
Recorda bem o dia em que tomou contacto com Borges. "Durante um Verão, em Cadaqués, ouvi falar dos seus relatos. Na única livraria do povoado comprei um livro seu e fiquei impressionado por "Funes, o Memorioso". Se me influenciou? Suponho que sim, e foi uma belíssima influência. Todo o escritor metaliterário está sob o efeito que provocam a leitura de Cervantes, Sterne, Diderot e Borges. Em Borges encontramos a tndência mais moderna da literatura actual. É uma tendência que, paradoxalmente, é a mais antiga de todas. Tem ilustres seguidores... Bolaño, Piglia, Alan Pauls, Alberto Manuel". Apenas por modéstia não se inclui a si próprio, se considrarmos textos como "Bartleby & Companhia", "História Abreviada da Literatura Portátil" (ambos publicados na Assírio & Alvim) ou a técnica com que funde imaginação e memória no seu mais recente trabalho, "Paris Nunca se Acaba" (Teorema).
Vila-Matas destaca a capacidade metafórica do mestre argentino, bem patente no quadro de referências a que recorre nas suas construções literárias: "gosto, por exemplo, quando diz a Lua ignora que é tranquila e clara e nem sequer sabe que é Lua. A Lua que ignora o seu nome é um dos seus temas e, por extensão, somos todos nós, que também ignoramos o nosso verdadeiro nome. Outros temas fundamentais de Borges são a coragem, os labirintos, as espadas, a biblioteca universal (que profetizou a chegada da internet), o duplo, a vida efémera em geral".
in Os Meus Livros
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