Avançar para o conteúdo principal

Inês de Portugal

"Inês de Portugal", de João de Aguiar é a minha recente leitura. Já tinha visto o filme e, de facto, não precisava de ter lido o livro, pois o filme é fidelíssimo ao que é narrado na obra.
Trata-.se de uma perspetiva diferente acerca dos amores de D. Pedro e Inês, pois o livro começa depois da morte desta última. Aqui conhecemos um rei possesso e torturado pelo amor que não concretizou e que desenvolve uma estranha obsessão por fazer justiça, precisamente por se achar vítima de falta dela.
D. Inês é também abordada de uma forma mais racional do que o que estamos habituados nas leituras sobre o assunto, em que toda a ambição social pertence a seus irmãos. Desta feita, ela é também tentada na cobiça.
É um livro acessível aos mais jovens, sem demasiados pormenores e com polémica suficiente para se tornar interessante. Contudo, é necessário possuir alguns conhecimentos históricos para percebê-lo na totalidade. O autor colocou, anda, no final do livro algumas informações pertinentes para a compreensão do conteúdo.
 
"Pedro apoiou as duas mãos sobre o tampo da mesa, curvado um pouco para a frente, como se lhe faltassem as forças. A ânsia que sente - de ver aqueles dois, de os ouvir, de os sentir plenamente em seu poder - a ânsia é tão forte que o queima por dentro e rouba-lhe a energia física. Tanto tempo à espera, tanto tempo que esperámos, eu e tu, Inês, para que a nossa vida começasse enfim a cumprir-se. Mas ela começa agora, verás. É uma jura que te faço."
 
 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Hotel Ruanda em livro

Depois do grande sucesso que foi o filme "Hotel Ruanda", eis que surge o livro.
Durante o apogeu do moticínio naquele país africano, Paul Ruseagabina arriscou a vida para salvar 1300 refugiados, protegendo-os no interior do hotel.
O livro vai mais longe que o filme, ao relatar parte do passado do humilde gerente do hotel, tal como a sua vida desde os terríveis eventos. Explora ainda a sua educação e experiência enquanto primeiro gerente ruandês de um hotel europeu. A vida do próprio chegou a estar em perigo, pois enquanto Hutu casado com uma Tutsi, era visto como um alvo a abater.

in Os Meus Livros

Não vi o filme, mas como começo sempre ao contrário, primeiro vou ler o livro. Se já viram comentem e contem-me como é.

O fim da inocência, de Francisco Salgueiro

Olá,
este livro lê-se num ápice. Numa linguagem simples e com um enredo brutal e verídico, é um livro de e para adolescentes. Como mãe, fiquei chocada que, enquanto professora, já desconfiava. A narradora perde, segundo ela, tardiamente, a virgindade, com 14 anos. Foi violada por 2 homens que lhe montaram uma armadilha. Esta, adolescente, de classe média alta conta, de forma demasiado real, a vida e objetivos dos adolescentes atuais. Não se enganem se pensavam ser rebeldes. Eles sabem tudo sobre nada. O vazio com que se debatem, a procura incessante em novas emoções no sexo, que é vulgarizado como algo carnal apenas, e nas drogas é atroz. Os riscos constantes, as violações de privacidade, de intimidade. É difícil de digerir, é inconsequente, é... inverosímil, cremos nós. Todo o livro gira em torno do sexo e das drogas e da visão do mundo dos adolescentes. Este livro dói, magoa até ao limite do absurdo. Porquê? Como? O que fizeram ou não fizeram aos nossos adolescentes?
"Nessa noi…

O início da socialização

A família é um lugar previligiado da socialização e é lá que tudo se inicia. Ainda hoje algumas crianças ficam, durante os primeiros anos de vida, entregues aos cuidados dos avós. Por volta dos 3-4 anos surge a dúvida - será que é melhor que se mantenham com os avós, ou é preferível inscrevê-los no pré-escolar? Os avós têm as suas vantagens no que respeita ao monopólio das atenções e da disponibilidade total, contudo, ao ingressarem no ensino pré-escolar, as crianças são obrigadas a adquirir hábitos, regras e, sobretudo, a interagir com os outros, isto é, aprendem a partilhar. É o começo de uma etapa, em que a socialização é a pedra-de-toque. As crianças necessitam de conviver de perto com outras da sua idade, para aprenderem a viver em conjunto. Nesta fase, as brincadeiras em grupo são geralmente de índole teatral ou criativa. Aos 4-5 anos, tendem a brincar aos pares ou então sozinhas. É a educadora que os divide, porque se não tenderiam a agrupar-se por sexos - meninas para um lado …