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Os filhos do afecto, de Torey Hauden




Este livro apresenta-se escrito na 1.ª pessoa, Uma professora que vive da escola e para a escola, como a tantos acontece, docente de uma disciplina de Estudo Acompanhado, recebe na sua sala aqueles que não se enquadram numa sala "normal". O universo é construído por esta professora, por uma aluna que depois de ter sofrido violência nas mãos do pai não consegue ler, nem reconhecer os números, Lori; um autista, Boo; um inadaptado que viu o pai morrer, Tommaso; e uma criança de 12 anos que está grávida e não se enquadra num colégio religioso, nem numa turma regular. Todos eles vão sendo descobertos aos poucos, com as suas singularidades, belezas e fragilidades. Refletimos em quanto estes miúdos nos passam ao lado, na margem, não conseguem integrar-se num sistema que os quer integrados e não são descobertos num mundo de programas e metas a cumprir.
Um livro intenso que nos choca pela nossa insensibilidade, pela nossa vontade de fechar os olhos ao que não é "normal", em catalogar os diferentes, em arrumá-los na prateleira...

"Não houve reação. Estava tão empenhado em auto-estimular-se que a minha voz, só por si, não era capaz de quebrar a sua concentração. A realidade sobre a qual estávamos assentes tinha desaparecido para Boo. vivia apenas na sua reflexão em poliéster. Vi-o levantar a mão e agarrar uma grande porção de cabelos. Num gesto de grande destreza, arrancou-os da cabeça.
Avancei para lhe pegar nos ombros. Foi um grande erro. Boo estava mais distante do que eu imaginara. Guinchou histericamente quando lhe toquei e desatou a berrar. Tufos de cabelo pretos caíam atrás de si, , ao mesmo tempo que continuava a arrancá-los da cabeça. Intermitentemente, as suas mãos agitavam-se com grande frenesim e a cabeça oscilava para trás e para a frente, como se não tivesse músculos no pescoço."

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