
E a Antígona editora, tenciona continuar a "bater com as portas" para usar a expressão do Ravachol que tanto aprecia?
Sim, eu escrevi isso há uns anos, como ele escreveu: "sei que vou morrer, mas enquanto cá andar hei-de bater com as portas". Enquanto por cá andarmos - e a Antígona já não sou eu, felizmente há mais gente envolvida, que trabalha aqui - pensamos não fazer grandesa cedências. Vamos bater com as portas, no sentido em que Ravachol deu à expressão.
Hoje, quais é que são as portas que é necessário arrombar, que permanecem trancadas?
Há muitas portas e não temos força para isso. É evidente que vamos morrer e que as portas vão continuar trancadas a sete chaves, são os lugares ocultos da sociedade que têm ainda uma grande reserva de repressão, de opressão, de mentira e não vamos conseguir rebentar com essas portas... essa seria a nossa vontade. Mas, acredito que depois de nós algum nos continue, não como missão porque eu não sou militante, nem me sinto imbuído de nenhuma missão, posso até propor a minha inutilidade ao mundo mas há uma revolta e um impulso de coração que, permanentemente, me dirigem para um lugar que seria um lugar de dança, de humanidade, de libertação, um lugar de felicidade.
Se voltasse 27 anos atrás, era esta editora que fazia de novo?
Sim, sem dúvida, porque esta editora confunde-se com a minha vida. Se eu amanhã deixar a editora e continuar a editar não há nenhuma alteração, porque os livros que saírem de mim serão livros que têm a ver com a minha formação e com o meu pensamento.
in Os Meus Livros, Maio de 2006
Foi ainda obra da Antígona a edição dos seguintes livros: O Combate com o Demónio de Stefan Zweig, obra filosófica sobre filósofos; e Seis Mil Anos de Pão de Heinrich Eduard Jacob.
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