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A conversa com Luis Oliveira (parte 2)

Porque é que há tão poucos nomes portugueses no vosso catálogo?

Essa é uma questão que me tem preocupado desde o início. Mas os autores que mais nos interessariam estão praticamente todos publicados. Há grandes escritores portugueses, grandes nomes da literatura, mas não há uma tradição subversiva em Portugal.
Ainda sobre isto gostaria de dizer que trouxemos para a Antígona uma autora importante que é Graça Pina Morais, para mi é uma das melhores escritoras do século XX. É uma escritora pouco lida e pouco conhecida mas que quem descobrir, não mais largará.


E porque não apostar em novos autores?

Nós recebemos muitas propostas, alguns nem conhecem a Antígona, não sabem para onde estão a enviar os seus originais. Dizem quase todos, numa carta-tipo "sabendo que a vossa editora tem dado grandes oportunidades a novos escritores...". Não é verdade e é a prova que nem conhecem a nossa editora nem o seu trajecto. Mas não são as idades que nos interessam, já editámos uma rapariga que tinha então 13 anos, uma espanhola que escreveu "Mortos ou coisa melhor"... podemos editar aquele que tiver alguma coisa a dizer, que contribua para a história do pensamento e no acto criador que é a escrita traga alguma novidade. Isso, infelismente, não tem acontecido. Até já perdemos alguns amigos que não ficaram contentes com a recusa mas iremos levar a nossa maneira de pensar a edição até ao fim.


Por vezes, tem defendido um discurso bastante crítico, face ao panorama editorial português. Quais é que são os males que lhe aponta?

O nosso mundo é um mundo de empresas e as editoras não escapam a essa lógica. A mim choca-me muito que uma editora, que mexe com a História do pensamento, que mexe com ideias, não seja coerente, que não tenha um catálogo voltado para o mundo da emoção, da criação, uma proposta de humanização das pessoas. Choca-me a obrigação que a maioria das editoras têm de produzir para custear as despesas permanente de uma editora, que são elelvadas. Devia haver a lucidez de se perceber que não se está a trabalhar com um objecto como outro qualquer. Diz-se muito por aí que o livro é um objecto industrial mas eu acho que isso é profundamente errado, antes de Guttenberg e depois de Guttenberg teve outra dimensão e vai continuar a tê-la. Por isso o que eu critico é a obrigação que as editoras têm, para sobreviver, de lançar qutêntico lixo. Livros que não produzem uma única ideia, que não produzem na cabeça do leitor algo que possa transformar a vida.

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