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a solidão dos números primos

Acabei ontem de ler este livro e ainda que não tenha sido desinteressante, não é o tipo de livro a que estou habituada a rever-me. Houve capítulos que li com sofreguidão e outros em que travei durante dias.
Este livro fala-nos sobre as vidas de Mattia e Alice em paralelo, mas quase sempre entrelaçadas por silêncios cúmplices. Acompanhamos a sua história desde a infância até à idade adulta com algumas elipses temporais, ele, um jovem traumatizado por ter abandonado deliberadamente a sua irmã gémea com necessidades específicas na beira de um rio, esta nunca mais apareceu. Ela traumatizada por uma queda em que ficou com uma deficiência física, mas que não a impede de viver de forma quase normal.
Eles criam os seus fantasmas, lutam contra eles e encontram-se no caminho da vida, onde se reconhecem como dois estranhos de partilhada dor. No entanto, e apesar de ser explícito o que os une o amor que criam entre si, as personagens não ficam juntas por falta de coragem... talvez perante a vida, que pensam não lhes dar a chance de ser felizes.
 
"Os pais de Mattia estavam a ver televisão. A mãe de joelhos encolhidos dentro da camisa de noite. O pai de pernas estendidas e cruzadas por baixo da mesinha em frente ao sofá e telecomando em cima de uma coxa. Alice não respondera ao cumprimento deles, deu a impressão de nem se ter apercebido de que estavam ali.
Mattia falou por detrás do sofá.
- Decidi aceitar - disse."
 
 
Estes jovens que depositaram nos pais a sua raiva, tornam-se adultos atípicos e incapazes de manter realções sociais "normais", contudo, a sua maior luta é apenas consigo próprios.

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