Avançar para o conteúdo principal

E dizer-te uma estupidez qualquer, por exemplo, amo-te

Olá, li este título porque tenho, por vezes, alguma dificuldade em sugerir leituras aos meus alunos mais novos.
O autor deste livro é espanhol, Martín Casariego, Córdoba, tem vários títulos juvenis editados, mas penso que apenas este está traduzido em português. A tradutora foi Maria do Carmo Abreu e a editora é a Publicações Dom Quixote. É sugerido "a partir dos 13 anos". Apesar de retratar a adolescência dos anos 90, houve necessidade de adaptar o livro à realidade portuguesa e à realidade dos nossos adolescentes. Neste processo houve algumas falhas, a maior é que o livro termina com a indicação do lugar "Madrid". Ora se o livro se passa em Portugal porque aparece a referência a Espanha?!
Contudo, o livro lê-se bem e rapidamente.
O narrador é um adolescente que se apaixona perdidamente pela nova colega de escola, que foi expulsa da escola anterior por ter tentado roubar os testes. O livro decorre durante um ano letivo, sendo que os referidos vão-se envolvendo ao longo do ano e conhecendo-se através do tempo. É o amor pelo ponto de vista de um rapaz, ao contrário do que é usual e a grande dificuldade que as emoções despertam nesta fase.
Em estrelas, dar-lhe-ia 3 estrelas.

"- A Espinha é mais bonita com menos luz, e quem voltar a dizer qualquer coisa mal dela pode preparar-se para levar o troco.
     E todos se calaram, porque embora o Sebas fosse baixinho tinha o recorde das flexões, e além disso era bom tipo e ninguém queria ficar zangado com ele, muito menos sem razão."



Comentários

Mensagens populares deste blogue

O início da socialização

A família é um lugar previligiado da socialização e é lá que tudo se inicia. Ainda hoje algumas crianças ficam, durante os primeiros anos de vida, entregues aos cuidados dos avós. Por volta dos 3-4 anos surge a dúvida - será que é melhor que se mantenham com os avós, ou é preferível inscrevê-los no pré-escolar? Os avós têm as suas vantagens no que respeita ao monopólio das atenções e da disponibilidade total, contudo, ao ingressarem no ensino pré-escolar, as crianças são obrigadas a adquirir hábitos, regras e, sobretudo, a interagir com os outros, isto é, aprendem a partilhar. É o começo de uma etapa, em que a socialização é a pedra-de-toque. As crianças necessitam de conviver de perto com outras da sua idade, para aprenderem a viver em conjunto. Nesta fase, as brincadeiras em grupo são geralmente de índole teatral ou criativa. Aos 4-5 anos, tendem a brincar aos pares ou então sozinhas. É a educadora que os divide, porque se não tenderiam a agrupar-se por sexos - meninas para um lado …

Porque escolhi viver, Yeonmi Park

Depois de ter lido há relativamente pouco tempo o Inocência Perdida e os Bebés de Auschwitz estava a precisar de algo mais suave, mas como o livro foi emprestado por uma colega resolvi dedicar-me a esta leitura. Fiquei mais uma vez surpreendida pelo meu desconhecimento do mundo e dos humanos. Quem viveu uma Segunda Guerra Mundial, este mundo devia ter mais juízo. Uma coisa é, esporadicamente, ouvirmos umas notícias acerca da Coreia do Norte e acharmos que são todos loucos; outra coisa é lermos este relato na 1.ª pessoa e pensar "Que sorte que eu tenho de ter nascido em Portugal!" O livro espantou-me pela amplitude que tem. A descrição da vida na Coreia do Norte é atroz e confesso que inicialmente achei que era um pouco fantasiosa. É um livro biográfico. A autora, mulher de força, descreve com uma simplicidade de quem viveu as inúmeras carências de uma infância e adolescência perdidas, e arrasta-nos para uma espiral de sofrimento e ... pasmem-se: esperança. Ela nasceu e pass…

O viajante assassino

Olá,
esta foi a minha última leitura e... não gostei. Não sou propriamente indicada para falar deste tipo de livro. Não sou muito fã de policiais, mas de vez em quando arrisco. Arrisquei e não gostei. O livro é extenso, tem 447 páginas e muita gente. São muitas personagens e intrigas, mas, sobretudo, muitas descrições (até receitas tem!!!).  Começa com o assassínio da mulher e filha de um policial entregue ao álcool. Tem marcas específicas e um modus operandi muito particular, que apesar de interessante, não é explorado na totalidade. Desfilam inúmeras personagens e situações, a meu ver, demasiado coincidentes para serem verídicas e, como seria de esperar, o assassino é um "suposto" conhecido / amigo, que desconfiei a meio do livro. Enfim, gostei pouco e achei um desperdício de páginas. A minha edição é da Presença e data de 2005.
"Quando uma trama começa a desvendar-se, tudo acontece muito depressa. Tivemos sorte naquele dia. Toda a gente acaba por ser bafejada pela so…