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Ouvir


Cada vez mais descreio da raça humana, dos citadinos irascíveis, egoísticamente arrogantes, egocêntricos e mimados de facilidades falsas que não querem ouvir. São (muitos) os amargos, frustrados, zangados com a vida que têm, um escape do "não te vê". Há os doutores gabarolas de estatuto engalanado em pedestal de palha, que não sustentam a modéstia da igualdade, há os pobres de espírito que reprimem tempos infinitos a submissão incontida, há-os aos molhos e diferentes na sua limitação cobardemente agressiva... quero acreditar que só são assim nestas alturas, que se emocionam e são humanos, que são assim porque não sabem ser de outra maneira, que não tiveram uma formação (educação) coerente. No entanto, e procuro várias vezes dentro de mim, sei que nunca seria capaz, que me envergonharia de não conseguir ser racional e atacar como um animal instintivo e maligno.

São os cobardes do nosso tempo, são aqueles que não querem ver, nem olhar para o lado, com o mundo de felicidade prestes a ruir se o fizerem.

A mim, sempre me transmitiram um sentido muito preciso de justiça e sobre os meus deveres e direitos nenhum consta invadir o espaço alheio sem ter permissão. Posso demorar mais tempo a obter justiça neste mundo de cegos, mas não cometo nenhuma injustiça capaz de condenar a minha consciência.

Sou sim educada, livre no meu mundo!... Apetece-me retaliar, pô-los na ordem com a minha polidez, ser-lhes igual e superior com a minha educação. Não posso! No sitio onde exerço, o operário não tem dignidade e não é humano; tem deveres, cumpre direitos legais impostos pelo exterior. Somos números que se auxiliam uns aos outros para não envelhecer precocemente.

Ai Portugal! De que te vale existir na União Europeia, quando continuas como subalterno? De que te vale a história da pátria quando não consegues suportar o brilho dos grandes feitos?! De que te vale a luz quando caminhas às escuras? Perguntas sem resposta que os surdos não querem ver na vergonha de se reconhecerem na resposta. Lá teremos de ser seres fantásticos que não cabem no real.

E o pior, é que conseguimos habituar-nos a viver assim!!!

Comentários

Leandro disse…
Quando nos habituamos com o absurdo, ele passa a ser aquele "normal" de nosso dia-a-dia. É nisso que afundamos e é aí que nos esfolam melhor.

Obs.: Já faz um bom tempo que você passou lá pelo Contradições, mas apenas agora encontrei o seu blog. Vejo que você me dedicou uma "vidinha", que será retribuida.
Abraço

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