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Nuno Júdice



O meu pelotão era uma mistura de marginais, desertores e refractários - e achei natural que tivessem incluído um poeta nesse grupo.




Nuno Júdice, in Jornal das Letras, Artes e Ideias, 29-03-2006


Sempre tive o conceito de que um poeta, daqueles a sério, era alguém com uma sensibilidade demasiado frágil, demasiado sensível, demasiado ... arte. O que é certo é que escritor continua a não ser uma profissão desejável pelas incertezas que traz e pela inquietude que acarreta. Hoje em dia ser escritor é quase como ser cantor, só alguns é que o são, mas todos podem usar o título. No entanto, já não é um grupo marginalizado, como Judíce se refere a ele mesmo na acima declaração. Ser escritor é... (completem a frase por favor).





Carpe diem



Confias no incerto amanhã? Entregas
às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo
que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,
os instantes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, deixando a dúvida
definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens
visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar
que me oforece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.






Nuno Júdice

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