
Por vezes, Borges é apontado como um conservador, no campo político. Em seu entender, isso é correcto? Além do almoço com Pinochet, que outros factores contribuiram para essa visão?
A. V. : Para Borges as opiniões políticas eram banais e ele não queria ser recordado por elas mas sim pela sua obra. No livro "Una biografía en imágenes" dedicamos um espaço importante a borges e a política, onde se pode apreciar que as suas aproximações aos acontecimentos políticos forma espasmódicas e sem conteúdo. Manifestou uma vez ter-se filiado no Partido Conservador era uma forma de cepticismo. O caso de Pinochet corresponde a um acto de ingenuidade e também a um mau aconselhamento dos seus próximos de então, que não souberam adverti-lo sobre quem era Pinochet. A um segundo convite recusou ir, já que o seu secretário da época, Roberto Alifano, o advertiu que não era conveniente.
Borges foi alvo da escrita de muitos autores (Alicia Jurado, Donald Yates, Maria Esther Vásquez, Juan Gasparini, etc). Como justifica o interesse de tantos biógrafos por este autor?
A. V. : Boreges é, sem dúvida, um dos grandes escritores do século passado e também da literatura universal. Obteve em vida todos os prémios e distinções possíveis à excepção do Nobel que, como sabemos, é um prémio marcado por questões políticas. Harold Bloom inclui-o no seu livro "O Cânone Ocidental" e, mais recentemente em "Genios". Cativa o interesse de estudar a sua obra e a sua vida (que, além do mais, estão misturadas) em todas as partes do mundo, seja no âmbito académico ou fora dele. Daí que existam tantas biografias inclusive de ingleses, como James Woodall, escoceses como Edwin Williamson ou o chileno Volodia Teitelboim.
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