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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2009

Voar...

Céu infinito, descontrolado, moribundo de sonhos inconscientes, vaidosos, monótonos pela inalcansável saciedade. Estando ali estarei mais feliz. Em voos infinitos que me alimentam e estreiam na possibilidade, só pela possibilidade. O quero ser, como quero ser, o que os outros querem sonhar não me invalida. Lá em cima, sou a mais feliz entre os felizes, ainda que o sonho não seja o alimento, é o sal. Tenho de me encontrar na base para subir, subir, subir... a luz que não quero ver, o sal áspero da vida que me traz presa à ilusão de crescer... lá em cima, no alto do que não sou e que ninguém vê.
O céu não é o fim, é o meio.

Parabéns pai!

Bem, tu que não gostas muito de envelhecer, inicias a quinta década. São cinquenta anos que muito viveste e invesntaste. Nunca deixarei de admirar a tua capacidade de sonhar. Mesmo quando tudo está a ruir à tua volta continuas a ter a tua realidade. São 50 anos de solidão, porque nunca soubeste estar acompanhado... porque ainda nem sabes que nada será como nos teus sonhos. Um coração que endurece, mas para o qual encontro sempre caminhos fáceis.O olhar que sempre reconheci como meu. Sou, sem dúvida, parte de ti! Por isso e porque o meu desejo é que sejas sempre muito feliz: parabéns pai! Hás-de ser sempre o homem com quem mais me identifico... afinal... quem sai aos seus...

Ai o tempo!

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem....
Para quem passa a vida a planificar tudo e mais alguma coisa, é estranho que o tempo ainda me baralhe. O problema é que estou enclausurada. Às vezes o tempo parece interminável! Outras, e pensando a longo prazo, parece que parei no tempo. (Deve ser da convivência com os meus alunos!) Outras vezes pareço que ainda tenho muito para viver... como se não tivesse vivido muitas coisas, mas descubro que o próprio tempo não perdoa... e que ser adulto é muito mais do que desejaria.
Depois há o tempo que os outros acham que tenho de ter... que estou atrasada, que não tenho idade para isso.... mas se eu ainda nem sei como posso planificar a minha vida.... nem sei se quero!
O pior é que tenho muito tempo para ser feliz, mas pouco para deixar os outros felizes... e afinal... qual é o tempo mais importante da minha vida? O que já vivi, porque o posso guardar, o que ainda não vivi, porque também o quero guardar? E os outros? Conseguirei guardar o…

As linhas com que me coso

As linhas com que me coso são finas, fáceis de partir, quase imperceptíveis. É por isso que coloco botões grandes, daqueles que ninguém percebe qual a linha que os coseu. Os meus botões são a fotografia que quero dar, a parte sólida de mim. Por baixo fica o que me pode enfraquecer e quebrar, as minhas linhas que dão voltas e pontos (nunca finais), que formam nós que passam entre o tecido e pelos buracos dos botões. Não quero os nós, não quero as linhas, mas quero os botões. Não são uns botões quaisquer, são os MEUS botões. Aqueles que te dou para que não vejas nem as linhas, nem os nós. Por isso, os meus botões passam a ser os teus botões, e com eles levas os nós e as linhas, mas não te preocupes, só vais dar por eles daqui a muito tempo, e nessa altura pode ser que já tenhas dado os meus botões e assim, esses botões continuam a ser meus e não teus. Mais gastos, sem cor, desbotados, mas botões grandes e sólidos.

O meu guerreiro

Soubeste tão bem amparar-me, recolher-me no teu coração. Com as tuas rugas cansadas tomaste-me como tua e protegeste-me como sabias, pela forma como conhecias o mundo. Foste a minha base e quiseste-me feliz no topo do mundo. Querias o reconhecimento da minha diferença. Fui diferente, de facto, demasiadas vezes aparte e diferente. Não percebeste ou não tiveste capacidade para perceber que os outros podiam não me amar da forma como tu o fizeste. Acreditaste sempre na tua infinita capacidade de gostar. Casmurro, honesto, sempre pensaste mais com o coração do que com a razão.
Ainda te consigo ver... tão nitidamente que parece que nunca te foste. Penso muitas vezes em ti. Sinto falta da incondicionalidade do teu sentir. Choro por dentro quando penso que me abandonaste, mas no fundo tenho a certeza que nunca partiste. Quem em mim haverá sempre um bocadinho de ti, um pouco mais do teu sentir... e enquanto a minha recordação deixar nunca te deixarei partir... o guerreiro que sempre lutou por …