massacre em massa e deixa de sentir. Entende, mas não sente, os seus orgãos ficam inanimados, ainda que vivos. O livro é muito curto e gira todo em torno da tentativa de voltar à "vida", deste humilde alfaiate. Lê-se muito rapidamente, mas desperta pouco interesse. Tem uma ótima encadernação e as folhas são de boa qualidade.

"Quando Ermelinde lhe anunciou que estava frávida, por um momento Kurt pensou que se daria o milagre. Mas aquela sombra de sensação, um breve relâmpago de calor ou de medo ou de plena e pura alegria que pareceu esboçar-se-lhe na nuca, um lugar onde - lembrava-se bem - se concentravam as emoções, enganou-o apenas durante um segundo."

8.8.15

A queda de Atlântida, de Marion Zimmer Bradley

Continuo a adorar esta escritora e quanto mais leio, mais quero ler. Este livro prendeu-me desde a primeira à última página. 
Domaris e Deoris, duas irmãs com uma ligação muito maior que o próprio sangue. Vivem num templo, são amadas e odiadas, amam e odeiam com a mesma intensidade. E eis quando o universo parece separá-las, a sua força e o seu Karma unem-nas para sempre e "para sempre" parece muito tempo, mas muitas vidas virão...

"Impaciente, Domaris andava para trás e para diante no seu quarto. Os dias cansativos e as noites que se tinham arrastado, só tinham feito com que o inevitável estivesse mais próximo e, agora, o momento da decisão estava perante si. Decisão? Não, a decisão já fora tomada. Era apenas o tempo de agir que tinha chegado, a altura de garantir o cumprimento da sua palavra empenhada. Que interessava o facto de a sua promessa a Arvath ter sido feita numa época em que era completamente ignorante relativamente às consequências dessa promessa?"

O meu livro foi adquirido no OLX, pois já não é editado. Pertence à editora Difel, com a tradução de Rute Rosa da Silva, que considero muito boa, detetei apenas um erro. É claro que vem escrito com o antigo Acordo Ortográfico.

Recomendo este livro pela forma como descreve o mundo feminino e as consequências das mulheres ousadas. Lindíssimo, ainda que pertença ao mundo da fantasia. Brilhante, como sempre, esta autora!

20.7.15

Os filhos do afecto, de Torey Hauden




Este livro apresenta-se escrito na 1.ª pessoa, Uma professora que vive da escola e para a escola, como a tantos acontece, docente de uma disciplina de Estudo Acompanhado, recebe na sua sala aqueles que não se enquadram numa sala "normal". O universo é construído por esta professora, por uma aluna que depois de ter sofrido violência nas mãos do pai não consegue ler, nem reconhecer os números, Lori; um autista, Boo; um inadaptado que viu o pai morrer, Tommaso; e uma criança de 12 anos que está grávida e não se enquadra num colégio religioso, nem numa turma regular. Todos eles vão sendo descobertos aos poucos, com as suas singularidades, belezas e fragilidades. Refletimos em quanto estes miúdos nos passam ao lado, na margem, não conseguem integrar-se num sistema que os quer integrados e não são descobertos num mundo de programas e metas a cumprir.
Um livro intenso que nos choca pela nossa insensibilidade, pela nossa vontade de fechar os olhos ao que não é "normal", em catalogar os diferentes, em arrumá-los na prateleira...

"Não houve reação. Estava tão empenhado em auto-estimular-se que a minha voz, só por si, não era capaz de quebrar a sua concentração. A realidade sobre a qual estávamos assentes tinha desaparecido para Boo. vivia apenas na sua reflexão em poliéster. Vi-o levantar a mão e agarrar uma grande porção de cabelos. Num gesto de grande destreza, arrancou-os da cabeça.
Avancei para lhe pegar nos ombros. Foi um grande erro. Boo estava mais distante do que eu imaginara. Guinchou histericamente quando lhe toquei e desatou a berrar. Tufos de cabelo pretos caíam atrás de si, , ao mesmo tempo que continuava a arrancá-los da cabeça. Intermitentemente, as suas mãos agitavam-se com grande frenesim e a cabeça oscilava para trás e para a frente, como se não tivesse músculos no pescoço."

12.7.15

Farta

Por vezes fico farta que os projetos não possam ser assumidos com o mesmo vigor, responsabilidade e ética que eu os assumo. Não tolero falhas, não tolero desculpas, não tolero insensatez, não tolero faltas de responsabilidade... Tudo na minha vida foi feito em consciência e com consciência, envolvo-me, levo todos os papéis a sério e a peito, não sei fazer de conta que tenho nível, tenho a boca ligada ao cérebro, tenho a vontade pura de esganar os injustos, os tolos, os parvos que assumem tudo a meias e por metade. Visto a camisola, sei ser, ajustar-me, não vivo de falsas promessas, não confio mais que uma vez, não perdoo e não esqueço.
Sou amarga? Sim, porque só conto comigo e em mim concebo todos os sonhos do mundo e cada vez que incluo alguém... arrependo-me.

Perdoai as nossas ofensas, de Romain Sardou

Ao início não gostei nada, demasiados pormenores e informação, os nomes das personagens eram difíceis de fixar, enfim...pensei que tinha uma "seca" pela frente, metade do livro foi passado a "mastigá-lo" e a olhar para a prateleira dos que ainda não mereceram a minha atenção. Depois, foi-me entusiasmando e acabei por achá-lo tragável. 
Uma história intimamente ligada à igreja e aos seus métodos, por vezes, pouco ortodoxos, para evangelizar infiéis, desenrola-se a história entre os padres bons e maus, a busca de uma verdade escondida, o segredo da personalidade torta dos religiosos... não é uma leitura fácil, mas que acaba por envolver o leitor persistente.

"Os dois correios deviam partir com toda a urgência.
A primeira missiva era dirigida ao senhor Enguerran du GrandCellier no seu castelo de Morvilliers ou em qualquer local dos seus domínios.
Aja selou as duas cartas com o seu anel episcopal: uma cruz e uma máscara. Sem recomendação suplementar, o secretário desapareceu com aqueles manuscritos codificados segundo as normas de segurança em uso."

28.6.15

o jogo preferido, de Leonard Cohen




Não tenho publicado posts sobre leitura, mas tenho lido, como sempre...
Acabei de ler o título acima e confesso que não fiquei impressionada. As personagens não me encantaram, a história também não, mas lê-se com alguma facilidade e sem perder o fio à meada. 
Conta a história de Breavman, personagem, escritor, amante, filho. Homem que tem medo de amar qualquer mulher, mas desenvolve uma relação demasiado próxima com o seu melhor amigo. 
E pronto... não tenho muito mais a dizer.