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A mostrar mensagens de Outubro, 2007

Trazei as crianças que eu já lhes digo (parte 5)

A única solução é alterar a lei de maneira a eliminar as figuras odiosas da madrasta, do padrasto, dos enteados. Para isso basta legislar que, quando os pais se separam ou divorciam, as crianças perdem direito à mãe e ao pai. Com "fair-play" e sentido de partilha, são elas próprias divorciadas dos pais. Passam obrigatoriamente a orfãs, a cuidado do Estado, numa instituição um pouco sinistra onde serão encorajadas a esquecer os paizinhos e, dum modo geral, a tornarem-se homenzinhos o mais depressa possível, mesmo sendo inicialmente do sexo feminino.

Miguel Esteves Cardoso in Única

Trazei as crianças que eu já lhes digo (parte 4)

Eis como contra-atacar. Farto de situações em que as crianças tentam sabotar o segundo casamento do pai ou da mãe, tornando-os (não meçamos palavras) em desagradáveis ninhos de conflitos, surgiu-se-me uma possível solução, que muito contribuiria para reduzir o poder tirânico das criancinhas e restituir o adulto descanso que tanta falta faz à vida moderna.
É ou não preciso acabar de vez com os dramas sórdidos e os horrendos contos infantis e romances portugueses contemporâneos sobre padrastos e madrastas que invariavelmente se embebedam numa noite de tempestade e, a seus belprazeres, sem dó nem ré, violam ou esfaqueiam os enteados e as enteadas?
Miguel Esteves Cardoso in Única


Se a vida real fosse de facto agradável não existiam livros sobre isso, o pior é que já enjoam as contagens de historietas contemporâneas em que nos aborrecem com acontecimentos do dia-a-dia. Se eu quisesse ler a minha vida não lia um livro.
Sou filha de pais separados, sou feliz. Não gosto da minha madrasta, mas nã…

Trazei as crianças que eu já lhes digo (PARTE 3)

Não sei o que aconteceu mas, quando fiz 40 anos, por uma estranha reversão matemática não desrelacionada com os fenómenos das capicuas nos bilhetes de eléctrico, essa idade ideal para as mulheres tinha passado para 14, conforme ilustrado pelas mais finas e venerandas manequins da altura. E hoje é escusado lembrar, diante das escandaleiras mais recentes e das últimas tendências publicitárias, que a adolescência já cheira a bafio e que mesmo nas raparigas e nos rapazes de 14 anos já vão pesando, no mínimo, uns seis ou sete anos a mais.

Miguel Esteves Cardoso in Única

Ai homem!

Trazei as criancinhas que eu já lhes digo (parte 2)

As mulheres que não se riam porque com elas ainda era mais grave a dissonância. A única via de salvação era a homossexualidade, onde não havia imposições etárias e a malta da mesma idade até podia passar uma tarde bem passada sem que parecesse mal a quem lá estivesse. Às heterozinhas, em contrapartida, só lhes eram reconhecidos impulsos vis e turvos aos 15 anos. E os objectos de desejo eram alcoólicos baixinhos e barrigudos já com 51 anos e três ou quatro casamentos no bucho, como Richard Burton, Tom Jones e Anthony Hopkins, para citar apenas os oriundos do País de Gales.

Miguel Esteves Cardoso in Única

Mudam-se os tempos e as tendências: os gostos, as modas, as curvas (ou falta delas), mas não me venham com tretas, não há nada como um homem que faça a barba, óbvio que se dispensa o cheirinho a cavalo, o hálito a alcoól e a tareia à deita. Ingleses também, sem dúvida que os melhores são os latinos!

Trazei as crianças que eu já lhes digo (parte 1)

Quando eu era ainda mais novo do que sou hoje, embirrava com os jovens. Mas, à medida que vou envelhecendo, tenho reparado que quem mais odeio no fundo são as crianças. No meu tempo, eram os jovens que estavam na moda. Não se falava muito das crianças e não se deixava que elas falassem muito. Entretanto, porém, a idade desejável - de estrelas de cinema, desportistas ou reles familiares - desceu a pico. Quando eu tinha 14 anos, por exemplo, a idade mais desejável para uma mulher eram os 41 anos de Claudia Cardinale, da Anne Bancroft de "A Primeira Noite" ou, enfim, seguindo os cânones freudianos da época, qualquer sabidona da idade das nossas mães, mas mais giras e independentes.

Miguel Esteves Cardoso in Única

De pés atados

Assim retrata o "Economist" a chanceler alemã Angela Merkel e Durão Barroso, o par que, segundo a revista britânica, dirige a União Europeia - se é que ela é dirigida. Para a revista, ambos construiram "a mais importante relação política da UE", basicamente "à falta de melhor". Ambos são atlantistas fervorosos e não têm problemas em casa. Merkel deu uma mãozinha a Barroso na altura da sua candidatura e, recentemente, apoiou as negociações com a Turquia. Em contrapartida, este não insistiu demasiado na liberalização dos serviços, um assunto espinhoso para Merkel. in Única, 27 de Maio de 2006 E assim vão andando e nós vamos ficando com falta de interesse no que nos rodeia, porque não há melhoras e os protestos já são vozes de burro. Isto está mau, mas é só para alguns!

Tareia de alma

Às vezes sinto-me violentada, magoada, banida, dorida... saco de boxe em que todos descarregam por causa dos seus umbigos grandes. Ai a dor da minha alma! Sorrio, aprendo a ser irónica e a dar bofetadas sem saída, ensino que pode bater muito no ceguinho, mas que não é com brutalidade que o levará a ver o caminho.
No trabalho é sempre o mesmo ramerrão de queixas e queixumes que não doem, mas chateiam, corroem, exasperam, mostram o podre em que nos encontramos, mostram as almas medíocres, os espíritos vulgares...
Ai o que eu aprendo com os outros! E nunca mais chega o fim do mês! Ou o fim de semana! Levo tareias descomunais da vida, mas não me posso queixar, porque não há linha de apoio aos desiludidos com sonhos. Bem, resta-me lamber as feridas e... continuar a sonhar!

Mudei de casinha e fiquei sem tempo...

e sem net e sem paciência e sem montes de coisas. Escusado será dizer que um problema nunca vem só e, precisamente, quando iniciei o processo de mudança para o nosso lar (meu e do meu lindão) começaram a ficar aflitos lá no trabalho e vá de pedir à malta para fazermos horas a mais. É claro que como o ordenado é pouquinho e os gajos abriram os cordões à bolsa e pagam as horas, aqui a menina anda a fazer entre 10 a 11 horas de trabalho por dia. Daí a minha ausência, mas estou de volta às vossas doces ausências.
Beijinhos fantasmas de vento doce!