
A obra de escritor diz muito sobre si. Em que medida pensa que a vida pessoal de Borges está presente na sua obra?
A. V.: A vida de Borges e a literatura são uma coisa apenas. Emir Rodriguez Monegal define-o acertadamente como um "ser literário". Veja um exemplo: Em certa altura ofereceram à filha de Fanny, que vivia com os Borges, um gato. Ela colocou-lhe o nome de "Pepo". Quando Borges escutou esse nome mudou-o imediatamente para "Beppo", personagem de Lord Byron e o nome do pagem que acompanha o Duque de Bomarzo, na história de Mujica Laínez. Para ele, "Pepo" não significava nada mas "Beppo" sim.
Na obra de Borges realidade e ficção conjugam-se, ao ponto de pouco importar onde cada uma começa e termina. No entanto, quem melhor aceita esse "jogo" é quem tem algumas referências literárias. É essencial tê-las para usufruir da obra deste escritor?
A. V. : Uma das chaves da obra literária de Borges é esse jogo entre ficção e realidade e também entre o sonho e a vigília. O leitor não sabe em que estádio está e isso, somado a outras variações da sua escrita, fazem-na profundamente gratificante.
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